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coluna Econômica

Governo Federal “sabota” próprias decisões e leva trabalhadores de volta às ruas

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 12 de julho de 2020
Desemprego cresceu com número de pessoas a procura de algum emprego, numa tentativa de assegurar a subsistência em meio à pandemia - Foto: Reprodução.

Lauro Veiga 

Na última semana de maio, as empresas virtualmente interromperam as contratações, depois de certa expansão no total de ocupados nas semanas anteriores, especialmente no mercado formal – tendência igualmente revertida no final do mês passado. Como cresceu o número de pessoas a procura de algum emprego, numa tentativa de assegurar a subsistência em meio à pandemia, o desemprego experimentou um salto e cresceu igualmente a informalidade, ainda que em velocidade menos intensa. A desocupação efetiva, no entanto, continua camuflada pelo número ainda elevado de pessoas que não procuraram trabalho – seja por conta das medidas de afastamento social, seja por falta de opções de emprego em sua região –, mas gostariam de estar trabalhando.

Esses e outros dados sobre o mercado de trabalho no País, divulgados ontem, passaram a ser acompanhados semanalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Covid-19). O instituto faz questão de destacar que esses números, por seguirem metodologia específica, não se comparam com aqueles aferidos pela PNAD Contínua, mas sugerem tendências para o emprego, o desemprego e a informalidade durante a crise sanitária.

Os resultados apontam assim uma tendência já esperada de crescimento da desocupação à medida que os trabalhadores voltam a buscar uma colocação no mercado depois das primeiras semanas de isolamento. O comportamento pode ser percebido com maior nitidez quando se avaliam alguns indicadores, como por exemplo, o total de pessoas incluídas na força de trabalho (que soma pessoas ocupadas e desocupadas, mas que tentaram conseguir algum tipo de colocação na semana da pesquisa). Até a primeira semana de maio, perto de 93,761 milhões de pessoas encontravam-se ocupados ou sem emprego, número que aumentou para 95,307 milhões no final do mês. A variação, em termos proporcionais, não parece expressiva (mais 1,65%), mas significou acréscimo de 1,546 milhão de pessoas na força. Vale dizer, mais de 1,5 milhão de trabalhadores foram forçados a voltar às ruas para lutar pela sobrevivência de suas famílias, mas menos de um terço deles conseguiu alguma ocupação.

Sabotagem

Parte desse incremento deveu-se a um afrouxamento nas medidas de distanciamento social pelos governadores e prefeitos e aos “estímulos” irracionais partidos do Palácio do Planalto, que desde o começo bombardeia as políticas adotadas por Estados e municípios para tentar conter a contaminação e as mortes. Outra parcela de trabalhadores muito provavelmente foi forçada a sair às ruas pela demora na chegada dos recursos e da ajuda prometidos pelo Governo Federal. Causa estranheza que o mesmo governo que anuncia medidas de socorro às famílias mais vulneráveis e a empresas de menor porte (enquanto autoriza a emissão de trilhões de reais para sustentar o mercado financeiro) tente ele mesmo sabotar as decisões que tomou, por conta de uma visão fiscalista e rasteira sobre a economia.

Balanço

·   Entre a primeira e a última semanas de maio, a economia gerou 486,0 mil novas ocupações, com o total de pessoas ocupadas saindo de 83,945 milhões para 84,431 milhões, na variação de 0,57%. Para comparação, a PNAD Contínua havia registrado 89,241 milhões de ocupados no trimestre encerrado em abril deste ano.

·   Detalhe: o crescimento concentrou-se nas três semanas iniciais do mês, já que a pesquisa do IBGE aponta o fechamento de 346,0 mil vagas entre a terceira e a quarta semanas (84,777 milhões para aquelas 84,431 milhões de vagas, num recuo de 0,41%).

·   Obviamente, o “crescimento” (quase estagnação, na prática) do emprego não foi suficiente para atender a todos que buscavam alguma forma de ocupação. Por isso mesmo, o número de desempregados saltou 10,8% entre o começo e o final do mês, sugerindo piora nos indicadores a serem levantados pela próxima PNAD Contínua.

·   Em números, o total de pessoas desempregadas passou de 9,817 milhões para 10,875 milhões. Não por coincidência, o avanço concentrou-se na última semana de maio, quando mais 838,0 mil perderam o emprego.

·   O desemprego efetivo, no entanto, pode ser muito mais elevado, quando se considera que 25,676 milhões de trabalhadores fora da força de trabalho (ou seja, que não saíram de casa para procurar emprego na semana da pesquisa) declararam-se dispostos a trabalhar, caso tivessem a oportunidade, claro.

·   Daquele total, em torno de 69% (17,680 milhões) deixaram de procurar uma colocação por conta da pandemia. A conclusão óbvia é que o desemprego tentará a crescer quando essas pessoas começarem a retomar a busca por emprego, num mercado enfraquecido pelo afastamento social, mas também pela perda de renda das famílias.

·   O número de trabalhadores informais (quer dizer, sem carteira assinada, sem cobertura da Previdência ou desempenhando trabalhos não remunerados para ajudar parentes ou moradores do mesmo domicílio), aumentou 2,1% na passagem da terceira para a quarta semana de maio, saindo de 28,497 milhões para 29,091 milhões (34,5% do total de ocupados).A situação havia sido pior na primeira semana de maio, quando a PNAD Covid-19 apurou um número de 29,961 milhões de informais, representando 35,7% do total de ocupados.

·   A pesquisa mostra ainda que 14,562 milhões de pessoas ainda estavam afastadas do trabalho devido ao distanciamento social, representando 17,2% do total de ocupados (abaixo dos 19,8% registrados na primeira semana do mês, o que correspondia a 16,589 milhões de trabalhadores). Além disso, apenas 13,2% dos ocupados ainda estavam trabalhando remotamente (em regime de home office), algo em torno de 8,811 milhões de ocupados (2,8% mais do que na primeira semana de maio, quando 8,569 milhões estavam na mesma situação).

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