20 de novembro de 2019
GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

coluna Econômica

Instituto de Finanças Internacional vê economia mundial ainda “saudável”

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 20 de novembro de 2019
Lauro Veiga

O crescimento da economia mundial mantém-se “saudável” e a retração recente nos indicadores de confiança no setor industrial em todo o mundo deveria ser vista como “parte dos altos e baixos” normalmente registrados em todo “ciclo econômico global”, e não como uma tendência mais séria de desaceleração no ritmo de avanço das economias ao redor do mundo, como resultado do aumento de “tensões comerciais”. A anotação está no boletim divulgado ontem pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), onde o trio de economistas Sergi Lanau, Gene Ma e Greg Basile, do IIF, analisa as perspectivas econômicas para a China, centro das atenções mundiais especialmente depois do início do que se tem classificado como “guerra comercial” com os Estados Unidos, na escalada protecionista e antiglobalização detonada pelo presidente Donald Trump.

“Nossa leitura dos dados chineses enquadra-se nessa narrativa”, assinala o trio. Uma interpretação, de certa forma, um tanto mais otimista do que aquela provida por outros institutos internacionais, que têm acenado para o risco de uma desaceleração mais relevante da atividade mundial não apenas por conta dos conflitos entre os governos chinês e norte-americano, mas igualmente em função de supostas dificuldades de outras economias centrais, a exemplo da União Europeia, manterem-se em rota de crescimento.

De qualquer forma, prossegue o trio do IIF, a despeito dos temores de que o crescimento chinês esteja “vacilando”, o indicador antecedente da atividade econômica sugere que a economia chinesa tem dado mostras de estabilidade desde setembro do ano passado, na sequência de meses de taxas decrescentes de crescimento. Indicadores relacionados ao comércio exterior de fato apontaram desaceleração, enquanto os volumes exportados pela China para os Estados Unidos mergulharam em queda dramática, mas uma retomada dos gastos com infraestrutura (providos pelo governo chinês e por suas estatais, evidentemente) teria contribuído para contrabalançar aqueles “ventos de proa”.

Contra medidas

Na visão do IIF, o governo chinês vem enfrentando o desaquecimento das exportações com a adoção deliberada de medidas de estímulo destinadas a estabilizar as taxas de crescimento da economia e evitar um mergulho descontrolado. Adicionalmente, a China estaria preparada para lançar um pacote mais amplo de suporte à atividade econômica local caso as “tensões comerciais sofram uma escalada significativa”, aponta o mesmo boletim. “A despeito de condições externas desfavoráveis, o panorama de crescimento para a economia chinesa mantém-se bastante benigno”, reforça o instituto.

Balanço

·   Os indicadores antecedentes desenvolvidos pelo IIF para acompanhar a economia chinesa sugerem que a atividade econômica por lá apresentou desaceleração correspondente 0,8 pontos de porcentagem entre março e setembro do ano passado, estabilizando-se ao redor de uma taxa média entre 5,0% a 5,2% ao ano desde então.

·   Mesmo numa visão mais otimista, o instituto reconhece que a desaceleração foi considerável nos seis meses anteriores a setembro, “embora menor se comparada” ao desaquecimento registrado em 2015 (quando o indicador chegou a mergulhar para uma taxa de crescimento bastante próxima de 4,8% ao ano, consideravelmente baixo dado o histórico de crescimento apresentado pela China).

·   Os dados mostram ainda, prossegue o IIF, que os setores mais diretamente relacionados ao comércio exterior não sofreram desaquecimento significativo enquanto o conjunto da economia esfriava em meados de 2018, mesmo diante do incremento das tensões comerciais com os EUA.

·   Da mesma forma, houve crescimento do investimento em infraestrutura e os setores não exportadores anotaram apenas um “modesto desaquecimento”.

·   O IFF atribui a desaceleração registrada entre março e setembro aos “esforços de desalavancagem” (redução de dívidas) registrados no começo de 2018, o que afetou setores intensivos em crédito (a exemplo de construção e infraestrutura).

Nitidamente, o governo adotou políticas públicas para compensar efeitos depressivos sobre a economia e preservar o crescimento, ainda que a taxas mais moderadas, numa reação inversa à adotada pela equipe econômica do governo brasileiro por ideologia ou incompetência. 

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar