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coluna Econômica

Dois anos após recessão, indústria ainda não havia reposto empregos perdidos

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 12 de julho de 2020
A produtividade neste caso é calculada a partir da divisão do valor da transformação industrial pelo número total de pessoas ocupadas no setor - Foto: Reprodução

Depois de experimentar um ciclo de crescimento importante ao longo da década anterior, a indústria de Goiás registrava, em 2013, um total de 7.204 unidades industrias com cinco ou mais pessoas ocupadas, abrigando 256.831 trabalhadores. Em 2018, os dados mais recentes, computados pela Pesquisa Industrial Anual (PIA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o setor não havia ainda conseguido repor nem o total de empregos e nem o número de empresas industriais que chegaram a operar no Estado antes da recessão de 2015/2016, o que mostra a severidade do arrocho imposto à indústria, o tamanho das perdas realizadas e a dificuldade para recuperar o terreno perdido em menos de meia década.

A edição mais atual da PIA, divulgada na quinta-feira, 25, pelo instituto, apontou 6.589 indústrias instaladas, 68 a mais do que em 2017, quando o setor anotou sem número mais baixo na série mais recente de dados, com apenas 6.521 unidades em operação, correspondendo a uma variação de 1,04%. Na comparação com 2013, no entanto, persiste uma retração de 8,54%, registrando-se ainda o fechamento de 615 indústrias. O emprego total na indústria saiu de 231.323 para 234.655 entre 2017 e o ano seguinte, com a contratação de 3.332 trabalhadores (mais 1,44%). O contingente ainda se encontrava 8,63% abaixo dos níveis registrados em 2013, correspondendo à perda de 22.176 vagas.

Certamente o emprego industrial tem reagido depois de atingir 225.133 em 2016, o segundo nível mais baixo na década. Nessa comparação, foram recuperados 9.522 empregos até 2018 (4,2% a mais), o que correspondeu, no entanto, a 30% das 31.698 ocupações eliminadas pela recessão. A perda de empregos e sua lenta recuperação desde o final da crise mais recente, encerrada em 2016, provocou uma “elevação espúria” da produtividade, termo cunhado pelo economês praticado no País para retratar ganhos impulsionados, nesta área específica, pelo menor número de empregados.

Produtividade espúria

O ideal, neste caso, seria elevar o emprego e a produtividade simultaneamente, criando um ciclo virtuoso de crescimento da produção a custos relativos mais baixos, agregando maior eficiência e capacidade produtiva.Não é isso o que se tem observado, bem, pelos menos até 2018. A produtividade alcançou seu melhor desempenho na década, crescendo 4,2% em relação a 2017 e acumulando alta de 33,8% frente a 2013. Mas o avanço, mais uma vez, ocorreu às custas da liquidação de empresas e do fechamento de empregos. Os dados de 2019, que só devem ser divulgados por volta de junho do ano que vem, podem trazer alguma novidade, já que a produção industrial havia crescido 2,9% frente ao ano anterior, depois de ter despencado 4,5% em 2018.

Balanço

·   A produtividade neste caso é calculada a partir da divisão do valor da transformação industrial (VTI) pelo número total de pessoas ocupadas no setor. O VTI, por sua vez, corresponde ao valor bruto de tudo o que a indústria produz, excluído o valor dos insumos, matérias-primas e outros bens utilizados no processo de produção, descontando-se ainda o valor do trabalho vendido pelos empregados (na prática, o total de salários pagos).

·   Nessa divisão, chega-se ao valor produzido por trabalhador, que saiu de R$ 133,773 mil em 2017 para R$ 139,331 mil no ano seguinte. Em 2013, quando haviam muito mais indústrias e empregados, esse valor havia sido de R$ 104,132 mil.

·   Depois de cair 1,09% entre 2016 e 2017, o VTI voltou a crescer em 2018, saindo de R$ 30,945 bilhões no ano anterior para R$ 32,695 bilhões, numa variação nominal de 5,65%. Em termos reais, no entanto, ou seja, em valores atualizados até dezembro de 2018 pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, o VTI ainda acumula perdas de 9,39% desde 2013.

·   Sem qualquer correção, o VTI acumulou variação de 22,25% entre 2013 e 2018. Acontece que os preços em geral, medidos pelo IPCA, subiram 34,92%. Assim, a indústria não conseguiu repor sequer a inflação no valor de sua produção.

·   Não têm sido anos fáceis para indústria, em Goiás e no restante do País. E 2018 não foi particularmente muito favorável. As receitas líquidas da indústria observaram uma variação de apenas 1,67% frente a 2017, saindo de R$ 102,525 bilhões para R$ 104,240 bilhões. Mas custos e despesas subiram um pouco mais, variando 1,75% (de R$ 91,693 bilhões para R$ 97,291 bilhões), e passaram a representar 95,73% das receitas líquidas, levemente acima dos 95,66% calculados para 2017.

·   A agregação doméstica de valores, que nunca chegou a ser um ponto forte da indústria em Goiás, registrou discreta piora entre 2017 e 2018. O valor da transformação industrial passou a representar 33,61% do valor bruto da produção, diante de 33,75% em 2017 e de 35,29% em 2016.

·   Essa evolução parece sugerir que a indústria goiana tem utilizado parcelas crescentes de bens e produtos acabados fora de Goiás e do País no processo de produção realizado por seu parque industrial, evoluindo rumo a um perfil de mera montadora de produtos finais. Na indústria de alimentos, que responde por 39,06% do valor da transformação industrial total, essa relação havia sido de 26,96% em 2018, atingindo 25,56% na indústria de produtos químicos e apenas 17,59% no setor de fabricação de veículos, reboques e carrocerias.

 

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