10 de dezembro de 2019
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coluna Econômica

Empregos de baixa qualidade diminuem renda das famílias para baixo em Goiás

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de dezembro de 2019
Empregos de baixa qualificação e baixos salários, sem garantias e sem direitos este tem sido o principal fator por trás da tendência de crescimento da atividade econômica

O avanço no total de pessoas com algum tipo de ocupação em Goiás segue de perto o “padrão” observado para o mercado de trabalho em todo o País, impulsionado pela criação de empregos de baixa qualificação e baixos salários, sem garantias e sem direitos. Esse comportamento tem sido o principal fator por trás da tendência de crescimento muito modesto da atividade econômica, impedindo que a economia deslanche, juntamente com o arrocho imposto pelos governos às despesas e investimentos do setor público e aos erros do Banco Central (BC) na condução da política de juros, diante da demora excessiva na redução da taxa básica.

Em Goiás, setores associados a serviços de baixa especialização respondem por pouco mais de 60% do total de empregos, taxa que tem sido mantida ao longo dos últimos trimestres, e vêm contribuindo com mais da metade das vagas abertas num período mais recente. Para complicar um cenário já delicado, o crescimento verificado no total de ocupações não foi suficiente para absorver todas as pessoas que buscaram emprego no terceiro trimestre deste ano, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na soma de todos os tipos de ocupação, o total de pessoas com emprego saiu de 3,324 milhões no terceiro trimestre do ano passado para 3,407 milhões no mesmo período deste ano, com abertura de 83,0 mil vagas e crescimento de 2,5%. Mas 170,0 mil pessoas entraram a mais para a chamada “força de trabalho” (a população com mais de 14 anos e disposta a trabalhar), que saiu de 3,650 milhões para 3,821 milhões. O resultado foi um salto de 26,9% no número de desempregados, saindo de 326,0 mil para 414,0 mil (o mais elevado desde o primeiro trimestre de 2017, quando 452,0 mil pessoas estavam desempregadas). A taxa de desemprego, que havia baixado para 8,9% no terceiro trimestre de 2018, subiu para 10,8% e também superou o índice do segundo trimestre (10,5%).

Bom ou ruim?

O fato de um número maior de pessoas ter buscado colocação no mercado poderia até ser visto como uma boa notícia, já que estas teriam se sentido estimuladas a procurar uma vaga ao perceberem uma suposta melhoria no mercado. Mas a probabilidade de que essa movimentação tenha sido motivada por fatores negativos (perda de empregos e de renda da família, levando outros membros a buscarem alguma forma de ocupação para fazer frente a despesas, por exemplo). O setor de serviços de baixa especialização respondeu por 53,0% das vagas criadas no período e os empregos com carteira foram responsáveis por pouco menos de 44,6% do total de novas ocupações. Em torno de um terço dessas vagas foram ocupadas por pessoas sem carteira assinada e por empregadores e trabalhadores por conta própria sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).

Balanço

·   Já não é uma tendência recente, mas o número de trabalhadores em situação precária (sem carteira e sem CNPJ) continua superando o total de pessoas com carteira assinada (na soma de empregados dos setores público e privado e trabalhadores domésticos).

·   No terceiro trimestre deste ano, o pessoal com registro em carteira somava 1,279 milhão, representando 37,54% do total de ocupados, diante de 1,461 milhão sem carteira e sem CNPJ (que respondia por 42,88% de todos os empregos). O nível de “informalização” da mão de obra ocupada sofreu apenas leve inflexão desde o terceiro trimestre do ano passado, quando aquela proporção havia sido de 43,14%.

·   A taxa de subutilização da mão de obra, que inclui desempregados, subempregados por insuficiência de horas trabalhadas e aqueles que estão fora do mercado, mas gostariam de trabalhar, saiu de 16,7% no terceiro trimestre de 2018 para 19,1% no segundo trimestre deste ano e recuou para 17,9% no trimestre seguinte, mantendo-se acima dos níveis observados em idêntico período do ano passado.

·   A dinâmica pouco favorável no mercado de trabalho, que tem favorecido a baixa especialização (o que explicaria ainda as quedas frequentes na produtividade do pessoal ocupado), produziu a segunda queda consecutiva do rendimento médio real de todos os ocupados. Na comparação com o trimestre encerrado em março deste ano, o rendimento acumula perda de 4,54%, porque baixou de R$ 2.182 para R$ 2.083. Na comparação com o terceiro trimestre de 2014 (quando havia atingido R$ 2.249), o rendimento sofreu perda de 7,38% em termos reais (descontada a inflação).

·   A massa de rendimentos anotou ligeira reação no terceiro trimestre deste ano em Goiás, saindo de R$ 6,975 bilhões no trimestre imediatamente anterior para R$ 7,001 bilhões (0,4% a mais, praticamente estabilizada), mas ainda acumula baixa de 2,44% desde o primeiro trimestre, quando chegou a R$ 7,176 bilhões.

Também em valores reais, a massa salarial (que corresponde à soma de todos os rendimentos recebidos pelas pessoas ocupadas) vem se mantendo estagnada nos últimos anos e ainda registra ligeiro recuo de 0,96% em relação ao terceiro trimestre de 2014. Naquele momento, a soma de todos os rendimentos havia alcançado R$ 7,069 bilhões. 

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