29 de maio de 2020
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coluna Econômica

Com tombo nas importações, saldo comercial salta 34,6% em Goiás

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 29 de maio de 2020
Exportações avançaram a um ritmo de 6,47%, crescendo de US$ 574,674 milhões para 611,875 milhões enquanto as importações desabaram 25,51%| Foto: Divulgação

A ajuda chinesa e a queda vigorosa nas importações contribuíram para que o saldo entre exportações e importações no Estado registrasse um salto de 34,57% em abril deste ano, subindo de US$ 305,898 milhões em igual mês de 2019 para US$ 411,651 milhões. As exportações avançaram a um ritmo de 6,47%, crescendo de US$ 574,674 milhões para 611,875 milhões (21,4% abaixo dos US$ 778,518 milhões exportados em março), enquanto as importações desabaram 25,51%, de US$ 268,776 milhões para US$ 200,224 milhões (o nível mais baixo no ano até o momento), refletindo a redução da demanda em geral desde a eclosão da cornonavírus.

A contribuição da China foi decisiva para que a balança comercial do Estado tivesse desempenho superior à média do restante do País, agravando, no entanto, a dependência do setor externo da economia estadual em relação ao mercado chinês. As vendas goianas para aquele país aumentaram 33,4% em abril, atingindo US$ 323,740 milhões em relação a US$ 242,744 milhões em igual mês do ano passado, elevando a participação chinesa nas exportações de 42,24% para 52,91%. Excluído o país oriental, as vendas do Estado para o restante do mundo sofreram baixa de 13,2% no mês passado, recuando de US$ 331,930 milhões para US$ 288,135 milhões.

Como as importações goianas de produtos chineses mantiveram-se virtualmente estagnadas entre abril do ano passado e o mesmo mês deste ano, na faixa de US$ 31,0 milhões, o superávit em favor de Goiás experimentou salto de 38,4%, avançando de US$ 211,492 milhões para US$ 292,712 milhões. Vale dizer, a China respondeu por praticamente US$ 71,11 a cada US$ 100 do superávit realizado pela balança comercial goiana naquele mês. A participação em abril de 2019 havia sido igualmente elevada, próxima a 69,1%.

Novamente excluída a China, as compras goianas de outras nações sofreram retração de 28,77%, caindo de US$ 237,524 milhões para US$ 169,196 milhões. Esse comportamento muito negativo das importações contribuiu, de qualquer forma, para elevar o saldo comercial de Goiás com o resto do mundo (chineses excluídos, apenas para reforçar) de US$ 94,406 milhões para US$ 118,939 milhões, em alta de praticamente 26,0%.

Dependência chinesa

A dependência em relação aos chineses torna-se ainda mais evidente nos resultados acumulados entre janeiro e abril pela balança comercial de Goiás. As exportações realizadas a partir do Estado registraram variação acumulada de 1,30%, avançando de US$ 2,179 bilhões para US$ 2,207 milhões, em valores aproximados. Em todo o País, apenas para relembrar, as vendas externas sofreram baixa de 3,70%. Pouco mais da metade das vendas externas goianas tiveram a China e Hong Kong como destino (exatamente 50,73%), diante de 46,42% nos primeiros quatro meses de 2019. As importações totais do Estado sofreram baixa de 6,89%, passando de US$ 1,145 bilhão para US$ 1,066 bilhão, o que permitiu um aumento de 10,37% no saldo comercial, que avançou de US$ 1,033 bilhão para US$ 1,140 bilhão. A participação dos chineses no saldo (sem considerar a região de Hong Kong) elevou-se de 77,81% em 2019 para 82,80% em igual período deste ano. Qualquer alteração nos fluxos de comércio entre Goiás e a China, portanto, afetaria profundamente os resultados da balança comercial goiana.

Balanço

·   Neste momento de retração do comércio global, a estratégia de diversificação de mercados como forma de evitar concentração excessiva no comércio exterior dificilmente poderá ser aplicada, o que pode ser um fator de complicações mais à frente. Um acirramento das tensões entre os Estados Unidos e a China, a esta altura, pode favorecer as exportações do Estado, claro, na hipótese de as agressões gratuitamente direcionadas aos chineses pelo governo brasileiro não sofrerem nova escalada.

·   No acumulado entre janeiro e abril, o aumento das exportações goianas foi movido principalmente pelo avanço das vendas de soja em grão, que saíram de US$ 763,886 milhões em 2019 para US$ 814,482 milhões, em alta de 6,62%. O mercado chinês respondeu por quase 90% dos valores exportados por tradings, indústrias e produtores de soja (mais precisamente 89,85%) e participação muito próxima nos volumes embarcados (89,76% do total).

·   Em números, as exportações de soja em grão para a China cresceram 8,35% em valor e 12,1% em volume, passando, respectivamente, de US$ 675,469 milhões para US$ 731,849 milhões e de 1,898 milhão para 2,128 milhões de toneladas. O volume total do grão exportado a partir de Goiás cresceu 10,4%, de 2,147 milhões para 2,370 milhões de toneladas. Sozinha, a soja respondeu por 36,91% das exportações totais do Estado, diante de 35,06% no primeiro quadrimestre de 2019.

·   Descontada a soja em grão, as vendas externas realizadas pelos demais setores da economia goiana encolheram 1,58% no quadrimestre, baixando de US$ 1,415 bilhão para US$ 1,392 bilhão. Os destaques negativos ficaram por conta do farelo de soja, com redução de 36,6% nas receitas de exportação (de US$ 731,712 milhões para US$ 516,745 milhões), e do ouro, que sofreu tombo de 55,3% (de US$ 172,646 milhões para US$ 77,161 milhões).

·   No lado positivo, as vendas de carnes de aves e carne bovina congelada subiram 132,9% e 4,2%, avançando, respectivamente de US$ 48,469 milhões para US$ 112,889 milhões e de US$ 249,118 milhões para US$ 259,531 milhões. As exportações de carne bovina congelada para China e Hong Kong cresceram 38,3% em valor (de US$ 132,023 milhões para US$ 182,636 milhões, representando 81,7% do total, diante de 79,85% em 2019).

·   A queda das importações foi influenciada principalmente pela retração de 24,2% e de 22,8% nas compras de adubos e de veículos, suas partes e acessórios, pela ordem. As compras de caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos despencaram 36,9%.

·   Em contrapartida, registrou-se alta de 20,7% nas compras de produtos farmacêuticos (saindo de US$ 320,757 milhões para US$ 387,140 milhões).

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