25 de fevereiro de 2020
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coluna Econômica

“Investimento” brasileiro em paraísos fiscais cresce 18,6% na relação a 2018

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 25 de fevereiro de 2020
Sem considerar os lucros reinvestidos pelas empresas brasileiras no exterior, os investimentos em participação no capital lá fora baixaram de US$ 14,795 bilhões em 2018 para US$ 11,555 bilhões no ano passado| Foto: Divulgação

Pouco mais de meia década depois de iniciada a operação Lava Jato, as empresas brasileiras voltaram a concentrar seus “investimentos” no exterior em países classificados pelo próprio Banco Central (BC) como paraísos fiscais – ou seja, regiões que isentam ou cobram impostos muito baixos de investidores em geral, asseguram alguma forma de sigilo nas transações bancárias e facilitam operações muito pouco ou nada ortodoxas, sob o ponto de vista do ordenamento fiscal e jurídico em vigor nas demais regiões do globo. No ano passado, embora as saídas de dólares supostamente destinados a investimentos brasileiros no exterior em participação de capital (compra de ações de empresas instaladas lá fora) tenham sofrido queda de 21,9%, as operações brasileiras em paraísos fiscais aumentaram 18,6%.

Sem considerar os lucros reinvestidos pelas empresas brasileiras no exterior, os investimentos em participação no capital lá fora baixaram de US$ 14,795 bilhões em 2018 para US$ 11,555 bilhões no ano passado. Mas os dólares investidos com o mesmo propósito em paraísos fiscais (como Cayman, Bahamas, Ilhas Virgens Britânicas, Luxemburgo, Panamá e outros) avançaram de US$ 5,325 bilhões para US$ 6,317 bilhões. Se em 2018 a participação dos paraísos fiscais havia ficado restrita a menos de 36% dessa modalidade de operação, em 2019 a fatia aumentou para 54,7%.

Desta vez, as Bermudas foram o “paraíso” preferido das empresas brasileiras e destino de quase 27% de todo aquele investimento no ano passado. O dinheiro aplicado na vasta e próspera economia daquela região do Caribe mais do que triplicou, saindo de US$ 467,754 milhões para US$ 1,670 bilhão, num salto de 263,4%. A Lava Jato pode ter inibido alguns, mas os dados do BC mostram que pelo menos uma parte do empresariado não esqueceu o caminho para o paraíso.

Liquidação

Os dados do BC mostraram, igualmente, que o investimento estrangeiro direto no Brasil se manteve praticamente estável no ano passado, somando US$ 78,559 bilhões (com leve avanço de 0,51% sobre 2018). Mas os ingressos brutos (sem considerar a saída de dólares na mesma modalidade de operação) de investimentos de estrangeiros na compra parcial ou integral de empresas instaladas no Brasil (participação no capital) cresceram em torno de 6,0% no ano passado, evoluindo de US$ 46,165 bilhões para US$ 48,951 bilhões. O grosso dos ingressos destinou-se, no entanto, à compra de ativos da Petrobrás no segmento de extração de petróleo e concessões de campos petrolíferos leiloados pelo governo. O investimento em participações no setor de petróleo e gás saltou 89,1% no ano passado, somando US$ 9,907 bilhões diante de US$ 5,240 bilhões em 2018. O investimento na indústria em geral desabou 41,04% na mesma comparação, despencando de US$ 16,835 bilhões para US$ 9,927 bilhões (ou seja, US$ 6,908 bilhões a menos).

Balanço

·   A queda do investimento no setor industrial foi liderada pelas montadoras de veículos, que reduziram suas compras de participação em 44,6% no ano passado, para pouco menos de US$ 2,502 bilhões, saindo de US$ 4,518 bilhões em 2018 (US$ 2,016 bilhões a menos).

·   A indústria de produtos químicos recebeu investimentos de US$ 912,225 milhões nos 12 meses de 2019, o que se compara com quase US$ 2,365 bilhões em 2018 – um tombo de 61,42% entre os dois períodos (quer dizer, US$ 1,452 bilhão a menos).

·   Já o setor de celulose, papel e produtos de papel anotou retração de 37,36% nos investimentos recebidos, que encolheram de US$ 2,0 bilhões para US$ 1,253 bilhão, em números aproximados (US$ 747,37 milhões a menos).

·   Somados, os três setores responderam por quase dois terços da redução total dos investimentos brutos realizados por estrangeiros no conjunto da indústria. A retração suplantou o ganho anotado pelo setor de extração mineral, que teve investimentos reforçados em 53,6% (de US$ 8,544 bilhões para US$ 13,123 bilhões), destacadamente por conta da alta no segmento de extração de petróleo e gás natural.

·   O setor de serviços compensou as perdas e ajudou a engordar a conta, no entanto, já que o investimento ali cresceu praticamente 25% no ano passado, atingindo US$ 25,708 bilhões e respondendo por 52,5% de todos os dólares que ingressaram no País a título de participação no capital. Houve um aumento equivalente a US$ 5,118 bilhões na comparação com os US$ 20,590 bilhões investidos em serviços nos 12 meses de 2018.

·   Praticamente metade desse ganho veio do segmento de serviços de eletricidade, onde o investimento quase dobrou ao passar de US$ 2,495 bilhões para US$ 4,984 bilhões (alta de 99,76% ou US$ 2,489 bilhões a mais). Em torno de 40% desses recursos vieram do Reino Unido, que investiu US$ 1,999 bilhão em serviços de eletricidade no Brasil, pouco mais de 12 vezes o total investido em 2018 (US$ 152,083 milhões).

·   Ainda no mesmo setor, os serviços de transportes, ainda envolto em polêmica por conta do tabelamento do frete, conseguiu atrair investimentos de US$ 2,824 bilhões, frente a US$ 1,056 bilhão em 2018, refletindo uma alta de 167,4%.

·   Excluído os negócios de compra e venda de veículos, o comércio recebeu injeção de US$ 4,246 bilhões, perto de 34,3% a mais do que em 2018 (US$ 3,162 bilhões).

 

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