25 de fevereiro de 2020
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coluna Econômica

Em volume, PIB do agronegócio recuou 0,49% nos primeiros 10 meses de 2019

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 25 de fevereiro de 2020
Despeito do bom desempenho do setor, influenciado largamente pelo avanço da pecuária bovina PIB do agronegócio apenas levemente positivo no acumulado do ano passado| Foto: Divulgação

Depois de enfrentar queda e resultados destacadamente tímidos ao longo do primeiro semestre do ano passado, a pecuária engrenou marcha mais forte a partir de julho e tende a apresentar em 2019 o melhor desempenho desde 2013, mais do que repondo as perdas de renda observadas no ano imediatamente anterior. A despeito do bom desempenho do setor, influenciado largamente pelo avanço da pecuária bovina (favorecida, por sua vez, pelo salto nas exportações, sob liderança chinesa), o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio apenas levemente positivo no acumulado dos 10 primeiros meses do ano passado, no conceito de renda (que considera as variações de volume e de preço). Medido em volume, no entanto, a contribuição do agronegócio para a formação do PIB total do País continuava negativa.

Apurado em parceria pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), o “PIB renda”, na denominação definida pelo centro, apresentou crescimento de 1,15% na comparação com o acumulado entre janeiro e outubro de 2018. O setor agrícola como um todo sofreu retração de 3,24%, influenciada pelo tombo de 13,79% no segmento primário (da porteira para dentro), enquanto a pecuária registrou alta de 13,09%, depois de encolher 10,91% em 2018 e 6,01% em 2017. Na série histórica do Cepea, o PIB agrícola caiu 5,31% em 2017 (devolvendo quase metade do crescimento de 10,62% anotado em 2016) e havia conseguido reagir em 2018, com elevação de 4,60%.

Ainda “da porteira para dentro”, os resultados da parte agrícola do agronegócio sofreram influência negativa da redução nos preços de produtos importantes, a exemplo do milho (-3,45%), da soja (-7,78%), do algodão (-17,35%), do café (-9,94%) e também da mandioca (-34,84%). A forte retração observada no segmento primário foi parcialmente compensada pelo salto de 9,10% no setor de insumos (defensivos, adubos, fertilizantes e máquinas agrícolas). A agroindústria de base agrícola registrou variação positiva de 0,65%, refletindo avanços nas indústrias de conservas e de etanol, enquanto o setor de serviços associados à agricultura anotou perda de 1,86%.

Imagem invertida

O retrato do setor pecuário mostra quase uma imagem invertida quando comparada àquela capturada pelo Cepea ao avaliar o ramo agrícola do agronegócio. Aqui, o segmento de insumos apresentou o menor incremento no acumulado entre janeiro e outubro do ano passado, com avanço de 3,17% em relação a igual intervalo de 2018.O PIB pecuário no segmento primário, por sua vez, anotou crescimento de 13,94%, com alta de 11,54% para a indústria de base pecuária (com destaque para a produção de carnes de forma geral, impulsionada pelas exportações, que levaram a um salto de 11,6% no faturamento do setor de abate de animais e preparação de carnes e pescado). Os serviços ligados à pecuária registraram o melhor desempenho, num avanço de 14,65%.

Balanço

·  Quando observada a mesma metodologia incorporada ao cálculo do PIB brasileiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que retrata variações de volume na produção, o agronegócio acumulava até outubro uma perda de 0,49% na taxa anual aferida até outubro. Aqui, a contribuição do setor agrícola manteve-se negativa, diante de uma retração de 1,48%, enquanto a pecuária avançou 2,26%.

·   Como o cenário para o setor agrícola não deve ter apresentado mudanças nos últimos dois meses de 2019, em relação ao comportamento observado nos meses anteriores, e levando-se em conta ainda a entressafra na produção, a perspectiva de uma contribuição negativa do agronegócio para o PIB total parecia até ali a mais realista.

·   No caso da pecuária, mesmo diante do crescimento vigoroso das exportações nos últimos meses do ano passado, a produção de gado de corte, por exemplo, não registrava espaços para crescimento. Ao contrário. A falta de animais para abate havia feito os preços da arroba do boi gordo entrar em disparada. O faturamento do setor, medido no conceito renda tradicionalmente adotado pelo Cepea, ainda deverá apresentar crescimento, mas os volumes produzidos não deverão acompanhar esse ritmo.

·   As exportações brasileiras de carnes aumentaram 5,83% no ano passado, saindo de 6,581 milhões para 6,964 milhões de toneladas, das quais em torno de 30,1% foram destinadas à China e Hong Kong, o que se compara a 26,9% em 2018. Na comparação com 2018, os embarques para ambos mercados aumentaram 18,5% (de 1,768 milhão para 2,095 milhões de toneladas). A cada 100 toneladas acrescidas às vendas externas ao longo de 2019, em torno de 85,4 toneladas tiveram aqueles dois mercados como destino.

·   China e Hong Kong responderam ainda por todo o crescimento das exportações brasileiras de carne de frango e por 91,50% do aumento registrado pelas vendas de carne suína. No caso das exportações de carne bovina, a contribuição foi de 58,5%. As vendas de suínos foram destaque, com alta de 29,2%. Na sequência, os embarques de frangos aumentaram 17,3% e de carne bovina mais 16,7%. 

 

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