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Crédito aponta alta do investimento no campo, mas venda de máquinas desaba

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de julho de 2020
Valores contratados nas linhas de investimento subiram de R$ 23,966 bilhões entre julho e dezembro de 2018 para R$ 28,456 bilhões no segundo semestre do ano passado| Foto: Divulgação

Na primeira metade do ano agrícola 2019/20, iniciado em julho do ano passado, as contratações de crédito para financiar investimentos no campo experimentaram crescimento expressivo em relação aos seis primeiros meses do ciclo 2018/19, mas esse desempenho não se refletiu em aumento nas vendas de máquinas agrícolas. Pelo contrário, as vendas, nas estatísticas da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), registram baixa de 14,0% na comparação entre o segundo semestre de 2019 e igual período de 2018, com tombo ainda mais intenso no segmento de tratores de roda.

Aparentemente, o dinheiro do crédito rural na modalidade de investimento teria sido destinado a outros projetos, envolvendo instalação, modernização e reforma de armazéns e silos, por exemplo, compra de insumos que poderão ajudar a melhorar a produtividade, renovação de pastos e investimentos em sistemas de integração, que permitem igualmente melhoria no rendimento das culturas, associada a boas práticas ambientais, entre outros projetos.

No geral, os valores contratados nas linhas de investimento subiram de R$ 23,966 bilhões entre julho e dezembro de 2018 para R$ 28,456 bilhões no segundo semestre do ano passado, numa elevação de 18,7%, conforme relatório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O crédito contratado na mesma modalidade por médios produtores rurais, enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), apresentou salto de 40,3% na mesma comparação, saindo de R$ 976,0 milhões para R$ 1,457 bilhão. Nas linhas de investimento destinadas à agricultura familiar, o crescimento foi de 23,2% entre o segundo semestre de 2018 e igual intervalo do ano passado, com o valor dos financiamentos avançando de R$ 6,628 bilhões para R$ 8,167 bilhões, passando a representar 63% dos recursos programados para toda a safra neste segmento (R$ 12,927 bilhões).

O peso dos grandes

As demais categorias, envolvendo em geral produtores de grande porte e empresas rurais, o avanço foi mais modesto, mas a contribuição para o crescimento do crédito total para investimentos mais robusta. Com participação de 66,2% nos financiamentos (abaixo dos 68,3% registrados em 2018), os grandes produtores contrataram R$ 18,831 bilhões para financiar seus investimentos, diante de R$ 16,362 bilhões entre julho e dezembro de 2018, num incremento de 15,1%. Como os valores são maiores, a contribuição do segmento para o avanço geral do crédito aproximou-se de 55,0%. Houve, como se percebe, alguma desconcentração na divisão do crédito para investimento. Ainda assim os maiores produtores ainda concentram dois terços dos recursos. 

Balanço

·   Os empréstimos contratados por meio do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) anotaram crescimento de 42,0%, mas os valores envolvidos são, comparativamente, mais reduzidos. Nos seis meses iniciais da safra atual, as contratações somaram R$ 888,0 milhões, frente a R$ 625,0 milhões em 2018.

·   Dentro do Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), os valores contratados cresceram também 42,0%, saindo de R$ 1,217 bilhão para R$ 1,726 bilhão.

·   No caso do Inovagro, programa destinado a financiar a incorporação de inovações tecnológicas e a melhoria da gestão no campo, com adoção de boas práticas agrícolas, os recursos liberados pelo crédito rural aumentaram em torno de 61,0% no período analisado, saltando de R$ 670,0 milhões para R$ 1,081 bilhão.

·   Em 2018, entre julho e dezembro, as contratações representaram 59% dos valores programados para toda a safra passada (R$ 1,141 bilhão). Na primeira metade da safra 2019/20, o crédito liberado correspondeu a 72,0% do previsto (R$ 1,50 bilhão).

·   Sob enxugamento forçado pelo ultraliberalismo da equipe econômica, os recursos reservados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Inovagro já haviam se esgotado no final do ano passado.

·   Na contramão, o crédito disponível no programa Moderfrota, destinado à modernização e renovação do parque de máquinas agrícolas no País, encolheu 11,5%, com os valores contratados murchando de R$ 4,974 bilhões para R$ 4,404 bilhões. Em relação aos valores programados, que chegaram a subir 12,2% entre as safras 2018/19 e 2019/20 (de R$ 8,639 bilhões para R$ 9,690 bilhões), forma liberados 45% do crédito destinado ao programa no segundo semestre do ano passado, diante de 58% no mesmo período de 2018.

·   Não chega a surpreender, portanto, que as estatísticas da Anfavea tenham apontado retração nas vendas de máquinas agrícolas, que recuaram de 27.868 para 23.959 unidades entre o segundo semestre de 2018 e igual período de 2019. As vendas de tratores de roda baixaram 19,9% (de 22.372 para 17.920 unidades), com redução de 16,3% nas vendas de colheitadeiras de grãos (de 3.659 para 3.058 máquinas). Em Goiás, tomando os mesmos períodos, as vendas de tratores sofreram redução de 7,5% (de 1.202 para 1.112 unidades). No mercado de colheitadeiras, o tombo foi de 20,1%, com 226 máquinas vendidas (diante de 283 nos seis meses finais de 2018).

 

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