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Redução nos volumes e nos preços das exportações explica superávit menor

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 18 de agosto de 2019
Em geral, movimentos de desvalorização do real tendem a tornar as exportações brasileiras mais baratas lá fora

As oscilações frequentes na cotação do dólar, num cenário marcado por uma sequência de altas e baixas bruscas do câmbio, por certo tornam muito mais complicada a negociação e fechamento de contratos para entrega futura de bens, mercadorias e serviços no mercado internacional, sobretudo no caso de contratos de prazos mais longos. Em geral, movimentos de desvalorização do real tendem a tornar as exportações brasileiras mais baratas lá fora e, na via inversa, encarecer as importações, desestimulando sua entrada no mercado. Até aqui, há poucas evidências de que alguma tendência naquela direção esteja de fato em marcha.

“Num cenário de incertezas, que se reflete na instabilidade cambial, os momentos de desvalorização cambial não têm impulsionado as exportações ou retraído as importações. Sabe-se que os efeitos das mudanças cambiais demoram a se fazer presentes, mas no incerto cenário atual mundial e do Brasil, essa demora se estende por um tempo mais longo”, analisa o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) no mais recente relatório que acompanha o Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da entidade.

O material relembra que, em 25 de janeiro deste ano, o relatório Focus do Banco Central (BC), que trata de aferir os humores e apostas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos, chegou a projetar para este ano um saldo comercial (exportações menos importações) de US$ 52,0 bilhões, considerando as tendências observadas para o comércio mundial e para a taxa de câmbio naquele momento. Na segunda-feira passada, há menos de duas semanas para o encerramento do ano, os departamentos de macroeconomia dos bancos passaram a considerar a perspectiva de um superávit de US$ 43,0 bilhões (ou seja, em torno de US$ 9,0 bilhões mais magro), o que se compara com o saldo próximo de US$ 41,0 bilhões acumulado nos primeiros 11 meses deste ano, segundo números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do superpoderoso Ministério da Economia.

Altas e baixas

Na avaliação do Ibre, a piora nos dados da balança comercial, que se tornou mais aguda ao longo do segundo semestre (com espaço para um exercício suspeito de “superestimação” da queda das exportações num momento crítico para o mercado de dólar), “está associada a uma queda de 6,4% nas exportações e a um aumento nas importações de 1,2%” na comparação entre o acumulado de janeiro a novembro deste ano com o mesmo intervalo de 2018. Na ponta das exportações, a redução veio puxada principalmente pela queda de 4,8% no preço médio dos produtos exportados e pelo recuo de 2,0% nos volumes embarcados pelo Brasil rumo ao mercado internacional. As compras externas ficaram igualmente “mais baratas”, com redução de 4,2% no nos preços médios, enquanto o volume importado avançou 2,3%, influenciada sobretudo pela alta de 4,3% no volume das importações de produtos agropecuários e sob influência ainda de um incremento de 2,6% nas importações realizadas pela indústria de transformação (aqui concentradas em bens intermediários, ou seja, insumos, matérias-primas e outros destinados à fabricação final de bens industriais).

Balanço

·   O comportamento do volume das exportações foi ditado, na avaliação do Icomex, pela combinação de ligeira elevação nas vendas de commodities (minério de ferro, soja, milho e outros grãos, petróleo bruto, semimanufaturados de ferro e aço, entre outros), que avançaram 1,8% no acumulado em 11 meses, e forte baixa em produtos não classificados como commodities (tombo de 7,0%).

·   As vendas externas de bens de capital e bens de consumo duráveis, medidas em volume, despencaram 21,6% e 20,6% respectivamente, enquanto as importações naqueles mesmos setores baixaram 6,3% e 18,7% na mesma ordem. Em sentido inverso, tanto as exportações quanto as importações de bens intermediários avançaram na comparação com os primeiros 11 meses do ano passado, com altas de 4,7% e de 7,9%.

·   A crise na economia Argentina explica boa parte da queda nos volumes exportados de “não commodities” (especialmente bens manufaturados, de maior valor agregado). No geral, os volumes exportados pelo Brasil para o mercado argentino desabaram 34,0%. Mas não foi o único mercado a comprar menos manufaturas do Brasil. O grupo “demais da América do Sul”, excluída a Argentina, muito obviamente, apresentou recuo de 9,0%.

·   Com alta concentração de commodities, as exportações para a China recuaram 2,4% (com a colaboração principal da soja em grão, já que os chineses reduziram suas compras diante das perdas gigantescas impostas pela febre suína africana a seu plantel) e baixaram 8,9% para a União Europeia.

·   Exportações e importações para os Estados Unidos apresentaram altas de 13,8% e de 13,0%, em volume. A explicação, no caso das vendas brasileiras para aquele mercado, está no forte embarque de petróleo em bruto e de laminados de ferro e aço, “o que ajuda a explicar o aumento do volume exportado de commodities, embora modesto (1,8%)”, assinala o Ibre.

Na visão do instituto, “a piora das (exportações de) ‘não commodities’ não é explicada apenas pela recessão na Argentina. O Brasil enfrenta o desafio de melhorar o seu desempenho exportador das ‘não commodities’ para os mercados asiáticos, que são os que têm registrado taxas de crescimento mais elevadas em comparação com as outras regiões na economia mundial”. 

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