10 de dezembro de 2019
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coluna Econômica

Alta das carnes deverá ter influência reduzida na inflação de 2019 e 2020

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de dezembro de 2019
Numa velocidade menos acentuada, o quilo da carcaça suína apresenta alta de 11,8% entre 1º e 22 de novembro

Os preços da arroba do boi gordo entraram em disparada neste mês e já acumulavam, até sexta-feira, 22, salto de 34% na comparação com o final de outubro, de acordo com acompanhamento diário realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP em parceria com a B3 (antiga Bolsa de Valores de São Paulo). Na média do período, comparada aos valores médios registrados nos 22 primeiros dias de outubro, a alta atinge 18,4%, com a arroba saindo de R$ 161,82 para R$ 191,59. Para se ter uma ideia de como o aumento se intensificou nas últimas semanas, na sexta-feira passada, a arroba chegou a ser negociada por R$ 228,80 (o equivalente a US$ 54,59 – nível mais elevado desde 29 de janeiro de 2015, quando havia registrado US$ 55,20).

Numa velocidade menos acentuada, o quilo da carcaça suína apresenta alta de 11,8% entre 1º e 22 de novembro, com variação média de 8,1% em relação aos primeiros 22 dias de outubro. Parte desses aumentos, César de Castro Alves, consultor da área de agronegócio do Itaú BBA, deve-se à maior demanda chinesa pela carne brasileira, diante do estrago causado pela peste suína africana no seu plantel. A entressafra na pecuária bovina explica outra parte dos aumentos, com a falta de bois para abate agravada pela estiagem prolongada, o que retardou a recuperação dos pastos.

Os aumentos nos mercados atacadistas já puxam os preços cobrados dos consumidores por açougues e supermercados, o que tende a afetar a inflação neste final de ano. Diante de uma demanda em geral desaquecida, com desemprego elevado e ociosidade nas fábricas, considera o economista Luka Barbosa, do Itaú Unibanco, o “choque” provocado pela forte elevação dos preços das carnes em geral tende a ter influência relativamente reduzida sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Estrago contido

Na projeção do banco, que já considera algum impacto negativo da desvalorização do real frente ao dólar, a inflação oficial deverá variar em torno de 3,3% neste ano. Assumindo um impacto mais relevante das carnes, a taxa poderá encerrar o ano em 3,4% ou 3,5%, ainda muito abaixo do centro da meta inflacionária definida para 2019 (4,25%). “Se considerarmos uma inflação de 3,4%, os preços das carnes terão respondido por 0,2 pontos, o que significa dizer que o IPCA estaria em 3,2% sem o grupo carnes”, observa Barbosa.Para o próximo ano, supondo que o processo de alta seja estancado nas próximas semanas, quando começam a entrar no mercado os primeiros bois terminados a pasto da safra 2019/2020, restaria um impacto residual de 0,1 ponto de porcentagem. Na aposta do Itaú Unibanco, o IPCA de 2020 deverá alcançar qualquer coisa em torno de 3,7% (de novo abaixo da meta, o que recomendaria a continuidade dos cortes na taxa básica de juros).

Balanço

·   Convertidos em dólares, os preços da arroba do boi gordo já estiveram bem mais elevados no início da década. Pressionados pela matança de fêmeas no ciclo anterior e pela retração da oferta de animais para abate, os preços alcançaram níveis históricos no começo de novembro de 2010, superando levemente US$ 69 (o que seria equivalente a quase R$ 290 a se considerar a cotação do dólar de ontem, o que seria perto de 27% mais elevado do que a cotação nominal registrada no dia 22 passado).

·   Os preços da arroba seguiam bem-comportados até setembro, com variações mensais na faixa entre 1% e 2%. Em outubro, na média mensal, a arroba registrou elevação de 3,1%, em discreta aceleração ainda.A partir da primeira semana de novembro, os preços saltaram 28,2%, saindo de R$ 178,50 no dia 7 para R$ 228,80 na sexta-feira última.

·   A explicação para a alta, supostamente baseada no avanço das exportações, perde um pouco de força em novembro, embora os dados de outubro tenham sido robustos, praticamente 10% acima da média acumulada nos 10 primeiros meses do ano, com embarques de 160,1 mil toneladas.

·   Em novembro, até a quarta semana do mês, somando 15 dias úteis, as exportações de carne bovina in natura somaram 90,5 mil toneladas, com média de 6,03 mil toneladas por dia, abaixo da média de 6,96 mil toneladas registrada em outubro (13,3% menos, mais precisamente) e 7,5% menor do que as 6,52 mil toneladas embarcadas diariamente ao longo de novembro de 2018.

·   Entre janeiro e outubro, o Brasil exportou praticamente 5,625 milhões de toneladas de carnes em geral, numa elevação de 3,1% frente às 5,455 milhões embarcadas nos primeiros 10 meses do ano passado. As vendas de carne bovina e suína aumentaram 9,9% (para 1,462 milhão de toneladas) e 12,0% (atingindo 585,55 mil toneladas no segundo caso). Mas as vendas de frango mantiveram-se estáveis em 3,366 milhões de toneladas (3,360 milhões em 2018).

·   A China ampliou suas compras de carnes no Brasil em 25,7%, atingindo 952,31 mil toneladas (quase 17% de toda a exportação brasileira). Os chineses passaram a respondeu por 21,8% da carne bovina exportada pelo País, com importações de 318,92 mil toneladas (23,3% a mais). Quase 31,5% da carne suína exportada pelo Brasil tiveram a China como destino, num total de 184,4 mil toneladas (38,7% a mais).

 

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