29 de maio de 2020
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coluna Econômica

Mesmo com alta do dólar, lucro líquido da Saneago salta 38,8% no trimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 29 de maio de 2020
Entre janeiro e março deste ano, a linha final da conta de resultados apontou um ganho de R$ 58,519 milhões, diante de R$ 42,160 milhões em trimestre idêntico de 2019| Foto: Divulgação

A escalada do dólar nos três meses iniciais deste ano, na comparação com igual trimestre de 2019, provocou um salto de 139,7% nas despesas financeiras líquidas da Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) e atingiu diretamente o resultado líquido da estatal. Ainda assim, a companhia conseguiu elevar o lucro em 38,8% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, refletindo uma combinação de crescimento das receitas líquidas e redução no custo dos serviços prestados.

Entre janeiro e março deste ano, a linha final da conta de resultados apontou um ganho de R$ 58,519 milhões, diante de R$ 42,160 milhões em trimestre idêntico de 2019, num acréscimo de R$ 16,359 milhões.Segundo comunica a empresa no relatório da administração que acompanha o balanço, o aumento do lucro está relacionado ao crescimento de 10,38% registrado pelo faturamento líquido, que saiu de R$ 514,215 milhões para R$ 567,599 milhões, antes da pandemia, portanto. Os custos dos serviços encolheram 12,29% na mesma comparação, saindo de R$ 288,898 milhões para R$ 253,399 milhões.

Ainda na mesma rubrica, a redução mais relevante deu-se na conta dos serviços de terceiros, que despencou 41,12% entre os dois trimestres analisados, encolhendo de R$ 26,263 milhões para R$ 15,464 milhões (menos R$ 10,799 milhões). Uma parte dessa redução, na verdade, decorreu de fatores contábeis, relacionados a uma mudança na forma de contabilização de contratos de leasing, que passaram a ser classificados no ativo da companhia, com lançamento de valor idêntico no passivo, deixando de ser considerados na conta de custo dos serviços prestados. A alteração representou um impacto de R$ 2,50 milhões, representando 23,2% da queda registrada naquela conta.

Os gastos com energia elétrica, ainda na mesma classificação, foram reduzidos em 5,57%, de R$ 53,058 milhões para R$ 50,103 milhões. Conforme a concessionária, o menor desembolso nesta área refletiu a redução média de 5,08% na tarifa de energia elétrica aplicada em 2019 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos valores cobrados pela Enel Goiás Distribuição.

Mais de um terço sem esgoto

Na avaliação da Saneago, o avanço experimentado pela receita líquida no primeiro trimestre deste ano deve ser atribuído à elevação de 8,71% nas receitas de venda de água e ainda à alta de 8,5% nas receitas com a prestação de serviços de coleta e tratamento de esgoto, registrando-se ainda incremento no número de novas ligações de água (mais 2,7%) e de esgoto (mais 6,9%). Como fator adicional, a companhia lembra que a tarifa média do serviço havia sido reajustada em 5,79% em julho do ano passado. A população atendida pelas redes de água e esgoto aumentou 1,52% no primeiro caso, para 5,761 milhões de pessoas, e 6,42% no segundo, atingindo 3,763 milhões. Os índices de cobertura subiram de 97,01% para 97,20% no primeiro caso e de 60,45% para 63,50% no segundo (o que indica um percentual ainda elevado de pessoas sem acesso à rede de esgoto, correspondente a 36,5% da população no Estado).

Balanço

·   O investimento total realizado pela companhia apresentou avanço de 13,05% no trimestre, crescendo de R$ 38,325 milhões para R$ 43,328 milhões. Esse aumento foi puxado pelo salto de 39,86% nos investimentos em esgoto, que saíram de R$ 16,184 milhões (42,23% do total) para R$ 22,635 milhões, passando a concentrar 52,24% do total.

·   Na rede de água, os valores investidos pela empresa praticamente não sofreram alteração, variando de R$ 18,021 milhões para R$ 18,059 milhões (0,21% a mais, em termos nominais). Os demais investimentos, incluindo aquisição veículos, computadores, softwares, outros bens não destinados aos sistemas de água e esgoto e construções na área administrativa, desabaram 36,07%, baixando de R$ 4,120 milhões para R$ 2,634 milhões.

·   A geração operacional de caixa, medida pelo resultado antes de impostos, gastos financeiros, depreciação e amortizações (Ebitda), sem ajustes, avançou 3,69% entre o primeiro trimestre deste ano e o mesmo intervalo de 2019, passando de R$ 130,124 milhões para R$ 134,926 milhões, passando a representar 23,66% da receita líquida (25,17% no mesmo período do ano passado).

·   Considerando valores ajustados (descontadas provisões, reversões de provisões e recuperação de créditos contábeis sem efeito sobre o caixa da companhia), o Ebtida saiu de R$ 141,058 milhões (27,28% sobre a receita líquida do primeiro trimestre de 2019) para R$ 171,273 milhões (23,66%), em alta de 21,42%.

·   Os recursos disponíveis no caixa da empresa (ou equivalentes de caixa, como aplicações financeiras) sofreram redução de R$ 52,869 milhões desde dezembro de 2019, saindo de R$ 169,607 milhõespara R$ 116,738 milhões no fechamento do primeiro trimestre deste ano, em baixa de 31,17%.

·   O resultado líquido poderia ter crescido mais não fosse o aumento vigoroso nas despesas financeiras líquidas. A desvalorização do real frente ao dólar ajudou a turbinar essas despesas, já que a variação cambial representou 45,87% do gasto financeiro bruto diante de apenas 1,9% no ano passado. A conta da variação cambial aumentou pouco mais de 44 vezes, saltando de R$ 545,0 milhões para R$ 24,086 milhões. Entre o final de março de 2019 e o mesmo período deste ano, o dólar havia experimentado alta média de 33,4%.

·   Esse incremento explica praticamente todo o aumento na despesa financeira bruta, que cresceu 80,8% (para R$ 52,513 milhões). As receitas financeiras aumentaram em ritmo mais modesto, avançando 21,9% (para R$ 17,698 milhões).

 

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