25 de fevereiro de 2020
GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

coluna Econômica

Preços das carnes iniciam ano com baixa e deixam de pressionar inflação

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 25 de fevereiro de 2020
Matrículas e materiais escolares passam a ser os fatores de principal pressão nos índices de inflação nos primeiros meses do ano - Foto: Divulgação

Acompanhados diariamente pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, os preços das carnes chegam ao final do primeiro mês do ano em forte baixa e deixam o posto de fator central de pressão sobre os índices de inflação, papel que começa a ser exercido, daqui até fevereiro, pelos custos de matrículas e materiais escolares. Entre o final de dezembro e a última quinta-feira, 23, a cotação da arroba do boi gordo no mercado futuro experimentou queda de 7,61%, enquanto, no mercado atacadista, os preços do quilo do frango resfriado recuaram 3,56% e o quilo da carcaça suína desabou 16,35%.

Tomando os valores médios registrados pelo centro de estudos nos primeiros 23 dias de dezembro e de janeiro – medida que faz mais sentido quando se considera que os índices inflacionários resultam da comparação entre os preços médios dos itens pesquisados em períodos determinados –, a arroba bovina havia apresentado redução de 8,78% entre dezembro e janeiro, com recuos de 1,38% e de 3,61% para os preços da carcaça suína e do frango resfriado, respectivamente.

Entre os fatores de pressão esperados para as próximas semanas, o destaque deverá ficar, como sempre ocorre nessa época do ano, para as despesas com educação. Essa alta ainda não foi captada inteiramente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de janeiro, medido entre 12 de dezembro do ano passado e 14 de janeiro deste ano (e comparado com os valores médios apurados nas quatro semanas imediatamente anteriores). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que responde pelo cálculo do IPCA, o grupo educação apresentou variação de 0,23% naquele período, saindo de 0,09% nas quatro semanas terminadas em 15 de dezembro de 2019.

Pesos e contrapesos

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no entanto, apontou alta de 0,95% para o período de 30 dias concluído em 22 de janeiro, diante de recuo de 0,76% nas quatro semanas encerrados no dia 7 deste mês, demonstrando forte evolução. No Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas da USP (Fipe), as despesas com educação na capital paulista avançaram 1,17% até o final da primeira quinzena de janeiro, depois de uma variação quase nula até a terceira quadrissemana de dezembro (ou seja, nas quatro semanas encerradas no dia 20 daquele mês). A desvantagem, no caso, é que as carnes têm um peso de 3,13% no cálculo do IPCA, diante de 4,97% para as despesas com educação. A boa notícia é que os preços dos alimentos, carnes incluídas, tenderão a baixar com a proximidade da safra, aliviando as pressões da alta sazonal dos preços da educação. Nessa composição, segundo espera o Itaú BBA, a inflação medida pelo IPCA tenderá a cair para 0,29% em janeiro (frente ao índice de 0,71% registrado no IPCA-15), retomando o curso “normal” observado nos últimos anos (normal entre aspas porque a inflação tem refletido o cenário de baixo crescimento da renda e da atividade econômica como um todo, numa economia que ainda enfrenta dificuldades de monta para deslanchar).

Balanço

·   A equipe de macroeconomia lembra ainda que a próxima pesquisa do IPCA, referente aos 30 dias de janeiro, já deverá incorporar em seu cálculo os resultados e ponderações da nova pesquisa de orçamentos familiares (POF), que definiu pesos atualizados para cada tipo de despesa.

·   A expectativa é de que a POF tenha efeito baixista sobre preços relativamente mais importantes no orçamento das famílias, levando a uma redução das taxas inflacionárias.

·   No curto prazo, os preços dos combustíveis, sobretudo do etanol, tendem a se tornar outro foco de pressão altista, especialmente por conta da entressafra no setor de cana. Aqui, no entanto, haverá um limite para alta dos preços do etanol representado pelos preços da gasolina, concorrente direto do biocombustível.

·   Neste momento, a despeito da insegurança provocada pelo ataque dos Estados Unidos ao segundo homem na hierarquia iraniana em pleno território do Iraque, nos primeiros dias de 2020, os preços do petróleo recuaram vigorosamente, depois da alta experimentada logo na sequência do atentado norte-americano.

·   O barril do petróleo tipo Brent (classificação em geral aplicada ao petróleo extraído do Mar do Norte, no Reino Unido), que chegou a atingir quase US$ 70,50 na madrugada do dia 6 de janeiro, vinha sendo negociado ontem a menos de US$ 60,80. Desde seu momento de maior elevação, portanto, os preços do barril baixaram 13,8%. Na média diária, o Brent recuou 11,8% desde o último dia 6, quando havia alcançado US$ 68,91.

·   Esse comportamento afasta, por enquanto, as tentações de adotar novas correções para os preços dos derivados de petróleo aqui dentro, lembrando que os níveis atuais no mercado internacional estão muito próximos (senão ligeiramente abaixo) daqueles registrados no começo de dezembro do ano passado e não muito distantes dos US$ 60 registrados no final de janeiro de 2019.

·   As previsões para a inflação ao longo do ano continuam mais do que bem-comportadas e sugerem uma taxa acumulada em 12 meses abaixo do centro da meta inflacionária, fixada neste ano em 4,0%. O Itaú Unibanco, por exemplo, trabalha com a perspectiva de uma inflação de 3,3%. Para alguns economistas menos comprometidos com a ortodoxia dos mercados, haveria espaço até mesmo para novas rodadas de redução dos juros básicos, para alguma coisa abaixo de 4,0% ao ano.

 

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar