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Rombo na balança comercial da indústria pode ter crescido até 60%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de julho de 2020
Essa variação ocorreu primordialmente em função de uma redução de 3,4% no volume exportado pela indústria de transformação| Foto: Divulgação

A depender dos critérios adotados e da classificação de produtos escolhida, o déficit na balança comercial do setor industrial poderá ter apresentado avanço entre quase 9,0% e pouco mais de 60,0% em 2019, acumulando o terceiro ano consecutivo de piora na diferença entre exportações e importações, segundo a edição deste mês do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).Essa variação ocorreu primordialmente em função de uma redução de 3,4% no volume exportado pela indústria de transformação, na comparação com 2018, e de um avanço de 2,7% nos volumes importados pelo setor, conforme aponta o documento.

A tendência de agravamento do déficit da indústria, aliás, está entre os fatores a sustentar a expectativa do Ibre de nova queda no superávit comercial brasileiro ao longo deste ano (O Hoje, 21/01/2020). O crescimento do déficit comercial da indústria, prossegue o Icomex em sua análise, ocorreu tanto em 2017 quanto em 2018, quando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou limitado a 1,3% em cada um daqueles dois anos. Mais do que isto, lembra ainda o Ibre, a taxa efetiva de câmbio (que considera uma média das cotações das moedas dos principais mercados de destino das exportações brasileiras) registrou desvalorização real em torno de 10% – o que, teoricamente, deveria favorecer as exportações e frear as importações, reduzindo (e não aumentando, como ocorreu) o déficit na balança comercial do setor.

De acordo com o Icomex, “os dados da indústria de transformação mostram que, entre 2017 e 2018, as exportações cresceram 3,9% e as importações 20%, em valor”. Numa ressalva, o instituto relembra que os números das importações estão superestimados em função das operações envolvendo plataformas de petróleo e de mudanças nas normas do Repetro, regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados à exploração de petróleo e gás natural. Com a inclusão das plataformas, as importações da indústria de transformação chegaram a crescer 11,6% entre 2017 e 2018, em volume. Excluídas, o crescimento ainda foi expressivo, na faixa de 6,0%.

Problema estrutural

Qualquer que seja a métrica adotada, no entanto, sobrepõe-se o fato de que as importações avançaram mesmo diante de uma desvalorização do real e com crescimento medíocre do PIB, o que sugere um problema mais estrutural da indústria, resultado da substituição da produção local pela importação de insumos, peças, acessórios e mesmo de produtos acabados. Uma estratégia defensiva adotada pelo setor para sobreviver e enfrentar décadas sucessivas de extrema valorização da moeda brasileira frente a outras moedas. A tendência repetiu-se em 2019, com alta do déficit comercial industrial num cenário de crescimento ainda mais modesto, mas com valorização cambial em torno de 0,3% na comparação com o ano anterior.

Balanço

·   O saldo comercial dos produtos industrializados varia conforme a metodologia e o conjunto de bens escolhidos. Na edição deste mês do Icomex, o Ibre apresenta as séries para a balança comercial entre 2011 e 2019 considerando, primeiramente, a classificação de bens manufaturados adotada pelo País desde os anos 1970. A segunda série segue a classificação da indústria de transformação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao calcular o PIB. E a terceira e última considera a classificação adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em seu International Standard Industrial Classification (Isic), que define uma espécie de padrão internacional para classificação industrial.

·   No primeiro caso, a balança comercial de bens manufaturados, que corresponde à metodologia adotada pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Secex/Mdic), atingiu seu pior resultado na década em 2014, quando o déficit atingiu US$ 109,6 bilhões.

·   Os anos de crise fizeram o déficit cair para US$ 43,7 bilhões em 2016. Nos três anos seguintes, o rombo cresceu até alcançar US$ 74,1 bilhões no ano passado, acumulando alta de 69,6% e avançando 9,0% na passagem de 2018 (quando o déficit havia somado US$ 68,0 bilhões) para 2019.

·   Na classificação do IBGE, adotada igualmente pelo Ibre na confecção das análises incluídas mensalmente no Icomex, o déficit apresentou um salto ligeiramente superior a 60% no ano passado, saindo de US$ 15,6 bilhões em 2018 para US$ 25,0 bilhões, o pior número em cinco anos. Em 2016 e 2017, a indústria de transformação havia anotado superávits de US$ 5,6 bilhões e US$ 6,0 bilhões respectivamente.

·   Aplicando a classificação do Isic, divulgada igualmente pela Secex, o déficit comercial do setor teria aumentado 37,1% entre 2018 e 2019, passando de US$ 22,9 bilhões para US$ 31,4 bilhões. Para comparação, em 2016 e 2017, o setor transitou de um pequeno déficit comercial (próximo a US$ 300,0 milhões) para um modesto superávit (ao redor de US$ 500,0 milhões).

·   A balança comercial do setor de manufaturados (dados da Secex) sofreram piora mais relevante, em Goiás, no terceiro trimestre de 2019. Com queda de 9,2% nas exportações e alta de 7,7% nas importações frente ao mesmo período de 2018, o déficit setorial aumentou 11,0% (de US$ 650,91 milhões para US$ 723,0 milhões).

 

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