15 de setembro de 2019
GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

coluna Econômica

Renda do trabalho cai 9,7% neste ano e riqueza financeira continua sua escalada

Publicado por: Lauro Veiga Filho / Postado em 15 de setembro de 2019
Nas estatísticas do Banco Central (BC), liberadas ontem para a imprensa, a massa salarial disponível encolheu de R$ 295,351 bilhões no trimestre encerrado em dezembro do ano passado para R$ 266,635 bilhões na média entre abril e junho deste ano.

A soma de todos os salários recebidos pelo conjunto das famílias brasileiras, já descontados compromissos com Imposto de Renda e pagamentos à Previdência Social, sofreu baixa de 9,66% entre o último trimestre do ano passado e o segundo deste ano, enquanto a riqueza financeira, acumulada pelos mais ricos, continuava sua escalada, alargando as desigualdades e agravando a concentração da renda e das riquezas num país que já é o segundo mais injusto do planeta. Nas estatísticas do Banco Central (BC), liberadas ontem para a imprensa, a massa salarial disponível encolheu de R$ 295,351 bilhões no trimestre encerrado em dezembro do ano passado para R$ 266,635 bilhões na média entre abril e junho deste ano.

A retração talvez ajude a explicar porque a economia voltou a namorar seriamente com nova recessão ao longo do primeiro semestre. Como os dados acima não estão atualizados com base na inflação do período, o tombo em termos reais foi bem mais severo, afetando mais duramente a capacidade de consumo das famílias. Como alívio, mas nem tanto, a massa salarial disponível apresentou elevação de 4,91% na comparação com o segundo trimestre do ano passado, quando havia alcançado R$ 254,143 bilhões. A queda mais recente, no entanto, significa um balde de água fria sobre a demanda doméstica.

Na verdade, a taxa de crescimento em 12 meses da massa salarial vem desacelerando nos últimos meses. As estatísticas do BC tomam como base os rendimentos totais recebidos pelos trabalhadores e registrados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Ampliado, acrescentando transferências de renda do governo federal por meio de programas sociais como o Bolsa Família, além de aposentadorias e pensões recebidas pelas famílias e descontam pagamentos de impostos e contribuições previdenciárias.

Nos 12 meses encerrados em junho de 2016, o BC registrou avanço de 8,21% frente aos 12 meses terminados em junho de 2015, variação reduzida para 5,39% em junho de 2018.Até junho deste ano, sempre considerando um intervalo de 12 meses, a massa salarial variou 4,57% frente a junho de 2018, saindo de R$ 3,145 trilhões para R$ 3,288 trilhões.

Ciranda financeira

Enquanto isso, a montanha de reais estacionada em aplicações diversas no mercado financeiro, incluindo a tradicional poupança, títulos de renda fixa, fundos de investimento e outras operações com títulos federais e privados, avançou 3,22% desde dezembro, com alta de 7,16% na comparação entre julho do ano passado e julho deste ano. Em valores não atualizados, a riqueza financeira aumentou de R$ 6,117 trilhões em julho de 2018 para R$ 6,555 trilhões no mesmo mês deste ano, passando a representar 93,42% do Produto Interno Bruto (PIB). Em julho do ano passado, a relação havia alcançado 91,28%.

Balanço

·   Para comparação, a fatia no PIB da massa salarial ampliada disponível (estimada com base no conceito adotado pelo BC) recuou levemente de 47,11% em junho de 2018 para 47,05% no mesmo mês deste ano (tomando-se, no caso, a massa de salários acumulada em 12 meses).

·   Em outra comparação, a riqueza aplicada no cassino dos juros chegou a ser quase duas vezes maior do que toda a renda das famílias (sempre no conceito do BC, repita-se). Em julho do ano passado, aquelas aplicações eram 94,52% maiores do que a massa salarial ampliada disponível, diferença que avançou para 99,35% em junho deste ano.

·   No final do primeiro semestre, as famílias voltaram a enfrentar o aumento das dívidas bancárias e do serviço (juros e amortizações) gerado por esse tipo de endividamento, comprometendo mais uma vez a capacidade de consumo na economia.

·   O endividamento total, incluindo empréstimos bancários e financiamentos imobiliários, com destaque para a primeira categoria, saiu de 42,0% em junho de 2018 para 44,3% em junho deste ano, o mais elevado desde março de 2016.

·   Numa estimativa da coluna, construída com estatísticas do BC, o saldo daquela dívida teria avançado de R$ 1,321 trilhão (19,80% do PIB) para R$ 1,457 trilhão (20,85%), num salto de 10,3%.

·   A parcela da renda familiar destinada ao pagamento de juros e amortizações daquelas dívidas avançou ligeiramente de 20,30% em junho do ano passado para 20,63% no mesmo mês deste ano, superado apenas por julho de 2017 (20,66%).

Considerada a massa de salários trimestral, o pagamento de juros e amortizações teria exigido R$ 55,01 bilhões no segundo trimestre deste ano, frente a menos de R$ 51,6 bilhões em igual período de 2018, num aumento de 6,6%. 

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar