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Renda das famílias havia acelerado a tendência de retração em maio

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 14 de agosto de 2020
A estabilidade dos “rendimentos do trabalho” explica-se porque os primeiros a perder o emprego são em geral trabalhadores com menor nível de capacitação| Foto: Reprodução

A renda das famílias não só continua encolhendo, mas acelerou o ritmo da queda em maio, o que torna o cenário à frente ainda mais incerto, num momento em que os casos de infestação pelo Sars-CoV-2 avançam, se deslocando para o interior do País, governos e prefeituras prosseguem nos planos de liberalização das atividades e os riscos de uma segunda onda de contaminações não deveriam ser descartados desde já.A Pesquisa Nacional por Amostra de DomicílioContínua (PNADC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já havia mostrado queda real (descontada a inflação) de 7,3% para a massa de rendimentos efetivamente recebidos pelos trabalhadores no trimestre móvel encerrado em maio deste ano na comparação com o mesmo período de 2019, anota a Instituição Fiscal Independente (IFI), no Relatório de Acompanhamento Fiscal divulgado ontem.

Como os salários efetivos, ou seja, de fato recebidos pelos trabalhadores, na média, mantiveram-se estáveis no período, a perda veio da retração do emprego no período. A estabilidade dos “rendimentos do trabalho” – termo que traduzido do economês pode muito bem ser entendido como o velho e bom salário – explica-se porque os primeiros a perder o emprego são em geral trabalhadores com menor nível de capacitação e, portanto, com salários mais baixos, e também os informais, especialmente pelas características únicas da crise que assola a economia, derivada de uma pandemia viral. Num efeito estatístico, o rendimento médio não cai, mas a renda recebida por todos fica mais curta.

Retrato mais fiel

O Banco Central (BC), como sabem as raras leitoras e raros leitores que acompanham este espaço, divulga com certa defasagem a massa salarial ampliada disponível. O dado mais recente disponível diz respeito a maio deste ano e continuava apontando queda na comparação com os períodos anteriores. No cálculo da IFI, o indicador do BC havia registrado queda real de 4,7% no trimestre terminado em maio frente ao mesmo período de 2019. “Além dos rendimentos efetivos do trabalho, o indicador inclui outras fontes de recursos que se configuram como renda para as famílias (benefícios de proteção social – como o Benefício de Prestação Continuada ou BPC, bolsa família e seguro desemprego – e previdenciários pagos pelo governo federal) e desconta o Imposto de Renda (IR) e as contribuições previdenciárias, configurando-se como uma aproximação mais fidedigna do efetivo volume de recursos que circulam e dinamizam a economia”, ressalta a instituição.

Balanço

·   Na série de dados do BC, a massa salarial disponível é apresentada em valores nominais, com a conta levando em consideração uma média móvel trimestral, o que ajuda a escapar das flutuações mensais que nem sempre sugerem tendências à frente.

·   No trimestre março-maio, as famílias chegaram a registrar um total de R$ 265,947 bilhões disponíveis para fazer frente a despesas diversas, inclusive outros impostos (que não o IR), prestações de dívidas e compromissos variados do dia a dia. Mas mesmo em termos nominais, o valor era 13,1% mais baixo do que no trimestre dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, quando massa de renda havia alcançado R$ 305,993 bilhões. Na comparação, observa-se uma perda nominal de R$ 40,406 bilhões.

·   No trimestre final de 2019, a massa salarial das famílias havia atingido, agora em valores corrigidos pela inflação oficial, perto de R$ 320,021 bilhões. Até maio, portanto, a renda murchou em quase R$ 54,074 bilhões, refletindo um tombo de 16,9% em termos reais. Também em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a renda das famílias no trimestre finalizado em maio deste ano foi a mais baixa para o período desde 2016, ou seja, na saída da recessão mais recente. Perda mais forte do que aquela verificada entre dezembro e abril.

·   Ainda de acordo com o relatório da IFI, o saldo do crédito para grandes empresas tem caminhado mais rapidamente do que aquele destinado a micro, pequenas e médias empresas. Segundo a instituição, “enquanto os saldos de crédito destinado às grandes empresas registraram aumentos de 3,4% em março, 8,4% em abril e 9,5% em maio, em termos reais, o crédito voltado às micro, pequenas e médias empresas subiu 3,7%, 4,7% e 6,1%, nessa mesma ordem.

·   Considerado a preços de maio deste ano, o estoque do crédito liberado para as grandes empresas aumentou 12,9% desde fevereiro, saindo de R$ 897,0 bilhões para R$ 1,012 trilhão (R$ 115,0 bilhões a mais). No caso das empresas de menor porte, o crescimento ficou muito próximo de 3,0% (ou seja, quase um quarto da taxa anotada pelas grandes), com o saldo avançando de R$ 538,0 bilhões para R$ 555,0 bilhões, em grandes números (um avanço de apenas R$ 17,0 bilhões (um sétimo do crédito aportado a mais para as maiores companhias do País).

·   Segundo a IFI, “esse maior crescimento relativo do crédito destinado a grandes empresas, comparativamente ao crédito voltado a micro, pequenas e médias empresas, reforça a percepção de que, especialmente as companhias de maior porte, voltaram-se ao crédito bancário como instrumento para se financiar após o agravamento das condições econômicas decorrentes da pandemia”.

 

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