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Investimento externo volta a cair e acumula baixa de 16,5% em 3 meses

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 21 de agosto de 2019
A queda atingiu tanto investimentos em participação no capital (incluindo emissões e compra de ações entre empresas) quanto as operações entre companhias de um mesmo grupo - Foto: Reprodução.

Na metodologia adotada desde 2015 pelo Banco Central (BC), os investimentos estrangeiros diretos no País sofreram tombo de 23,1% na comparação entre novembro do ano passado e igual período deste ano, encolhendo de US$ 9,080 bilhões para US$ 6,985 bilhões. A queda atingiu tanto investimentos em participação no capital (incluindo emissões e compra de ações entre empresas) quanto as operações entre companhias de um mesmo grupo, com perdas mais severas nesta última área. No primeiro caso, o investimento registrou baixa de 10,7%, saindo de US$ 6,120 bilhões para US$ 5,464 bilhões. No segundo grupo, os números despencaram 48,6% entre aqueles dois meses, com as operações intercompanhiascaindo de US$ 2,960 bilhões para US$ 1,521 bilhões.

A tendência de perdas nesta área intensificou-se desde setembro deste ano, refletindo uma aparente piora no ambiente econômico em função das incertezas então maiores em relação ao comportamento da economia brasileira, das expectativas de uma desaceleração mais brusca da atividade econômica global, embalada pela crise na Argentina, pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, pelas dúvidas (ainda não sanadas totalmente) em relação à saída do Reino Unido da União Europeia e também pelo desaquecimento na Alemanha, Itália, Japão e outras economias centrais.

Nos três meses encerrados em novembro deste ano, segundo as séries estatísticas do BC, o investimento direto no País somou US$ 20,753 bilhões, o que significou uma retração de 16,46% em relação aos US$ 24,841 bilhões investidos entre setembro e novembro do ano passado (numa perda de US$ 4,088 bilhões). No mesmo intervalo, a diferença entre a entrada e a saída de dólares no País, que já havia sido negativa no ano passado, com a perda de US$ 12,417 bilhões, considerando as operações nos mercados comercial e financeiro, tornou-se ainda maior, com perdas agora de US$ 20,630 bilhões – num salto de 66,14%.

Folga mais curta

No acumulado entre janeiro e novembro, o investimento recuou de forma mais modesta, por conta de um desempenho mais positivo nos primeiros meses deste ano. Na comparação entre 2018 e 2019, houve baixa de 1,08%, para US$ 69,111 bilhões (um número ainda relevante), diante de US$ 69,869 bilhões nos mesmos 11 meses do ano passado. Ainda assim, a aceleração no ritmo de queda nos meses mais recentes afetou de forma negativa o dado acumulado em 12 meses. Até maio deste ano, o investimento externo havia atingido US$ 84,491 bilhões, equivalente a 4,53% do Produto Interno Bruto (PIB), mas baixou para US$ 77,405 bilhões (4,21% do PIB) no período de 12 meses encerrado em novembro, em baixa de 8,39%. Mesmo em baixa, o investimento foi 51,3% mais elevado do que o déficit acumulado pelo País nas relações com o restante do mundo. O rombo em transações correntes chegou a US$ 51,163 bilhões nos 12 meses até novembro, crescendo 34,2% frente a novembro de 2018, quando o déficit (igualmente medido em 12 meses) havia sido de US$ 38,121 bilhões. Àquela altura, o investimento estrangeiro havia sido 88,6% maior. Em maio deste ano, seguindo sempre a mesma métrica, o total investido aqui dentro por empresas estrangeiras chegou a superar o rombo externo em 98,9%. A folga vem, portanto, encurtando, embora persista um espaço relevante para financiamento do déficit a partir dos dólares aplicados aqui dentro como investimento.

Balanço

·   Ao longo dos 11 meses iniciais deste ano, a conta de transações correntes (que resume todas as transações realizadas pelo País no exterior, excluídas operações financeiras, onde entram os investimentos externos) acumulou saldo negativo de US$ 45,047 bilhões. Isso significou um aumento de 27,17% frente ao déficit de US$ 35,424 bilhões realizado no mesmo intervalo do ano passado.

·   O crescimento do rombo tem sido sustentado, conforme já destacado neste espaço, pela queda no saldo entre exportações e importações de bens e mercadorias. A diferença entre vendas e compras externas, que havia sido de US$ 47,070 bilhões entre janeiro e novembro do ano passado, encolheu para US$ 34,648 bilhões no mesmo período deste ano, numa queda de 26,39%.

·   Pelo lado positivo, a conta dos serviços (que inclui despesas com fretes, viagens internacionais, pagamento de seguros, royalties pelo uso de tecnologias importadas, serviços financeiros e outros) teve seu déficit reduzido levemente de US$ 32,287 bilhões para US$ 31,585 bilhões (num recuo de 2,18%). A despesa ficou US$ 702,491 milhões mais baixa, portanto.

·   Da mesma forma, o déficit gerado pelas remessas de lucros e dividendos e pelo pagamento de juros lá fora anotou ligeira baixa de 1,62%, saindo de US$ 50,099 bilhões para US$ 49,290 bilhões, correspondendo a US$ 809,580 milhões a menos. Assim, somadas as duas contas, o País deixou de desembolsar no exterior algo como US$ 1,512 bilhão. Não chega a ser um alívio tão relevante quando se considera que o País deixou de receber US$ 12,422 bilhões por conta da redução no superávit comercial (exportações menos importações de bens).

·   A fuga de investimentos em carteira (ou seja, em ações e títulos públicos e privados, emitidos pelo governo e por empresas no Brasil) mais do que triplicou no acumulado entre janeiro e novembro, saltando de US$ 2,031 bilhões em 2018 para US$ 6,575 bilhões neste ano (precisamente, um salto de 223,7%).

·   As reservas internacionais continuam sendo a grande linha de defesa do País contra turbulências externas, somando US$ 366,376 bilhões em novembro deste ano. O BC usou US$ 21,716 bilhões das reservas para enfrentar a alta do dólar no segundo semestre, causando uma redução de 5,6% no estoque de dólares em poder do País (que havia alcançado US$ 388,092 bilhões em junho último).

 

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