15 de novembro de 2019
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coluna Econômica

PIB do agronegócio registra queda no primeiro semestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 15 de novembro de 2019
Coluna do jornalista Lauro Veiga Filho

Se havia ainda a expectativa de algum avanço para o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio neste ano, os dados de julho do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, lançaram mais um balde de água gelada sobre o setor. Calculado em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), a produção de riquezas pelo campo acumulou recuo de 0,32% nos sete primeiros meses deste ano em relação a igual intervalo de 2018, considerando a mesma metodologia incorporada ao cálculo do PIB brasileiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No primeiro semestre, quando se comparam os volumes gerados entre 208 e 2019, o setor já tinha flertando com certa estagnação, acumulando uma variação de 0,15% – tão discreta que nem mereceria ser classificada como “crescimento”, especialmente quando se examina o histórico do setor ao longo do ano. O recuo observado em julho parece tornar mais próxima uma conjuntura de real paralisação das atividades no setor, com provável exceção para a pecuária, que continua apresentando números mais positivos, inclusive quando se leva em conta as estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o Valor Bruto da Produção (VBP) – um indicador que guarda uma relação distante e apenas circunstancial com o cálculo do PIB do setor, medido com base no valor adicionado por cada uma das etapas da produção agropecuária em cada um de seus segmentos (produção primária, ou seja, da porteira para dentro; as atividades de fabricação, distribuição e revenda de insumos destinados à produção no campo; serviços prestados ao setor, como armazenagem, assistência técnica e extensão rural; e a produção da agroindústria).

Sempre com base no conceito de “volume”, o PIB do ramo agrícola registrou baixa de 1,12% entre janeiro e julho, frente aos mesmos sete meses de 2018, com tombo de 2,69% no setor primário e de 1,39% nos chamados “agrosserviços”, na classificação do Cepea. A indústria de base agrícola recuou 0,98%, com elevação de 5,40% para o setor de insumos para as lavouras – a exceção nesta área.

O lado positivo

A pecuária tem funcionado neste ano como uma espécie de anteparo para o setor, impedindo um mergulho mais forte do PIB. Nos sete meses iniciais deste ano, a atividade apresentou crescimento de 1,90%, com alta de 4,34% na produção primária e avanços de 0,83% para a agroindústria do setor e de 1,09% para os serviços. O setor de insumos manteve-se praticamente estagnado, com variação negativa de 0,09%. Entre outros fatores, o setor tem sido favorecido pelo bom comportamento da pecuária de corte e ainda pela alta nas exportações, que subiram quase 7,0% no acumulado entre janeiro e setembro deste ano, atingindo US$ 11,504 bilhões diante de US$ 10,756 bilhões no mesmo período e 2018. No total, o agronegócio reduziu suas exportações em 5,7% no período, de US$ 76,319 bilhões para US$ 71,979 bilhões.

Balanço

·   No conceito de renda, que corresponde à metodologia tradicionalmente aplicada pelo Cepea, o PIB do agronegócio apresentou variação de 0,12% em julho, acumulando elevação bastante modesta de 0,64% em sete meses, sempre comparando com idênticos períodos de 2018.

·   A tendência repete-se aqui, com baixa de 1,75% para a agricultura e todos os setores associados à atividade e salto de 7,04% para a pecuária. Na comparação mensal, a agricultura registrou o segundo mês de baixa, depois do recuo de 0,83% em junho. A pecuária, ao contrário, saiu de uma retração de 0,91% em junho para um avanço de 2,30% em julho.

·   O Valor Bruto da Produção (VBP), nos dados revisados em setembro pelo Mapa, mostra um comportamento equivalente entre as lavouras e a pecuária, lembrando que esse conjunto de números serve mais como referência sobre o comportamento da renda bruta no campo (até porque não estão incluídos aqui os serviços, o segmento de insumos e a agroindústria).

·   No total, a valores de setembro deste ano, a “renda bruta” do campo foi estimada em R$ 606,19 bilhões neste ano, num avanço de 1,7% frente aos R$ 596,08 bilhões estimados para 2018. O faturamento bruto da pecuária tende a avançar de R$ 195,51 bilhões para R$ 208,10 bilhões, crescendo 6,4% (graças principalmente ao salto de 12,8% esperado para o valor bruto do setor de produção de frango, que deverá aumentar de R$ 55,479 bilhões para quase R$ 62,590 bilhões).

·   A renda bruta dos produtores de bovinos e suínos tende a crescer, respectivamente, 2,7% e 9,5%, com salto ainda de 21,4% para os produtores de ovos.

·   Na agricultura, a receita bruta deverá recuar 0,6% em termos reais, de R$ 400,57 bilhões para R$ 398,09 bilhões, derrubadas pelo tombo de 12,1% projetado para a renda dos produtores de soja, que tende a encolher de R$ 148,60 bilhões para R$ 130,55 bilhões.

·   Para Goiás, o Mapa projeta elevação de 3,4% na renda da agropecuária, com avanço de R$ 47,049 bilhões para R$ 48,649 bilhões. Aqui, espera-se bom comportamento para as lavouras, embora modesto, com elevação de 2,0% (para R$ 31,635 bilhões) impulsionada pelo aumento de 24,2% nas rendas do milho (estimadas em R$ 5,616 bilhões) e salto de 55,7% para o algodão (R$ 1,132 bilhão).Os aumentos compensarão a queda de 11,8% nas receitas da soja, previstas em R$ 12,169 bilhões.

A pecuária deverá avançar 6%, atingindo R$ 17,014 bilhões, com a ajuda do aumento de 16,5% previsto para o frango (R$ 4,295 bilhões).  

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