03 de setembro de 2020
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coluna Econômica

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Um quarto das empresas fecharam as portas desde o final de junho

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 03 de setembro de 2020
Diante do fechamento de empresas, será muito mais difícil recuperar o emprego antigo ou conseguir uma colocação nova| Foto: Reprodução

Os resultados mais recentes da Pesquisa Pulso Empresa, iniciada em junho passado e desde então realizada quinzenalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fornecem uma amostra de como a retomada da economia deverá ser muito mais complicada do que supõe a vã imaginação do senhor ministro dos negócios especiais, outrora conhecido como “Posto Ipiranga” em Brasília e adjacências. A se considerar o cenário desenhado na primeira edição do levantamento, cobrindo a quinzena final de junho, estavam em funcionamento no País em torno de 4,071 milhões de empresas. Na primeira quinzena de agosto, esse número foi reduzido para pouco menos de 3,045 milhões, significando que 1,026 milhão de empresas deixaram de funcionar.

Qualquer que seja o motivo, o fato é que alguma coisa acima de um quarto das empresas passou a não fazer parte da pesquisa e talvez, hipótese a ser considerada, tenha cerrado as portas. Ao contrário da primeira edição da pesquisa, que indicava o encerramento definitivo de 17,6% dos negócios em operação até a pandemia e o fechamento temporário de outros 15,0%, o levantamento mais recente não traz essa informação. Com a reabertura quase generalizada das atividades econômicas, a tendência é de que as pessoas que haviam desistido de procurar emprego,por conta da pandemia, voltem a buscar uma colocação. Diante do fechamento de empresas, será muito mais difícil recuperar o emprego antigo ou conseguir uma colocação nova.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, em sua versão especialmente desenhada pelo IBGE para acompanhar os impactos da crise sanitária (chamada de PNAD Covid-19), registrava, até a primeira semana de agosto, perto de 28,092 milhões de trabalhadores que haviam desistido de procurar emprego, mas continuavam dispostos a trabalhar. Desses, em torno de dois terços (65,2%) deixaram de procurar opções no mercado por conta da pandemia, somando 18,311 milhões. Esse número era, até ali, quase 46,0% mais elevado do que o total de trabalhadores desempregados que ainda continuavam na procura por uma vaga (12,559 milhões).

A grande ameaça

Num exercício teórico, se todo esse contingente decidir retomar a procura por empregos, a força de trabalho passaria de 94,154 milhões para 112,465 milhões e o número de desempregados saltaria para 30,870 milhões, elevando o desemprego para inaceitáveis 27,4% (duas vezes mais a taxa observada no começo de agosto, de 13,3%). Evidentemente, parte desses trabalhadores tem chances de conseguir uma colocação e outros tenderão a buscar opções na informalidade (que já tinha retomado o crescimento desde a segunda semana de julho). Mas o fechamento de empresas em larga escala limita as possibilidades de colocação desse pessoal e agrava a ameaça de uma piora no mercado de trabalho, com elevação do desemprego para além dos níveis já preocupantes anotados até o momento.

Balanço

·   O fechamento de empresas foi mais severo entre aquelas de menor porte, com até 49 empregados. O número de unidades em funcionamento nesta faixa caiu de 4,007 milhões para 2,983 milhões (-25,5%). A tendência atingiu com maior força os setores de comércio (perda de 488,35 mil empresas, numa queda de 28,6%) e de serviços (menos 415,14 mil empresas, em baixa de 24,1%).

·   Numa melhora enganosa, diante do fechamento de empresas, apenas 7,9% delas continuou a demitir na primeira quinzena de agosto, diante de 34,6% nas duas semanas finais de junho. Um terço das empresas em funcionamento ainda enfrentava dificuldade para produzir e atender aos clientes, o que aponta a dificuldade para remontar cadeias de suprimento atingidas pela crise.

·   Em outra consequência esperada, a crise humanitária vai afetar o potencial de consumo das famílias em Goiás e em todo o País, conforme atesta o estudo IPC Maps, realizado pela empresa IPC Marketing Editora. A retração estimada para todo o País, conforme Marcos Pazzini, sócio da empresa, aproxima-se de 5,4% em relação a 2019.

·   Neste ano, as famílias goianas tendem a consumir R$ 158,96 bilhões, em ligeira redução nominal de 0,6% frente a 2019, quando a estimativa da empresa sugeria um consumo de R$ 159,93 bilhões. Mas, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo potencial pode recua de 88,0% para 82,8%.

·   Entre as grandes faixas de consumo, espera-se uma migração para a classe B, única a ter uma alta projetada para este ano. No caso, o potencial de gastos deverá subir 11,3% (de R$ 55,111 bilhões para R$ 61,363 bilhões). A participação no consumo total avançaria de 36,9% para 41,3% para a classe B.

·   Proporcionalmente, a maior frustração de consumo está prevista para a classe A, de renda mais alta, onde a propensão de gastos sofreria queda de 13,7% entre 2019 e este ano, passando de R$ 18,719 bilhões (12,5% do total) para R$ R$ 16,162 bilhões (10,9% do total, embora essa faixa responda por apenas 1,8% dos domicílios).

·   Num retrato da desigualdade de renda, as classes C e D/E, embora respondam por 77,6% dos domicílios, devem reduzir sua participação no consumo de 50,5% para 47,9%. Na classe C, as perdas somariam perto de R$ 3,579 bilhões, com o potencial de consumo encolhendo de R$ 59,394 bilhões para R$ 55,814 bilhões (6,0% a menos). Nas classes D e E, analisadas em conjunto, a pesquisa antecipa queda nominal de apenas 3,5%. Mas esse percentual corresponderia a menos R$ 564,65 milhões (de R$ 15,974 bilhões para R$ 15,409 bilhões).

·   Por categoria, as maiores perdas deverão se concentrar nos gastos com materiais de construção (-53,5%), eletrodomésticos e eletroeletrônicos (-26,4%), calçados (-24,5%) e habitação (-15,8%). Os gastos com alimentação em domicílio e fora tendem a baixar 7,4%.

 

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