22 de agosto de 2019
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Ataques do presidente à imprensa colocam democracia em xeque

Publicado por: Lucas de Godoi / Postado em 22 de agosto de 2019
A recente medida provisória representa um grave risco para os jornais impressos brasileiros e, consequentemente, para a democracia do nosso País.

O ataque do presidente Jair Bolsonaro (PSL) à imprensa joga um balde d’água em todos os veículos que cobriram a sua campanha com honestidade e transparência pelo País afora. A recente medida provisória que define que as publicações obrigatórias das sociedades anônimas devem ser feitas apenas pelos sites da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o da própria companhia e o da B3, no caso das empresas de capital aberto, representa um grave risco para os jornais impressos brasileiros e, consequentemente, para a democracia do nosso País. 

Ao sacrificar todos os veículos de comunicação para responder ao trabalho de apuração de meia dúzia de empresas, o presidente fere aqueles que divulgaram de maneira adequada o seu discurso de campanha. Desalinhado com o decoro que seu cargo exige, o presidente teve a coragem de ironizar charge publicada no Jornal O Globo que criticava sua política sobre o desmatamento no Brasil. Antes, já tinha endereçado ironia ao Valor Econômico. 

“Pra fazer jornal, você tem que derrubar árvores ou não?”, questionou. “Eu por exemplo, pensando nisso, na preservação do meio ambiente, preocupado com o aquecimento global e também inspirado na motosserra do O Globo, já tem algum tempo que venho sendo chamado de capitão motosserra… Então, você pode ver, ninguém tem dúvida que pra fazer jornal tem que derrubar árvore, então, pensando no meio ambiente, perfeitamente afinado ao apelo do jornal O Globo, meus parabéns…”, disse.

A trapalhada do presidente, na tentativa de silenciar a imprensa, já foi repercutida em todo o mundo. Prova disso é o posicionamento da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que criticou a decisão e o nível a que o Presidente da República desceu para, em suas palavras, prestar uma "retribuição" pelos ataques que teria recebido da mídia durante a campanha nas últimas eleições.

"Lamentamos que se anteponham interesses políticos, partidários e pessoais para resistir à crítica, à opinião e à informação, direitos que a imprensa e os cidadãos têm em uma sociedade democrática", declarou María Elvira, presidente da SIP, em comunicado. 

Mais atento às garantias e responsabilidade em se cultivar do Estado Democrático, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Democratas), em uma estratégia eleitoreira, se apressou para condenar a decisão precipitada. A ponderação do democrata o consolida como um político equilibrado e maduro o suficiente para não ironizar veículos que levam informação com competência. 

“Acho que a Câmara e o Senado poderão construir um acordo onde a gente olhe o futuro onde o papel jornal de fato não seja um instrumento relevante. Mas, no curto prazo, é difícil a gente imaginar, nos próximos cinco, seis anos, que da noite para o dia nós vamos inviabilizar milhares de jornais”, ponderou. 

Sem a imprensa atuante, sujeitos como o presidente ferem a seu bel prazer o que estabelece a legislação brasileira sobre a devida prestação de contas das empresas. 

Agora, a esperança que fica é que Jair Bolsonaro tenha um momento de clareza e que reflita sobre a contribuição que inúmeras empresas de mídia dão ao País, diariamente, ao informar sobre as pautas propositivas que são objeto do trabalho do Executivo Federal. 

 

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