13 de novembro de 2019
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coluna Econômica

Concentração da renda do trabalho piora no Brasil, mas cede ligeiramente em Goiás

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de novembro de 2019
Embora em desaceleração, a desigualdade voltou a se aproximar dos índices mais elevados observados no início da década

A concentração da renda no Brasil e em Goiás, medida pelo índice de Gini (que varia de zero – o que seria a igualdade total – até um, a máxima desigualdade possível), vinha sofrendo baixa até 2015 e, desde a crise, voltou a aumentar, segundo essa tendência até o ano passado para o País como um todo, desacelerando discretamente na passagem de 2017 para 2018 no caso do Estado. Embora em desaceleração, a desigualdade voltou a se aproximar dos índices mais elevados observados no início da década.

Os indicadores estão nos dados consolidados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre os rendimentos recebidos pelas pessoas ocupadas entre 2012 e o ano passado, num retrato da má distribuição da renda no mercado de trabalho. No Brasil, o índice de Gini (uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano CorradoGini) recuou de 0,540 para 0,524 entre 2012 e 2015, o mais baixo da década, refletindo o crescimento experimentado pela economia no período. Em Goiás, que historicamente apresenta uma concentração de rendimentos inferior à média brasileira, o mesmo coeficiente recuou de 0,475 para 0,458.

Os anos de recessão e de baixíssimo crescimento econômico, com desemprego em elevação, fizeram o indicador avançar até 0,545 na média de todo o País no ano passado, saindo de 0,538 em 2017. Com a piora, a concentração tornou-se ainda mais severa do que nos primeiros anos da década. O índice de Gini igualmente voltou a anotar piora em Goiás a partir de 2016, alcançando sua pior marca em 2017 (0,478) para recuar apenas levemente no ano passado, para 0,471. De qualquer forma, trata-se de um resultado pior do que aquele observado em 2015.

Má distribuição

A desigualdade está igualmente retratada na má distribuição da massa total real de rendimentos por domicílio. A metade mais pobre da população goiana chegou a ter 22,4% da soma de todos os rendimentos (o que forma naturalmente a massa de rendimentos) em 2015, saindo de 21,4% em 2012. Essa fatia encolheu para 20,9% em 2018, quando a faixa dos 10% mais ricos passou a acumular 36,6% dos rendimentos totais recebidos pela população. Trata-se de uma participação inferior aos 38,1% registrados em 2012 e 2013, mas muitas vezes superior à renda total destinada à metade de renda mais baixa.

Balanço

·   Os números para o Brasil são ainda piores. Os 50% mais pobres saíram de uma participação de 16,9% em 2012 para 17,7% em 2015, mas foram perdendo espaço nos anos seguintes até alcançar uma participação de apenas 16,2% no ano passado.

·   Na outra ponta da pirâmide, os 10% mais ricos da população brasileira perderam participação no período que antecedeu a crise, saindo de 43,0% para 41,4% entre 2012 e 2015. Mas recuperaram o terreno perdido com alguma sobra, avançando para 43,1% no ano passado.

·   A massa real de rendimentos médios domiciliar avançou num ritmo mais acelerado antes da crise, crescendo 30,3% no País e 31,3% em Goiás na comparação entre 2012 e 2015. Na soma total do País, a massa passou de R$ 173,03 bilhões para R$ 225,50 bilhões, evoluindo, em Goiás, de R$ 5,412 bilhões para R$ 7,104 bilhões.

·   A partir da crise observa-se alguma desaceleração, com a massa crescendo 23,2% na média do Brasil e 24,8% em Goiás, atingindo respectivamente R$ 277,70 bilhões e R$ 8,869 bilhões em 2018.

·   A participação goiana manteve-se praticamente inalterada desde o início da série estatística da PNADC, variando de 3,12% para 3,19% de 2012 para 2018.

·   A distância entre os mais pobres e os muito ricos continuou exacerbada. A diferença entre a massa de rendimentos da população incluída entre o 1,0% mais rico e aquela percebida pelos 10% mais pobres chegou a 15,2 vezes na média brasileira e a 6,0 vezes em Goiás.

·   Há outras diferenças entre Goiás e o restante do País quando se consideram as duas faixas de rendimentos. Além da menor distância relativa, que ainda assim tem se mantido ao longo dos anos, no Estado a massa de rendimentos dos 10% de menor renda subiu de forma mais intensa, numa variação de 35,1% entre 2012 e 2018. No mesmo intervalo, a massa de rendimentos do 1% mais rico aumentou 30,8%.

Na média do Brasil, o 1% mais rico acumulou um ganho de 60,5%, o que se compara com uma variação de 34% para os 10% mais pobres. Isso se refletiu na divisão da massa por faixa de rendimentos. No Brasil, apenas 1% da população detinha, no ano passado, 12,2% da soma total de rendimentos (mesmo índice de 2012), participação que havia recuado em Goiás para 8,6% (diante de 10,8% em 2012). 

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