21 de outubro de 2019
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coluna Econômica

Indústria e varejo andam de lado, num retrato do quadro de estagnação no País

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 21 de outubro de 2019
Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fornecem o retrato acabado de uma economia em estagnação

Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fornecem o retrato acabado de uma economia em estagnação, com a indústria e as vendas do varejo praticamente “andando de lado” – o que apenas reafirma, a bem da verdade, o cenário observado ao longo dos últimos meses. Como já anotado por aqui, o quadro parece mais grave na indústria e a “nova fase recessiva” em vigor nesta área tem se espalhado por um número maior de Estados e regiões, conforme anota avaliação liberada também ontem pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Olhando o comportamento regional da produção industrial, o instituto registra “focos de apreensão” na primeira metade do ano, identificados em “reversões dramáticas da trajetória de recuperação em algumas localidades, reincidência das quedas em outras e concentração em poucos Estados de uma reação consistente”.Entre os 15 Estados regularmente acompanhados pela pesquisa mensal da indústria, produzida pelo IBGE, dois terços experimentaram queda na produção na passagem de maio para junho. Em Goiás, a produção restou literalmente estagnada, com variação imperceptível de 0,1%.

Além da retração observada em uma dezena de Estados, prossegue o Iedi, sete delas anotou perdas mais intensas do que o recuo médio de 0,6% registrado em todo o País, com destaque (negativo) para a principal região econômica do País – em São Paulo, a produção industrial murchou 2,2%. Mas a comparação entre o primeiro semestre deste ano e igual período do ano passado não autoriza leitura mais lisonjeira. Na verdade, avalia o Iedi, “a situação é ainda mais frustrante”. Não apenas se observa uma desaceleração mais profunda, como ela se dá igualmente em 60% dos Estados pesquisados, o que não deixa antever perspectivas de algum crescimento mais substancial para o setor no fechamento do ano. Goiás destoa ligeiramente, com elevação de 2,1% no semestre, mas com certo desaquecimento, saindo de incremento de 2,2% no primeiro trimestre para 2,0% no segundo, sempre em comparação com os mesmos períodos de 2018.

Eixos regionais

Em sua análise, o instituto de estudos da indústria identifica dois “eixos regionais” como destaque no “retrocesso recente” da atividade nesta área. À frente, exatamente a região mais industrializada e com estrutura industrial mais diversificada, o Sudeste brasileiro. “A má fase deste grupo é grave porque, em função da complexidade de seus parques industriais, pode se espalhar para o sistema industrial do País como um todo, levando consigo um número cada vez maior de ramos”, sublinha o Iedi. Pior ainda, prossegue o instituto, as séries estatísticas recentes mostram que as dificuldades da indústria na região “não vêm de agora, isto é, mesmo em 2018 enfrentavam ou queda, como São Paulo e Minas Gerais, ou estavam praticamente estagnados, como o Rio de Janeiro”.

Balanço

·   O segundo “eixo regional” da retração, na classificação estabelecida pelo Iedi com base nos dados do IBGE, está instalado no Nordeste como um todo, que sofreu perda de 2,6% no acumulado entre janeiro e junho deste ano frente a igual intervalo de 2018.

·   “Neste caso, chama atenção não apenas uma intensidade de declínio mais forte do que a do total Brasil, mas sobretudo o fato de que a região mal começava a reagir e já submergiu novamente”, analisa o Iedi.

·   Na indústria nordestina, mais da metade dos setores pesquisados “estão no vermelho”, destacando-se as indústrias de veículos, produtos químicos, alimentos e extrativa mineral.

·   O crescimento de 2,1% acumulado pela produção industrial no primeiro semestre deveu-se quase que exclusivamente ao setor de alimentos, não por coincidência o segmento que tem maior peso na composição da indústria em Goiás. A produção de alimentos cresceu 4,4% no semestre, mas veio em desaceleração, saindo de um avanço de 6,6% no acumulado até maio.

·   Não que não tenha ocorrido avanço em outros setores, mas todos, igualmente, a taxas decrescentes. A produção de biocombustíveis, impulsionada pelo biodiesel, aumentou 5,5% (mas havia saltado 8,9% até maio); idem para o setor farmacêutico, que saiu de 4,2% para 3,2%.

·   A produção de veículos desabou 10,1% (depois de já ter caído 6,6% nos cinco primeiros meses de 2019).

As vendas no varejo ampliado (que inclui as lojas “convencionais” e ainda vendas de veículos, motos e autopeças e material de construção) subiram 0,6% de maio para junho em Goiás (zero na média brasileira) e fecharam o semestre com variação de 3,6% (3,2% em todo o País). 

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