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coluna Econômica

Preços em queda ou estagnados refletem economia ainda anêmica

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 12 de julho de 2020
Equipe econômica é incompetente no gerenciamento dos recursos necessários para socorrer as famílias mais vulneráveis e as empresas de menor porte - Foto: Reprodução

O ritmo dos preços em geral neste momento retrata uma economia anêmica, em plena recessão, motivada desta vez, como já se sabe, por uma crise sanitária de proporções inéditas para as gerações atuais e exacerbada pela já habitual incompetência da equipe econômica no gerenciamento dos recursos necessários para socorrer as famílias mais vulneráveis e as empresas de menor porte. Os índices de inflação fecharam negativos em maio e iniciavam junho numa cadência semelhante, sugerindo mais um mês de deflação ou de preços estagnados. O fenômeno, como também se sabe, não é uma exclusividade brasileira. Ao contrário, espalha-se entre todas as economias mundiais (ou quase todas).

Nos Estados Unidos, referência nesses tempos de diplomacia avacalhada pelo alinhamento automático aos “irmãos do Norte”, sem a reciprocidade esperada, o índice de preços ao consumidor (ou CPI, na sigla em inglês) caiu 0,1% em maio, na comparação com abril, quando a deflação (queda dos preços) havia sido de 0,8%. Como destaca a equipe de analistas do Banco Fator, a taxa em março foi igualmente negativa, com baixa de 0,4%. A inflação acumulada em 12 meses até maio deste ano praticamente não se moveu, gerando uma variação de 0,1%.

As previsões mais recentes para atividade econômica no Brasil e no mundo carregam nas tintas negativas. No começo da semana, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) adiantou sua nova projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, embutindo uma retração de 6,0% ao longo do ano, pressupondo a reabertura da economia a partir de junho e desconsiderando riscos de uma “segunda onda” nos casos de contaminação e das mortes.

Encolhimento geral

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), espécie de “clube” dos países mais ricos, em contraposição, construiu seu modelo para estimar o PIB global levando em consideração o risco de uma “segunda onda” gerada pela flexibilização das medidas de isolamento ou de afastamento social. A conta considera um tombo de 6,0% para a economia em todo o planeta, se os efeitos da crise sanitária forem contidos nos níveis atuais. Em caso de uma recaída, o PIB poderia encolher qualquer coisa em torno de 7,6% neste ano. Detalhe: não haverá país que conseguirá escapar de uma recessão neste ano. A queda no Brasil, em qualquer das hipóteses, seria mais severa, com a OCDE estimando perdas entre 7,4%, numa hipótese “otimista”, e 9,1% em caso de um segundo e nada improvável surto do Sars-CoV-2. O Banco Mundial, que espera retração global de 5,2%, estima queda de 8,0% para o PIB brasileiro.

Balanço

·   Analistas e alguns institutos de pesquisa e acompanhamento econômico começam a “pescar” aqui e ali dados que parecem sugerir uma retomada já em plena pandemia, depois dos resultados desastrosos observados em abril e em parte de maio. Esses indícios deveriam ser tratados com cautela, considerando exatamente o tamanho do retrocesso colhido nas últimas semanas.

·   Sinteticamente, a economia havia paralisado quase que totalmente a partir da segunda metade de março, até por conta das incertezas enormes em relação ao vírus (e que não foram debeladas completamente). A partir de meados de abril, em alguns casos, e nas semanas seguintes, à medida em que governos foram autorizando a liberação de alguns setores e mesmo com a chegada (ainda muito limitada) de recursos para socorrer os mais pobres, alguma atividade chegou a ser “retomada”.

·   Mas os níveis dessa suposta “retomada” são não apenas incipientes, mas sobretudo incertos e insuficientes para autorizar análises muito mais animadas sobre o futuro imediato da atividade econômica, que permanece muito abaixo dos níveis (já debilitados) de 2019.

·   Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponto deflação de 0,38%. Foi a menor taxa para o mês desde 1980, quatro décadas atrás. Sim, a tendência de curto prazo mostra alguma aceleração dos preços, já que o IPCA contabilizado nas quatro semanas até 15 de maio a variação havia sido de -0,59%.

·   O movimento reflete a menor deflação dos combustíveis (o que deve perdurar ao longo deste mês, diante dos reajustes já autorizados pela Petrobrás) e aumentos de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. No primeiro caso, o custo do grupo transporte havia caído 3,15% nos 30 dias até a primeira quinzena de maio e passaram a apontar baixa de 1,90% nas quatro semanas do mês passado.

·   No segundo, os preços dos artigos de residência, que haviam caído 1,37% em abril, subiram 0,45% até a segunda semana de maio (ou seja, alta de 1,82 pontos de porcentagem) e, nas quatro semanas do mesmo mês, passaram a indicam elevação de 0,58%. Numa outra leitura, portanto, o ritmo de alta arrefeceu-se nas duas semanas finais de maio, embora a taxa de variação tenha sido maior. Mais claramente, depois de subir 1,82 pontos em duas semanas, nas duas semanas seguintes o índice do setor avançou 0,13 ponto de porcentagem.

·   Para junho, o Índice de Preço ao Consumidor Semanal (IPC-S), aferido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), fechou o período de 30 dias até o dia 7 (domingo passado) num recuo de 0,36%. Nos 30 dias finalizados em 31 de maio, a queda havia sido de 0,54%. A inflação paulistana, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP), ficou zerada na primeira quadrissemana de junho.

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