15 de setembro de 2019
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coluna Econômica

Sem carteira, desocupados e “por conta própria" somam 52% da força de trabalho

Publicado por: Lauro Veiga Filho / Postado em 15 de setembro de 2019
mercado de trabalho continua enfrentando perda de qualidade nos empregos gerados, com degradação de direitos e garantias

Até o final do primeiro semestre de 2012, o total de pessoas que trabalhavam por conta própria respondia por pouco mais de um quinto do total de ocupados em toda a economia, somando empregos formais e informais, de acordo com as séries estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), que começou a ser apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) naquele mesmo ano. Depois de dois anos de recessão e mais de três anos e meio de estagnação econômica, o mercado de trabalho continua enfrentando perda de qualidade nos empregos gerados, com degradaçãode direitos e garantias, agravada pelo desemprego ainda elevado,para 55,489 milhões de trabalhadores.

O número reflete o total de pessoas desocupadas no País e ainda trabalhadores sem carteira e por conta própria no dado de julho deste ano, resumindo a situação do mercado no trimestre encerrado naquele mês. Somadas, as três categorias passaram a responder por 52,3% de toda a força de trabalho, num número inédito, que se compara a 46,2% no segundo trimestre de 2012. Naquele período, a pesquisa registrava 44,827 milhões de pessoas sem qualquer emprego, trabalhando por conta própria ou sem registro em carteira. Em pouco mais de sete ano, o número aumentou 23,8%, significando a perda de qualidade de vida para mais 10,662 milhões de trabalhadores, o que significou três vezes mais do que o total de ocupações geradas pela economia no período.

Pouco mais da metade desse crescimento pode ser explicado pelo salto de 83,3% no total de desempregados, que avançou de 6,856 milhões para 12,569 milhões de pessoas, com a taxa de desemprego saindo de 7,07% para 11,84%. Mas este já é um dado mais do que conhecido. Além do aumento na desocupação, o total de pessoas que passou a trabalhar por conta própria aumentou 19,6% naquele mesmo período, saindo de 20,258 milhões para 24,227 milhões de trabalhadores (ou seja, 3,969 milhões a mais). O pessoal ocupado por conta própria, que representava 22,5% do total de ocupados, teve sua participação elevada para 25,9%.

Perdas

Numa tendência oposta (mas complementar, obviamente), o número de trabalhadores com carteira assinada tem perdido participação no total de ocupados, sofrendo retração de 4,1% desde o segundo trimestre de 2012, saindo de 37,858 milhões de pessoas para 36,235 milhões no trimestre maio-julho deste ano (representando o fechamento de 1,533 milhão de empregos com registro formal). Os trabalhadores sem carteira passaram a somar 18,691 milhões neste ano, respondendo por quase um quinto dos ocupados (19,97% numa conta mais precisa). Na comparação com 2012, o incremento ficou limitado a 5,5% (978,0 mil a mais), até porque esse número ainda cairia até por volta de 2014, quando a economia entrou em recessão.

Balanço

·   Em outra soma, trabalhadores sem carteira e por conta própria tiveram sua participação no número total de ocupados elevada de 42,15% para 45,86% no período analisado neste espaço, representando um aumento de 13,0% (o que correspondeu, por sua vez, a mais 4,949 milhões de pessoas).

·   Considerando o restante dos ocupados (sem “conta própria” e “sem carteira”), o total de empregos ainda encolheu 2,78% naquele mesmo intervalo, reduzido de 52,111 milhões para 50,664 milhões (quer dizer, com perda de 1,447 milhão de vagas).

·   A informalidade tem salvo o mercado de trabalho, o que, por si, não é uma garantia de recuperação mais firme, especialmente em um momento em que a atividade econômica continua derrapando entre um avanço de 0,80% e 0,87% na estimativa mais recente do relatório Focus, do Banco Central (BC) – o que significou um ajuste e tanto, já na segunda casa depois da vírgula, em relação à projeção da semana passada.

·   O total de trabalhadores na indústria, que em geral responde pelas ocupações de maior qualidade e rendimentos mais elevados, sofreu redução de 8,22% ainda na comparação entre o segundo trimestre de 2012 e o trimestre maio-julho deste ano. Esse número caiu de 13,122 milhões para 12,044 milhões, com encerramento de 1,078 milhão de empregos.

·   A participação da indústria no total de ocupados na pesquisa do IBGE baixou de 14,57% para 12,87%.

·   Mais 9,215 milhões de pessoas reforçaram a força de trabalho desde 2012, num incremento de 9,51% (de 96,938 milhões para 106,153 milhões), mas a economia somente conseguiu criar 3,502 milhões de novas ocupações, já que o total de ocupados passou de 90,082 milhões para 93,584 milhões (mais 3,89%).

O baixo crescimento trouxe ainda um aumento histórico para o número de trabalhadores em situação de desalento, num salto de 50,4% (de 1,929 milhão para 4,831 milhões. A subutilização cresceu 45,74%, de 19,285 milhões para 28,106 milhões de pessoas (8,821 milhões a mais). 

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