10 de dezembro de 2019
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coluna Econômica

Goiás mantém a mesma 9ª posição entre Estados com maior PIB há década e meia

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de dezembro de 2019
Da mesma forma, a participação relativa do Estado no produto total gerado pela economia brasileira variou modestamente de 2,6% para 2,9%

O desempenho das economias regionais, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com institutos econômicos e secretarias estaduais de planejamento, sugere que a crescente guerra fiscal travada entre as diversas unidades da federação nas últimas décadas tem produzidos resultados questionáveis, numa visão condescendente. Ao menos no caso goiano, os planos de superar o Distrito Federal e a Bahia, que sustentam respectivamente a 7ª e a 8ª posições entre os Estados com maior Produto Interno Bruto (PIB), não foram contemplados. Goiás sustenta, desde pelo menos 2002, a mesma 9ª colocação, situação que tem se repetido ao longo de praticamente uma década e meia.

Da mesma forma, a participação relativa do Estado no produto total gerado pela economia brasileira variou modestamente de 2,6% para 2,9% (fatia mantida nos anos de 2014 a 2017, conforme o levantamento apresentado nesta quinta-feira à imprensa pelo IBGE). Nesse sentido, o avanço verificado para as economias de Santa Catarina (de 3,7% para 4,2%), Mato Grosso (de 1,3% para 1,9%) e Pará (de 1,8% para 2,4%) foi mais substancial, correspondendo a acréscimos de 0,55 pontos de porcentagem para o primeiro e de 0,58 pontos para a participação do PIB paraense.

A liderança, no quesito, ficou para Mato Grosso, que acumulou um avanço de 0,64 (duas vezes mais do que o “ganho” realizado pela economia goiana, equivalente a 0,32 pontos. Mais castigado pela crise, São Paulo perdeu 2,65 pontos, saindo de 34,9% para 32,2%, mas preservou a liderança. A desconcentração relativa na distribuição das riquezas produzidas pela economia, mais relacionada aos efeitos da recessão de 2015-2016 do que a políticas públicas efetivas, deu-se pelo encolhimento da economia no Sudeste, que saiu de uma participação de 57,4% em 2002 para 52,9% do PIB brasileiro em 2017.

Menos ou mais

No mesmo período, 12 Estados cresceram de forma mais acelerada do que Goiás e, no Centro-Oeste, seu crescimento só foi maior do que no Distrito Federal. O PIB goiano acumulou uma variação de 60,8% entre 2002 e 2017, correspondendo a um crescimento anual médio de 3,2%. De toda forma, analisado sob uma perspectiva mais otimista, foi um desempenho superior à média brasileira, que chegou a crescer 42,5% (2,4% ao ano), puxada para baixo pelos resultados piores no Paraná (41,0% no acumulado em 15 anos e 2,3% ao ano), São Paulo (39,5% com média de 2,2% ao ano), Minas Gerais (36,4% no acumulado e 2,1% ao ano), Rio Grande do Sul (respectivamente 30,0% e 1,8%) e Rio de Janeiro (que experimentou expansão de apenas 23,3% em todo o período, significando média anual de 1,4%).

Balanço

·   No DF, a economia avançou 57,9%, com média de 3,1% ao ano, pior desempenho no Centro-Oeste. Com forte presença do agronegócio, o PIB de Mato Grosso mais do que dobrou de tamanho, saltando 112,1% entre 2002 e 2017, com variação anual média de 5,1%. Em Mato Grosso do Sul, a economia cresceu 73,8% (correspondendo a 3,8% na média anual).

·   As contas regionais de 2017 mostram que os institutos locais de estudos econômicos têm realizado um trabalho cauteloso, até para não estimular retóricas mais triunfalistas.

·   Até março do ano passado, as projeções oficiais colocavam o PIB goiano próximo de R$ 189,87 bilhões em 2017, o que sugeria um crescimento de 1,8% em relação ao ano anterior, lembrando que a economia havia retrocedido 4,3% e 3,5% em 2015 e 2016.

·   Em dezembro de 2018, o dado foi revisado levemente para cima, com a estimativa para o PIB estadual elevando-se até R$ 190,002 bilhões em 2017 e indicando variação ao redor de 2,0% na comparação com 2016.

·   O número final divulgado agora pelo IBGE aponta variação de 2,3%, praticamente um ponto acima do avanço de 1,3% registrado pelo PIB brasileiro entre 2016 e 2017. As riquezas geradas pela economia goiana somaram, neste último ano, algo em torno de R$ 191,899 bilhões.

·   A despeito da retomada, o PIB estadual ainda acumulava perda de aproximadamente 5,5% entre 2015 e 2017, praticamente equivalente ao retrocesso registrado na média do País.

·   O avanço em Goiás veio por obra do salto de 26,8% realizado pela agricultura, o que impulsionou a alta de 19,2% para o conjunto da agropecuária, que respondeu por 11,3% na formação do PIB regional.

·   O setor de serviços avançou 0,9% em 2017, com o segmento de comércio e reparação de veículos puxando o desempenho para baixo ao desabar 6,7%, resultado contrabalançado pelo incremento de 8,2% nas atividades financeiras, de seguros e de serviços financeiros.

·   A indústria como um todo sofreu recuo de 0,6% no ano, ditado pelo tombo de 7,6% na construção (queda no ritmo das obras de infraestrutura) e pelo recuo de 4,6% no setor de eletricidade, água, esgoto e gestão de resíduos (principalmente em função da redução na geração de energia). As indústrias de extração e de transformação cresceram 2,5% e 4,4%, sob influência do cobre e do níquel, no primeiro caso, e dos setores farmacêutico e de biocombustíveis no segundo (etanol e biodisesel).

 

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