13 de dezembro de 2019
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coluna Econômica

Algum investimento público e renegociação de dívidas poderiam destravar economia

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de dezembro de 2019
Caminho para engrenar marcha mais forte na economia poderia vir do investimento público, alinhado a uma estratégia vigorosa e bem estruturada de concessões

Dois anos e quase oito meses depois de encerrada a mais recente recessão que abateu a atividade, a economia continua patinando, respondendo a “uma conjunção de vários fatores”, aponta Nelson Marconi, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). Entre outros motivos, porque o diagnóstico construído para explicar tanto as origens da crise quanto seu prolongamento inusitado, considerando-se a reação observada na sequência de outros ciclos recessivos que o País já enfrentou em sua história, tem sido “parcialmente equivocado”, ao centrar toda a análise na questão dos desequilíbrios fiscais.

“Ainda que o problema fiscal seja um dado da realidade, o endividamento crescente das empresas e das famílias e o desemprego elevado reduzem as perspectivas de uma recuperação mais forte da demanda, o que deixa o empresário sem estímulos para investir”, analisa Marconi. Uma das vias para reanimar a demanda agregada, prossegue o economista, seria o setor externo, via exportações. Mas estas vêm caindo neste ano, acumulando perdas de 4,65% nos sete primeiros meses de 2019 frente ao mesmo período de 2018, com baixa de 6,58% para as vendas de bens manufaturados (o que tem contribuído para deprimir a atividade industrial).

Outro caminho para engrenar marcha mais forte na economia poderia vir do investimento público, alinhado a uma estratégia vigorosa e bem estruturada de concessões – possibilidade que, igualmente, não parece estar no horizonte até o momento. O investimento do setor público como um todo, incluindo União, governos estaduais e prefeituras, desabou de 20,19% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 para 15,83% em 2018, um dos mais baixos desde os anos 1960.

Renegociação ampla

Assim como não parece estar na agenda um amplo programa de renegociação de dívidas voltado para micro, pequenas e médias empresas e para as famílias de uma forma geral, uma das sugestões de Marconi para tentar destravar a economia. Nos dados apurados por Marconi, com base em séries estatísticas do SPC Brasil e da Serasa Experian, o número de famílias endividadas saltou de 51,7 milhões em 2012 para 62,5 milhões na média registrada ao longo dos primeiros cinco meses deste ano, mais 10,8 milhões de famílias, numa alta de 20,9%. Entre 2016 e os quatro meses iniciais de 2019, sempre em números médios, acrescenta o economista, o total de micro e pequenas empresas endividadas aumentou quase 29%, saindo de 4,2 milhões para 5,4 milhões.

Balanço

·   O número de famílias endividadas avançou 2,3% entre os cinco primeiros meses de 2018 e 2019 em todo o País, com altas mais relevantes nas regiões Sudeste (+3,8%) e Sul (+2,3%). Nas demais regiões, o crescimento variou entre 0,6% no Nordeste e 1,6% no Centro-Oeste, com elevação de 1,2% no Norte.

·   Na comparação entre 2019 e 2012, Norte e Nordeste acumulam os maiores aumentos, na casa de 29% em ambos os casos, seguidos pelo Centro-Oeste (21,8%), Sul (15,8%) e Sudeste (14,8%).

·   Na média brasileira, houve um aumento de 21,9% no indicador. Como registro, a força de trabalho em todo o país aumentou em ritmo mais modesto em igual período, subindo de 96,2 milhões para 105,9 milhões (10,1% a mais).

·   Para fazer frente a esse “endividamento estrutural”, Marconi sugere que o governo coordene uma estratégia para renegociação ampla de dívidas, com alongamento de prazos e redução de juros, envolvendo o setor financeiro público e estímulos para adesão de bancos privados.

·   A sinalização dos bancos públicos, combinada com uso de parcela dos depósitos compulsórios, “acabaria levando à adesão das instituições financeiras privadas”, acredita Marconi. Na posição de junho deste ano, segundo o Banco Central (BC), o saldo dos compulsórios somava algo ao redor de R$ 450,6 bilhões, correspondendo a 24,6% do estoque de operações de crédito livre e praticamente 7,5% maior do que o dado de junho de 2018 (R$ 419,6 bilhões).

Os números do BC mostram ainda que o endividamento financeiro das famílias voltou a crescer em maio deste ano, avançando de 41,9% em 2018 para 44,04% das famílias, o mais alto desde abril de 2016, em plena recessão. 

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