07 de abril de 2020
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coluna Econômica

Pecuária eleva produção de carne por hectare de pastagem em 159%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 07 de abril de 2020
Números dizem respeito à média do setor, que inclui desde empresários conscientes e ainda pecuaristas menos idôneos e confiáveis| Foto: Divulgação

A pecuária brasileira continua a acumular ganhos de produtividade ao longo do tempo, demonstrando avanços no peso médio dos animais abatidos e ainda na produção média de carne por hectare. As mudanças decorrem predominantemente da adoção de técnicas mais aprimoradas de manejo, investimentos em tecnologia, com aplicação de pacotes tecnológicos mais intensivos, melhoras nos sistemas de nutrição e, mais recentemente, da ampliação dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Os números dizem respeito à média do setor, que inclui desde empresários conscientes, que se preocupam genuinamente com a sustentabilidade e perpetuação de seu negócio, e ainda pecuaristas menos idôneos e confiáveis, que ainda acreditam em sistemas de criação ultrapassados e ambientalmente nocivos. Os registros oficiais, de toda maneira, deixam nítidos os avanços já realizados e mostram que ainda há espaço para ganhos adicionais, que poderão contribuir para mitigar o impacto ambiental da atividade e assegurar margens de rentabilidade mais generosas.

Os dados preliminares da pesquisa trimestral de abate animal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), num exemplo, mostram que o setor abateu 32,398 milhões de bovinos no ano passado, entre bois, vacas, novilhas e novilhos. Houve um modesto avanço de 1,11% em relação às 32,043 milhões de cabeças abatidas em 2018, mas a produção de carne parece ter avançado 2,6%, já que o peso total das carcaças abatidas cresceu de quase 7,990 milhões para 8,197 milhões de toneladas. O incremento é explicado também pela alta no peso médio dos animais levados a abate, que passou de 253 para 259 quilos, aproximando-se de 17,3 arrobas.

Ganho de peso

Num horizonte mais longo, comparando com 2009, o total de abates aumentou 15,45%, enquanto a produção de carne (peso total das carcaças) experimentou alta de 23,1%. Naquele ano, o abate de 28,063 milhões de animais gerou um peso total de 6,662 milhões de toneladas, correspondendo a uma média de 15,83 arrobas por animal. O peso médio por cabeça registrou elevação de 6,58%. Em grandes números, os ganhos de produtividade responderam por praticamente um terço do crescimento da produção de carne bovina naqueles 11 anos. O censo agropecuário de 2017, que teve seus dados divulgados recentemente pelo IBGE, sugere tendências semelhantes e ganhos ainda mais expressivos.

Balanço

·   Nas duas décadas encerradas em 2017, a área total de pastagens naturais e cultivadas encolheu pouco mais de 10%, passando dos 177,70 milhões de hectares indicados pelo censo agropecuário de 1996 para qualquer coisa ao redor 159,50 milhões de hectares. A redução foi mais intensa no tamanho dos pastos naturais, que encolheu de 78,05 milhões para 47,32 milhões de hectares até a medição mais recente, realizada em 2017, numa queda de 39,4%.

·   Naquele intervalo, não ocorreu exatamente uma substituição de pastos naturais por pastagens cultivadas, já que estas apresentaram crescimento de 12,6% (saindo de 99,65 milhões para 112,17 milhões de hectares). O resultado final, como visto, foi um encolhimento dos pastos.

·   Isso não evitou que a intensificação nos sistemas de criação e novas técnicas mais modernas tornassem possível um aumento do rebanho bovino, que cresceu de 153,06 para 172,72 milhões de cabeças (embora esse número tenha sofrido algum recuo na comparação com o censo de 2006).

·   O rebanho aumentou 12,8% em 20 anos, mas a produção de carne (novamente medida com base no peso total das carcaças) registrou salto de 130,3% ao avançar de 3,335 milhões para 7,682 milhões de toneladas. Essa evolução fez com que a produção de carne por hectare de pastagem experimentasse um salto de 158,8% entre 1997 e 2017, avançando de 18,6 para 48,2 quilos.

·   Para comparação, mantida a produtividade do final dos anos 1990, o Brasil precisaria ocupar uma área de pasto duas vezes e meia maior para alcançar a mesma produção realizada em 2017. Poupou-se terra, foi possível evitar emissões e a derrubada de florestas (mas obviamente não freou o desmatamento e as queimadas).

·   Por isso, há muito a avançar ainda. A taxa de ocupação nas pastagens ainda é muito baixa, inferior a duas cabeças por hectare. E as áreas de pecuária que adotam sistemas de integração com grãos e matas ainda são proporcionalmente tímidas, muito embora seu impacto deva ser levado em consideração.

·   Pesquisas recentes conduzidas pela Embrapa Cerrados sustentam que a destinação de apenas 15% das áreas de produção para sistemas de integração (lavoura-pecuária-floresta) já seria suficiente para compensar com sobras todas as emissões de gases formadores do efeito estufa em toda a propriedade, deixando ainda um saldo positivo de carbono na fazenda.

 

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