15 de setembro de 2020
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Economia continua desmentindo prognósticos de rápida recuperação

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 15 de setembro de 2020
Em julho, na comparação com o mês imediatamente anterior, a velocidade de crescimento caiu a menos da metade, já que o indicador do BC passou a indicar variação de 2,15%| Foto: Reprodução

Caso as planilhas e “modelos macroeconômicos” do Banco Central estejam bem afinados com a realidade, a atividade econômica parece ter empacado novamente em julho, com desaceleração dentro da crise. Na aferição realizada em junho, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), que pretende ser uma aproximação do Produto Interno Bruto (PIB, antecipando, portanto, o seu desempenho, chegou a apontar elevação de 4,9% em relação a maio. Em julho, na comparação com o mês imediatamente anterior, a velocidade de crescimento caiu a menos da metade, já que o indicador do BC passou a indicar variação de 2,15%.

A variação está relacionada quase exclusivamente aos níveis muito reduzidos atingidos pela atividade econômica no período em que as medidas de distanciamento e isolamento sociais foram mais severas, entre o final de março e as primeiras semanas de abril. Na comparação com junho e julho do ano passado, o BC chegou a antecipar baixas de 7,05% e de 4,89%, respectivamente. O indicador mensal está sujeito a muita volatilidade, o que dificulta a definição de tendências. Para amenizar essas oscilações, seria mais adequado observar o comportamento do indicador trimestral.

No primeiro trimestre deste ano, o IBC-Br havia estimado um avanço de 1,94% frente ao quarto trimestre de 2019, mas apontou recuo de 0,28% se a base escolhida fosse o trimestre entre janeiro e março do ano passado. O PIB medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), numa leitura ainda sujeita a revisões posteriores, trouxe baixa de 2,5% frente ao último trimestre de 2019 e recuo de 0,25% diante do primeiro trimestre também do ano passado.

Onde está a “virada”?

No segundo trimestre, o BC chegou a ser mais pessimista na comparação com os três meses imediatamente anteriores e também em relação ao igual trimestre de 2019. Comparado ao primeiro trimestre deste ano, o PIB teria caído 10,94% na estimativa do BC, um pouco acima do tombo de 9,7% anotado pelo IBGE. Considerando o segundo trimestre de 2019, o indicador do Banco Central havia apontado baixa de 12,03%, igualmente acima da perda de 11,4% anotada pelo IBGE. No trimestre encerrado em julho passado, o IBC-Br encontrou uma retração de 8,23% – o que definitivamente não se parece com aquela tal de retomada em “V” alardeada pelo superministro dos mercados (quer dizer, uma forte queda seguida de uma recuperação vigorosa, recompondo rapidamente toda a perda causada pela crise).

Balanço

·   A melhoria aparente ficou por conta de uma retração trimestral menos drástica, mas igualmente desastrosa, quando considerados os mesmos períodos de 2019. Nas estimativas do BC, seu indicador saiu de uma retração prevista em 12,03% no segundo trimestre para uma queda de 8,23% no trimestre maio a julho deste ano igualmente tomando como referência o mesmo intervalo de 2019. No acumulado dos primeiros sete meses deste ano, o IBC-Br sugere uma redução de 5,77%.

·   Apenas para retomar os níveis de fevereiro passado, o PIB teria que operar um avanço de praticamente 7,0% entre agosto e dezembro, o que parece, a esta altura, uma missão complicada, para dizer o mínimo. Para isso, bastaria recordar que a economia, até o início do ano, sequer havia conseguido repor integralmente todas as perdas registradas durante a greve dos caminhoneiros em maio de 2018.

·   Numa linha semelhante, o Indicador de Atividade Econômica da Fundação Getúlio Vargas (IAE-FGV) igualmente mostra desaceleração mês a mês, saindo de um avanço de 3,9% entre maio e junho para um incremento de 2,8% em julho frente ao mês imediatamente anterior. No trimestre finalizado em julho, o índice aponta retração de 4,3% em relação aos três meses anteriores e queda de 9,0% se comparado ao trimestre maio a julho de 2019.

·   Os números sobre o mercado de energia elétrica mostram que o consumo no País se manteve, em agosto, ainda abaixo dos níveis alcançados em fevereiro, antes da pandemia, com estagnação na comparação com agosto do ano passado.Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), foram consumidos em torno de 59.909 megawatts médios (MWm) em agosto deste ano, ainda 8,7% abaixo dos 65.611 MWm registrados em fevereiro. Em agosto do ano passado, o consumo havia sido de 59.885 MWm.

·   Na média mensal dos oito primeiros meses deste ano, o consumo tem se mantido ao redor de 60.279 MWm, em torno de 4,0% inferior à média de 2019, que havia alcançado 62.837 MWm. O consumo chegou a despencar 15,8% entre fevereiro e maio deste ano e avançou 8,4% de lá até agosto.

·   Comparando agosto deste ano com o mesmo mês de 2019, o consumo de energia elétrica apresentou melhor desempenho nos setores de saneamento básico (+24,0%), comércio (+12,0%, num reflexo da reabertura das atividades nesta área), alimentos (+10,0%), bebidas (+5,0%) e telecomunicações (+4,0%). Continuam no vermelho os setores de veículos (-15,0%), têxteis (-9,0%), extração de minerais não metálicos (-7,0%); químicos (-5,0%) e madeira, papel e celulose (-3,0%).

·   Em Goiás, o consumo voltou a níveis superiores ao observado em fevereiro, saindo de 2.044 MWm para 2.126 MWm em agosto (elevação de 4,0%), depois de ter sofrido recuo de 3,6% de fevereiro para abril. Na comparação com agosto do ano passado, a variação foi muito tímida, levemente inferior a 0,6%. No acumulado entre janeiro e agosto, comparado a igual intervalo de 2019, o consumo ainda está 0,85% mais baixo.

 

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