22 de julho de 2019
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coluna Econômica

Exportações caem (com “ajuda” da China) e superávit comercial de Goiás desaba 28%

Publicado por: Lauro Veiga Filho / Postado em 22 de julho de 2019
Lauro Veiga

A febre suína africana, que dizimou pouco mais de um quinto do plantel de matrizes na China (quase três vezes o tamanho de todo o rebanho brasileiro de matrizes suínas, na estimativa do Rabobank), contribuiu para derrubar a demanda chinesa por soja, afetando diretamente as exportações goianas e também o resultado da balança comercial na primeira metade do ano. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Secex/Mdic), o superávit comercial de Goiás com o restante do mundo desabou 28,2% no acumulado ao longo dos primeiros seis meses deste ano em relação a igual período de 2018, encolhendo de US$ 2,031 bilhões para pouco menos de US$ 1,459 bilhão (numa perda de US$ 572,06 milhões).

A retração foi determinada por uma queda de 16,25% nas exportações, que baixaram de US$ 3,791 bilhões para quase US$ 3,175 bilhões entre o primeiro semestre de 2018 e igual intervalo deste ano, o que representou uma redução equivalente a US$ 615,933 milhões. Sozinha, a soja em grão respondeu por praticamente 90% dessa queda, já que as vendas da oleaginosa despencaram quase 36% no primeiro semestre, mergulhando de US$ 1,542 bilhão para US$ 987,591 milhões (ou seja, US$ 554,424 milhões a menos). Em torno de 75% da retração observada para as exportações do grão devem ser debitados na conta da China, que reduz suas compras de US$ 1,284 bilhão nos seis primeiros meses de 2018 para US$ 868,770 milhões, numa retração de 32,4%.

Como se observa, o mercado chinês foi o destino de quase 88% das exportações goianas de soja (diante de 83,3% em igual período do ano passado), tomadas em dólar. Em volume, a dependência foi praticamente mesma, saindo de 83,4% para pouco mais de 88%. A redução, neste caso, ficou “limitada” a 23%, pois os volumes embarcados rumo à China a partir do Estado caíram de 3,215 milhões para 2,474 milhões de toneladas (740,421 mil toneladas a menos). Goiás embarcou 2,809 milhões de toneladas de soja no total do semestre, num tombo de 27% frente ao mesmo intervalo de 2018 (3,853 milhões de toneladas). Os preços médios de venda igualmente não ajudaram, caindo 12%, num reflexo das cotações relativamente mais baixas no começo do ano.

Dependência chinesa

O mercado chinês continua desempenhando papel relevante na balança comercial de Goiás, a despeito da redução das vendas para aquele país. As exportações totais do Estado para a China, sob influência da soja em grão, baixaram 19% no primeiro semestre deste ano, passando de US$ 1,593 bilhão (42% do total exportado por Goiás) para menos de US$ 1,290 bilhão (com a participação recuando para 40,6%). Como as importações de produtos chineses são relativamente reduzidas, o superávit bilateral manteve-se elevado, embora igualmente em queda. A China sozinha respondeu por 75% de todo o superávit acumulado pela balança comercial goiana (exportações menos importações). Essa participação havia sido de 72,3% no primeiro semestre de 2018.

Balanço

·   Enquanto Goiás exporta para os chineses majoritariamente soja em grão, as importações goianas de produtos chineses concentram-se em setores de maior valor agregado e nível tecnológico mais intensivo. Para comparar, em torno de 74,6% das compras goianas no mercado chinês ficaram concentradas nos setores de produtos químicos orgânicos, veículos, adubos, máquinas e aparelhos elétricos e caldeiras, máquinas e aparelhos mecânicos.

·   Na soma total, as importações da China saltaram 58,2% no primeiro semestre, subindo de US$ 123,984 milhões para US$ 196,106 milhões (11,4% do total importado pelo Estado). O saldo comercial entre Goiás e a China desabou 25,53% nos primeiros seis meses deste ano, baixando de US$ 1,469 bilhão para US$ 1,094 bilhão. A redução, no entanto, deveu-se muito mais à queda das exportações goianas para o país asiático.

·   Para completar essa relação de dependência, essa redução de US$ 374,959 milhões no saldo goiano com a China correspondeu a 65,55% da redução registrada por todo o superávit acumulado pelo Estado na primeira metade do ano.

·   As importações goianas recuaram 2,49% no mesmo período, comparado aos mesmos seis meses de 2018, encolhendo de US$ 1,760 bilhão, em valores aproximados, para US$ 1,716 bilhão. O desempenho negativo foi influenciado principalmente pela redução de quase 17% nas compras de produtos farmacêuticos lá fora, que recuaram de US$ 639,221 milhões para US$ 531,283 milhões.

A baixa nas importações de maior valor agregado contribuiu para a redução de 17,4% nos preços médios dos produtos importados, diante de recuo de 2,45% nos preços de exportação. 

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