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coluna Econômica

Máquinas e equipamentos importados agora respondem por 47% do mercado

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 23 de outubro de 2020
O país está exportando empregos e renda e perdendo tecnologias em escala crescente - Foto: Divulgação

Lauro Veiga

A produção nacional de máquinas e equipamentos vem perdendo espaço de forma acelerada para similares importados nas últimas décadas, num movimento exacerbado agora durante a pandemia, a despeito do forte salto experimentado pelo dólar – o que, teoricamente, deveria funcionar como um freio à entrada de importaçõesno País. Essa perda de espaço num setor vital para qualquer economia que tenha pretensões mais ambiciosas no mercado global tem se traduzido numa verdadeira “torra de tecnologia”, afinal, a máquina que deixa de ser produzida aqui dentro corresponde à uma perda equivalente na capacidade de desenvolver e produzir localmente novas tecnologias, transformando o setor em mero “maquilador”, num montador de partes, peças e acessórios importados, quando não em apenas revendas de bens finais comprados lá fora.

Numa estimativa que toma como base dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a cotação média do dólar no período entre janeiro e julho de 2019 e deste ano, as importações passaram a ocupar uma fatia muito próxima de 47,0% no chamado consumo aparente de máquinas e equipamentos em 2020. O conceito soma as receitas registradas pelo setor com a venda de sua produção própria mais o valor das importações realizadas no período, excluídas as receitas alcançadas na exportação dos mesmos bens, sempre convertidas para a moeda brasileira.

Conforme demonstrado ontem neste espaço, o consumo aparente registrou alta de 9,8% entre os primeiros sete meses do ano passado e o mesmo período deste ano, saindo de algo em torno de R$ 91,6 bilhões para R$ 100,6 bilhões, em valores atualizados com base na variação do Índice de Preços no Atacado (IPA), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), específico para o segmento de máquinas e equipamentos.

Aferidas em moeda norte-americana, as importações de máquinas e equipamentos registraram variação de 2,4%, avançando de pouco menos de US$ 8,980 bilhões para US$ 9,195 bilhões. As estatísticas do Banco Central (BC) sobre o câmbio indicam que o valor médio do dólar aumentou perto de 33,8% entre os sete meses iniciais de 2019 e igual intervalo deste ano, saindo de R$ 3,81 para R$ 5,10. Neste caso, numa aproximação feita pela coluna, o valor em reais das máquinas e equipamentos importados saltou de R$ 34,230 bilhões para R$ 46,900 bilhões (salto de 37,0%).

Perdas e danos

Nessa conta, portanto, a participação das importações no consumo aparente foi ampliada de 37% para aqueles 47,0% já apontados. Para ser mais claro, as importações já respondem, neste ano, porque quase metade do consumo doméstico de máquinas e equipamentos, o que significa dizer que o País está exportando empregos e renda e perdendo tecnologias em escala crescente, num setor que demanda mão de obra mais qualificada e paga salários médios mais elevados. Uma realização e tanto, especialmente quando são considerados os estragos causados pela pandemia, com perto de 140,0 mil mortes e a falta de oportunidades de emprego para 40,3 milhões de trabalhadores. Ainda mais claramente: praticamente um em cada quatro brasileiros com 14 anos ou mais não consegue um emprego digno.

Balanço

·   Os efeitos da crise sanitária, muito evidentemente, atingiram a economia mundial como um todo, produzindo uma profunda recessão em escala global. E sobrou, como também não poderia deixar de ser, para o comércio internacional. As exportações de máquinas e equipamentos produzidos no Brasil encolheram 26,8% no acumulado entre janeiro e julho deste ano em relação aos mesmos sete meses de 2019, passando de US$ 5,642 bilhões para US$ 4,132 bilhões.

·   O maior peso veio do segmento de fabricação de máquinas para os setores de logística e da construção civil, que responderam por 24,8% do total das exportações neste ano e sofreram um tombo de 44,8%. As exportações de componentes para a indústria bens de capital caíram 16,9%, com larga influência negativa sobre o resultado setorial, visto que o segmento responde por 34,6% das exportações totais.

·   Como visto, as importações anotaram variação de 2,4%, o que ajudou a aprofundar o rombo na balança comercial do setor. O déficit setorial (importações maiores do que exportações – no caso, muito maiores) saltou nada menos do que 51,7% entre os dois períodos analisados aqui, saindo de US$ 3,337 bilhões para US$ 5,063 bilhões (o que já foi 22,5% maior do que toda a exportação realizada nos primeiros sete meses deste ano).

·   A queda de 32,0% nas vendas do setor para os Estados Unidos contribuiu em quase 40,0% na redução observada para o total das exportações. No ano passado, 33,1% das vendas externas brasileiras de máquinas e equipamentos tiveram o mercado norte-americano como destino, num total aproximado de US$ 1,867 bilhão. Esse valor foi reduzido para US$ 1,267 bilhão neste ano, com a participação daquele mercado encolhendo para 30,7%.

·   Até o ano passado, sempre considerando o período inicial de sete meses, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos ainda sustentava um superávit (exportações superiores às importações) de US$ 152,1 milhões. Mas, neste ano, passou a acumular um déficit comercial de US$ 1,310 bilhão, com alta de nada menos do que 50,3% nas compras brasileiras naquele mercado, para US$ 2,578 bilhões (diante de US$ 1,715 bilhão em 2019).

·   A virada na posição do saldo comercial entre os dois países ajuda a entender quase 85,0% do aumento sofrido pelo déficit comercial acumulado pelo setor como um todo entre o ano passado e este ano.

·   Segundo maior mercado para a indústria brasileira, a Alemanha aumentou suas vendas para cá em 14,0%, já que as importações da indústria local avançaram de US$ 1,226 bilhão para US$ 1,397 bilhão. Mas as exportações para os alemães, que já eram irrisórias, desabaram 47,3%, encolhendo de US$ 226,0 milhões para US$ 119,0 milhões.

 

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