18 de janeiro de 2020
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coluna Econômica

A economia mundial sob o domínio de líderes desequilibrados e populistas

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 18 de janeiro de 2020
A decisão do ataque tenha obedecido uma lógica política do que militar voltados para as pressões que a administração Donald Trump tem sofrido internamente.

O ataque dos Estados Unidos para assassinar em solo iraquiano um dos principais líderes militares e políticos do Irã é o mais direto exemplo de como o mundo e toda a economia, por consequência, estão sujeitos a variações de humor e a decisões intempestivas de lideranças mundiais desequilibradas, populistas e autoritárias. A essa altura dos acontecimentos, não se pode descartar a hipótese, mencionada por muitos, de que a decisão do ataque tenha obedecido muito mais a uma lógica política do que militar, com olhos voltados principalmente para as pressões que administração Donald Trump tem sofrido internamente.

Qualquer que tenha sido a motivação, amudança no cenário econômico desenhada momentos antes da virada do ano, sugerindo um ambiente mais favorável, com crescimento para a economia global, acaba de sofrer uma reviravolta a partir do bombardeio no aeroporto de Bagdá, o que fez disparar os preços do dólar, açulando os temores de turbulências crescentes no horizonte de curto prazo.A depender dos desdobramentos da crise entre EUA e Irã e da capacidade de discernimento e moderação dos donos do poder global (uma expectativa movida muito mais pela esperança de algum equilíbrio do que por fatos concretos), o ataque norte-americano tenderá a lançar a economia mundial a novos desafios e a demandar esforços adicionais para preservar as expectativas de algum crescimento em 2020. De qualquer forma, será preciso aguardar com cautela e atenção o que virá daqui para frente como consequência de um agravamento das tensões entre aqueles dois países.

Governos e ministros da área econômica certamente devem se manter alertas, mas a tomada de decisões num momento de extrema incerteza pode não ser o melhor caminho. Por aqui, com o açodamento usual, o ministro dos mercados, seus assessores e a alta direção da Petrobrás já haviam detonado estudos para aumentar os preços dos combustíveis, antes mesmo de se ter clareza sobre como as cotações do petróleo tenderão a se comportar no mercado internacional. Algumas consultorias, com igual rapidez, já estimam que o barril poderá atingir US$ 80 na sequência da morte do general Qassim Suleimani, comandante da divisão de elite da Guarda Revolucionária do Irã.

A pressa e seus riscos

Trata-se, por enquanto, de uma projeção arriscada, ainda que nada indique que não possa ocorrer. Nos primeiros momentos, o preço do barril do petróleo tipo Brent (classificação em geral aplicada ao petróleo extraído do Mar do Norte, no Reino Unido) chegou a saltar US$ 3,40 entre o nível mais baixo alcançado no início da tarde de quinta-feira, dia 2, até o começo da manhã do dia seguinte, saindo de US$ 65,77 para US$ 69,17 (alta de 5,17%). Desde lá, no entanto, o mercado vinha se acomodando, com o preço do barril recuando ligeiramente para US$ 68,62 horas mais tarde, numa redução de 0,8% desde o pico do dia (até ali).Mas em comparação ao dia anterior, vinha se configurando uma elevação de 3,6% (US$ 2,37 por barril a mais, frente a uma cotação média de US$ 66,25 na quinta-feira). Nos últimos 30 dias, tomando a cotação registrada no meio da tarde de ontem,o petróleo acumulava aumento de quase 12,5%, comparado ao preço médio de US$ 60,92 por barril alcançado em 2 de dezembro passado.

Balanço

·   A aparente acomodação ao longo do dia de ontem, evidentemente, pode não ser real, já que movimentos de realização de ganhos no mercado futuro tenderiam a produzir alguma redução após a forte elevação observada durante as rodadas de negociações ocorridas durante a manhã. Mas sugerem, ao menos, a necessidade de lucidez e moderação antes de adotar mexidas nos preços dos combustíveis.

·   Como parece óbvio, os efeitos da turbulência tendem a afetar outros mercados, com destaque para o câmbio, podendo-se antecipar mudanças repentinas de direção nos preços da moeda norte-americana e impactos sobre exportações e importações, com aumento da incerteza e provavelmente alguma desaceleração adicional no comércio mundial de bens, produtos e serviços.

·   Em novembro passado, a Organização Mundial do Comércio (OMC) havia revisado para baixo sua previsão para o crescimento do comércio global de 2,6% para 1,2% (lembrando que a projeção inicial, antecipada no final de 2018, sugeria um avanço de 3,7% no volume das transações comerciais entre todos os países). A projeção para este ano havia sido igualmente rebaixada de 3,0% para 2,7%.

·   A intensidade das revisões esteve relacionada principalmente ao conflito comercial entre Estados Unidos e China, ainda hoje sem uma solução definitiva, oscilando entre os (maus) humores do presidente dos EUA e sua pretensa proximidade com o líder chinês Xi Jinping.

·   Em meio aos riscos nada desprezíveis de agravamento da crise, que pode ser antecipada numa eventual escada das tensões mundiais, o Brasil poderia se beneficiar de alguma forma, graças ao cenário de crescimento da produção doméstica de petróleo e da situação positiva na balança comercial do petróleo (considerando aqui apenas as exportações líquidas de óleo cru).

 Nos primeiros 11 meses de 2019, já descontado o gasto com a importação, o País exportou 325,15 milhões de barris de petróleo, segundo estatísticas da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com uma receita igualmente líquida de US$ 16,844 bilhões, a um preço médio de venda de US$ 51,80 o barril. Caso venha a se consolidar um valor médio ao redor de US$ 60 por barril, as exportações poderiam registrar, em tese, um ganho líquido próximo a US$ 2,91 bilhões. A conta, por óbvio, não inclui o impacto de um desaquecimento na economia e no comércio mundiais e seus reflexos sobre a atividade econômica aqui dentro. 

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