18 de janeiro de 2020
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coluna Econômica

Receita com exportação de serviços de engenharia desaba 55% desde 2014

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 18 de janeiro de 2020
Comparada a 1999, a receita com a venda de serviços de arquitetura e de engenharia no exterior chegou a avançar nada menos do que 721%

A exportação de serviços de engenharia exige especialização, qualificação, sofisticação e a montagem, internamente, de empresas altamente preparadas para enfrentar uma guerra praticamente sem limites por espaços num mercado, por sua vez, amplamente dominado por grandes grupos internacionais. Mesmo assim, enfrentando toda a sorte de diversidade, o Brasil havia conseguido multiplicar as vendas externas líquidas de serviços naquela área, já descontadas das importações realizadas no mesmo setor, por cinco vezes entre 2004 e 2014. Mas o desempenho murchou drasticamente nos anos seguintes, no mesmo ritmo de avanço da criminalização de toda e qualquer operação de financiamento de exportações no setor.

As séries estatísticas do Banco Central (BC) confirmam a forte evolução observada no período anterior, indicando a contribuição vigorosa do setor para o balanço de transações correntes (a conta que reúne todas as operações de um país com o restante do mundo, excluídas apenas transações de caráter financeiro, a exemplo de investimentos e aplicações diversas em fundos, títulos privados e públicos e ações). Em 2004, a indústria de engenharia trouxe para o Brasil receitas líquidas de US$ 2,504 bilhões, o que correspondeu, a valores da época, a qualquer coisa próxima a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB), quer dizer, do total e “riquezas” geradas pelas empresas e pelos cidadãos brasileiros então.

Ao final de 2014, aquela contribuição havia saltado para US$ 12,651 bilhões, passando a representar pouco mais de 0,5% do PIB (os valores são aferidos em dólares da época pelo BC e podem não expressar toda a relevância desse tipo de atividade para a economia doméstica diante das oscilações comumente observadas no mercado do dólar). Em valores não ajustados, houve um salto de 405,2% no período. Comparada a 1999, a receita com a venda de serviços de arquitetura e de engenharia no exterior chegou a avançar nada menos do que 721%.

Depois, o desmanche

Os impactos para a economia brasileira foram mais amplos, no entanto. Os números brutos permitem uma visão apenas parcial dos resultados reais, já que a exportação final envolve uma série de empresas e fornecedores aqui dentro, dedicados à produção de máquinas, equipamentos, instrumentos e aparelhos destinados a realização de obras de engenharia pesada fora do País, com elevado valor agregado, níveis mais altos de sofisticação tecnológica, geração de empregos qualificados e melhor remunerados aqui dentro. Essa experiência foi se perdendo ao longo dos anos seguintes, com o desmanche do setor. Nos primeiros 11 meses deste ano, as exportações líquidas de serviços de arquitetura e engenharia somaram US$ 5,209 bilhões, num tombo de 54,97% em relação aos US$ 11,568 bilhões acumulados entre janeiro e novembro de 2014. A contribuição do setor para a conta de transações correntes voltou a níveis próximos a 0,3% do PIB, no pior resultado para o período desde 2006.

Balanço

·   Proporcionalmente ao PIB (feita a ressalva das distorções geradas pelo câmbio sobre o valor nominal do volume total de riquezas que o País produz a cada ano), o setor retornou praticamente à relação observada no final dos anos 1990. As perdas para o conjunto da economia certamente terão sido mais graves, o que exigirá, quando isso for possível, estudos isentos e análises de maior fôlego.

·   De volta ao curtíssimo prazo, horizonte preferido de 9 entre cada dez “estrelas” do “comentarismo” econômico de mercado, a alta da inflação nos últimos dois meses do ano ganhou destaque nas últimas semanas. Mas deve ser lembrado que a taxa decorreu de fatores isolados, que tendem a ser revertidos nas próximas semanas, fazendo a inflação retornar a níveis muito bem-comportados, até porque os fatores que determinaram sua queda nos últimos meses ainda se encontram presentes (a saber, a baixa demanda, a alta ociosidade nas fábricas, o desemprego muito acima da média histórica e a ausência de focos de pressão mais preocupantes no horizonte visível).

·   O Índice Nacional de Preços ao Consumidor-15 (IPCA-15) de dezembro, como se sabe, atingiu 1,05% sob pressão, sobretudo,da alta nos preços das carnes, mas também do salto nos preços dos jogos de azar e do aumento das passagens aéreas (que, muito obviamente, costumam subir em períodos de férias, festas e feriados – muito especialmente nos finais de ano).

·   Os três itens responderam por 67,2% da taxa acumulada entre 12 de novembro e 11 de dezembro deste ano, comparada às quatro semanas imediatamente anteriores, praticamente a mesma contribuição registrada ao longo dos 30 dias de novembro.

·   Os efeitos desses aumentos ainda deverão “contaminar” o índice final de dezembro, elevando a inflação acumulada em 12 meses para algo próximo a 4,0% e ainda abaixo do centro da meta inflacionária.

·   A tendência para as semanas seguintes, no entanto, é de que o índice retome praticamente seu curso “normal”, coma inflação voltando a girar em torno de 3,0% a 3,5% ao ano (para uma meta de 4,0% em 2020).

O Itaú BBA espera que o IPCA de janeiro já recue para 0,24%, com esvaziamento das pressões das carnes (lideradas pela carne bovina) e dos jogos de azar. 

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