10 de dezembro de 2019
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coluna Econômica

Queda nas vendas de produtos básicos e manufaturas derruba exportação goiana

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de dezembro de 2019
Entre janeiro e outubro deste ano, Goiás exportou algo ligeiramente abaixo de US$ 5,737 bilhões, no pior resultado desde meados da década

O desempenho negativo das exportações goianas ao longo deste ano tem sido determinado sobretudo pela retração observada nas vendas externas de produtos básicos, com destaque para o complexo soja (aqui, sob impacto da redução na demanda chinesa, principal mercado de destino da soja em grão), e também pela queda nos embarques de bens manufaturados. A velocidade da queda tem se reduzido nos últimos dois meses, em função principalmente do vigoroso crescimento das vendas de milho em grão, mas os números da balança comercial do Estado mantêm-se negativos e tendem a encerrar o ano em baixa.

Entre janeiro e outubro deste ano, Goiás exportou algo ligeiramente abaixo de US$ 5,737 bilhões, no pior resultado desde meados da década, correspondendo a queda de 11,24% em relação aos US$ 6,463 bilhões exportados nos primeiros 10 meses do ano passado. As importações somaram US$ 2,999 bilhões, mantendo-se em estabilidade virtual frente aos US$ 2,992 bilhões importados entre janeiro e outubro de 2018 (a variação, quase nula, ficou em 0,24%). O saldo comercial (exportações menos importações) baixou de quase US$ 3,472 bilhões para US$ 2,738 bilhões, num recuo de 21,14%, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Secex/Mdic).

As vendas externas de produtos básicos experimentaram retrocesso de 13,7% em grandes números, saindo de R$ 4,89 bilhões para US$ 4,22 bilhões. Sua participação no total vendido lá fora pelas empresas goianas recuou de 75,7% para 73,6%, preservando um espaço relevante ainda, confirmando a baixa capacidade de produção e de exportação de bens mais elaborados, com maior conteúdo tecnológico e maior nível de complexidade. Nesta linha, as exportações de bens manufaturados despencaram 24,9% no acumulado até outubro, caindo de US$ 333,45 milhões para US$ 250,58 milhões – o que achatou a fatia ocupada pela indústria de manufaturas nas exportações goianas de 5,16% para 4,37

Peso nada doce

Mesmo entre bens manufaturados, registra-se forte presença de produtos de origem agrícola na pauta de exportações. Neste ano, por exemplo, uma parte relevante do tombo nas vendas externas do setor deveu-se ao desempenho muito negativo dos embarques de açúcar refinado, reflexo, de outro lado, da maior oferta global e do aumento nos estoques mundiais, o que tem contribuído para deprimir os preços e os volumes de venda. No caso goiano, as vendas externas de açúcar refinado desabaram 61,4% entre 2018 e 2019, sempre considerando os 10 primeiros meses de cada período. Em valores, as exportações encolheram para US$ 48,58 milhões, saindo de US$ 125,70 milhões no ano passado (quando o produto havia sido responsável por quase 38% de todas as vendas de bens manufaturados). Neste ano, o açúcar refinado teve sua participação reduzida para 19,4% (embora tenha respondido por 93,0% da queda observada para o total de manufaturas vendidas no exterior).

Balanço

·   A contribuição (negativa) do complexo soja (grão, farelo e óleo, com largo destaque para o primeiro) explica praticamente toda a redução observada para as exportações goianas até outubro, com a “ajuda” da China, que tem reduzido suas compras da oleaginosa.

·   As exportações do complexo murcharam de US$ 3,283 bilhões entre janeiro e outubro de 2018, quando chegaram a representar 50,79% do total exportado por Goiás, para US$ 2,149 bilhões em igual intervalo deste ano (37,46% do total). A queda foi de 34,5% entre um período e outro, significando US$ 1,134 bilhão a menos.

·   Sem o complexo soja, as demais exportações realizadas a partir de Goiás cresceram 12,8% na comparação entre aqueles mesmos dois períodos, elevando-se de US$ 3,181 bilhões para US$ 3,588 bilhões em números arredondados. Mas 96,5% do ganho registrado aqui veio exclusivamente de um único produto: o milho em grão.

·   O Estado exportou 3,554 milhões de toneladas de milho entre janeiro e outubro deste ano, o que se compara a apenas 1,116 milhão de toneladas no ano passado, o que correspondeu a uma elevação de 118,5%. Como os preços de venda subiram, as receitas com os embarques do grão aumentaram mais do que proporcionalmente, saindo de US$ 209,409 milhões para US$ 601,867 milhões, num salto de 187,4%.

·   As exportações de soja em grão, no entanto, anularam esse esforço ao produzir uma retração de US$ 904,221 milhões nas receitas de exportação neste ano. As vendas externas do produto baixaram de US$ 2,347 bilhões para US$ 1,443 bilhão, num retrocesso de 38,5%. A China manteve-se como principal mercado para a soja goiana, comprando 83,8% de toda a exportação do grão.

·   Mas foram os chineses também os principais responsáveis pela queda no saldo comercial do Estado com o restante do mundo ao combinar exportações mais baixas e importações em alta acelerada. Goiás exportou US$ 2,072 bilhões neste ano para o mercado chinês, diante de US$ 2,623 bilhões entre janeiro e outubro de 2018 (queda de 21,0%). E importou 55,63% a mais, já que as compras de produtos chineses avançaram de US$ 248,299 milhões para US$ 386,439 milhões (especialmente por conta do salto nas compras de veículos, partes e acessórios, multiplicadas em 30,5 vezes, para US$ 80,280 milhões).

O resultado foi uma queda de 29,0% no saldo comercial entre o Estado e a China, saindo de US$ 2,374 bilhões (68,39% do superávit total) para US$ 1,685 bilhão (61,56%). A redução de US$ 688,995 milhões representou 93,9% da retração acumulada pela balança comercial goiana como um todo. 

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