10 de dezembro de 2019
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coluna Econômica

Enquanto avança digitalização no campo, Embrapa constrói novas tecnologias

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de dezembro de 2019
Novo modelo tecnológico vai otimizar o modelo de negócios no setor e mesmo a produção rural, com uso de agricultura de precisão e drones, por exemplo

Entre uma certa elite de empresários rurais, o avanço da digitalização de máquinas, processos e da gestão do negócio no campo transforma o cenário no agronegócio, ainda que as mudanças em curso pareçam algo ainda distante de uma maioria de produtores. De qualquer forma, como observa Ronan Damasco, diretor nacional de tecnologia da Microsoft, “o futuro do agronegócio é digital”.

Nessa trajetória rumo a digitalização, a gigante da área de tecnologia da informação antevê algumas tendências principais, a começar pelas possibilidades abertas pelo uso de inteligência artificial, associada ao poder quase irrestrito de processamento de dados assegurado pela computação na nuvem. O novo modelo, avalia Damasco, que engloba, entre outros recursos, sistemas de internet das coisas (IoT), “vai otimizar o modelo de negócios no setor e mesmo a produção rural, com uso de agricultura de precisão e drones, por exemplo”. E, dentro de cinco anos, a chegada definitiva da computação quântica deverá operar mudanças ainda mais radicais.

A perspectiva de liberação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), até o final de 2020, do uso das antigas frequências da televisão analógica para transmissão de dados deverá ajudar a enfrentar o desafio da conectividade no campo ao favorecer a disseminação da internet de banda larga e outras aplicações.Um dos diferenciais dessa plataforma, também conhecida como TV White Space (literalmente, espaços em branco de televisão) ou Air Band, aponta Damasco, está no baixo custo dos equipamentos, principalmente em comparação com as redes de fonia móvel, e em sua capilaridade. No caso, basta a instalação de um rádio transmissor nas antenas de televisão já instaladas em todo o interior e, na ponta final, de um receptor (que seria também um rádio) acoplado ao um roteador que passaria a operar como um sistema de WiFi.

Inteligência artificial

Desenvolvido pela Microsoft, o projeto FarmBeats recorre à inteligência artificial (I.A.) e a recursos de computação em nuvem para oferecer soluções de agricultura de precisão a custos mais baixos para os produtores, utilizando como meio de conexão os espaços em branco de televisão. Um algoritmo de I.A. realiza a interpolação de dados coletados a campo por conjuntos de 20 a 30 sensores espalhados pela propriedade, simulando a operação de 300 ou 400 sensores, por exemplo, com a mesma acuidade e precisão. O uso de visão computacional com suporte de balões de hélio, puxados até por animais, de outro lado, pode substituir sistemas mais caros de mapeamento do solo a base de drones e satélites, observa Damasco.

Balanço

·   A inovação no campo avança não só por trilhas digitais. Desde setembro deste ano, já está disponível o primeiro inoculante produzido totalmente no Brasil, que vai ajudar as plantas de milho e soja a recuperar o fósforo acumulado no solo ao longo de décadas de exploração agrícola, elevar a produtividade daquelas culturas e, mais à frente, reduzir a necessidade de adubação fosfatada e a dependência brasileira em relação ao fosfato importado.

·   O produto final, que ganhou o nome comercial de BiomaPhos, é resultado de uma parceria público-privada firmada há quatro anos entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Bioma, empresa dedicada à produção de soluções tecnológicas na área de inoculantes e fertilizantes.

·   As pesquisas, no entanto, consumiram praticamente 18 anos de trabalho intenso da equipe da Embrapa Milho e Sorgo, segundo Christiane Abreu de Oliveira Paiva, pesquisadora da área de microbiologia do solo da unidade. O trabalho começou com 450 cepas de bactérias, em 2002, e resultou na seleção de cinco delas ainda nos experimentos de bancada.

·   Com a parceria, foi possível expandir os ensaios para o campo, realizados em mais de 400 pontos desde o Pará até o Rio Grande do Sul. Isso permitiu refinar a pesquisa, obter resultados mais consistentes e escolher as duas cepas mais adequadas, por sua capacidade de atuar na planta, aumentando o volume radicular e produzindo na ponta raízes mais finas, e ainda pelo potencial de solubilizar o fósforo preso no solo e na argila, liberando fosfato para a planta.

·   Estudo da Embrapa Solos estima que perto de 45,7 milhões de toneladas de fósforo foram aplicadas na agricultura e quase metade desse volume, algo como 22,8 milhões de toneladas, continua fixado ao solo.

·   De acordo com Christiane, as cepas de bactérias selecionadas – Bacillussubtilis e Bacillusmegaterium – podem ser inoculadas na fase de tratamento das sementes ou lançadas ao solo no momento do plantio. Os resultados a campo mostram ganhos de produtividade de sete a 10 sacas no caso do milho (entre 8% e 11% considerando o rendimento atual do grão) e em torno de 4,5 sacas para a soja (perto de 8% a 10% a mais).

 

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