15 de setembro de 2019
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coluna Econômica

Grandes usinas seguram estoques e preço do etanol sobe 24% em um ano

Publicado por: Lauro Veiga Filho / Postado em 15 de setembro de 2019
Em outros tempos, a “estratégia” seria rapidamente associada à boa e velha especulação, já que a decisão foi tomada quando o mercado ainda estava em entressafra (a nova safra somente seria iniciada em abril).

A citação veio perdido em meio ao texto, como se fosse uma observação causal sobre a estratégia de negócios de um grande grupo alcooleiro, na verdade, o maior produtor de etanol do País, com participação de capitais brasileiro e holandês. Despretensiosamente, o executivo afirma ao repórter do mais importante jornal de economia brasileiro que a companhia decidiu reduzir suas vendas do combustível no primeiro trimestre deste ano para reforçar seus estoques e segurar o produto à espera de preços mais altos, o que permitiria, claro, “maximizar” a rentabilidade do negócio.

Em outros tempos, a “estratégia” seria rapidamente associada à boa e velha especulação, já que a decisão foi tomada quando o mercado ainda estava em entressafra (a nova safra somente seria iniciada em abril). A despeito disso, os preços médios recebidos pelas usinas paulistaspelo etanol hidratado, na média dos primeiros três meses do ano, encontravam-se ao redor de 8,1% abaixo dos níveis registrados no mesmo período de 2018, segundo dados brutos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Os preços saltaram 9,8% em abril na comparação com o primeiro trimestre, ainda com base nas séries levantadas pelo Cepea, mas recuaram novamente em maio, quando as usinas passaram a intensificar a colheita e, portanto, a moagem de cana, mas mantiveram-se quase 6,5% acima dos níveis registrados em maio de 2018. Agora em agosto, considerando a média dos primeiros 16 dias do mês, os preços do etanol hidratado voltaram a subir nas usinas, para quase R$ 1,76 por litro, acumulando variação de 6,2% desde junho e um salto de 24,4% em relação ao mesmo período do ano passado (quando o valor médio recebido por litro pelas usinas alcançou alguma coisa ligeiramente acima de R$ 1,41).

Recordes, ainda assim

Com a política de revisões frequentes para os preços da gasolina, o etanol manteve-se competitivo em relação ao seu principal concorrente e as vendas marcaram novo recorde no primeiro semestre deste ano, crescendo 33% frente ao mesmo período de 2018. Segundo estatísticas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as vendas do hidratado em todo o País saltaram de pouco menos de 8,090 bilhões para quase 10,761 bilhões de litros, num acréscimo de 2,671 bilhões de litros. O ganho semestral supera em quase 50% o volume médio vendido no País mensalmente ao longo dos seis meses iniciais de 2019 (algo como 1,793 bilhões por mês).

Balanço

·   Em Goiás, as vendas cresceram em menor proporção, mas ainda assim avançaram de forma vigorosa, apresentando alta de 28,7% naquela mesma comparação e subindo de 642,82 milhões para 827,72 milhões de litros.

·   Os números da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) mostram que o ritmo de alta pode ter perdido algum fôlego quando se consideram os primeiros meses do ciclo atual.

·   Entre abril e julho deste ano, correspondendo aos primeiros quatro meses da safra 2019/20, as vendas de etanol hidratado no mercado interno aumentaram 25,3% frente aos mesmos quatro meses da safra 2018/19, avançando de 6,115 bilhões para 7,662 bilhões de litros na região Centro-Sul do País.

·   Numa fase de recordes para as vendas de etanol hidratado em todo o País, o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) traz números relativamente mais otimistas do que espera o mercado para a safra 2019/20.A previsão oficial sugere estabilidade relativa para a produção de cana, na faixa de 622,3 milhões de toneladas, alta de 9,5% para a produção de açúcar (para 31,784 milhões de toneladas) e queda de 6,4% para a produção total de etanol (inferior a 30,3 bilhões de litros).

·   Para a Conab, ainda, as usinas tendem a destinar 60,9% da cana (64,5% em 2018/19) para a produção de etanol, reservando 39,1% para o açúcar (frente a 35,5% na safra passada).

·   Dados da Unica para a região Centro-Sul (que responde por quase 92% da produção brasileira de cana), no entanto, mostram que a moagem caiu 2,75% na comparação entre 1º de abril a 1º de agosto deste ano com o mesmo intervalo de 2018, que tombo de quase 10% para a produção de açúcar e baixa de 4,1% para a de etanol.

·   O volume de cana destinado à produção de etanol chegou a 64,7% do total (saindo de 63,5%), com 35,3% para o açúcar (36,5% na safra passada, até 1º de agosto).

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