13 de novembro de 2019
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coluna Econômica

Sem força, empresas não conseguem repassar alta de preços ao consumidor

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de novembro de 2019
Até a segunda quinzena de agosto, o IGP-M acumulado no ano alcançou 4,98%, puxado pela alta de 5,98% dos preços no atacado

Os números parciais indicam que os preços se mantiveram razoavelmente bem-comportados na primeira quinzena de outubro, sugerindo que o mês tende a se encerrar com uma taxa de inflação inferior àquela alcançada em outubro do ano passado, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia atingido 0,45%. Com a inflação em 12 meses muito abaixo do centro da meta inflacionária, fixado em 4,25% para este ano, com tolerância de meio ponto de porcentagem para baixo ou para cima, presume-se que as próximas rodadas de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) tenderiam a referendar uma trajetória ainda de redução dos juros básicos. Ao menos é o que determina o tal regime de metas inflacionárias, obedecido pelo Banco Central (BC) com presteza apenas quando se trata de aumentar os juros, o que sempre leva a uma explosão no custo do crédito, detonando o investimento.

A opção mais “cautelosa” do BC, para reforçar um argumento recorrente exposto pela coluna, apenas ajudou a alongar a tormentosa e claudicante trajetória da atividade econômica, com desemprego elevado e recordes no número de trabalhadores em desalento e no subemprego. O crescimento muito aquém daquele necessário para reverter o cenário atual surge mais uma vez nos indicadores apurados também pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O comportamento do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), calculado pela instituição, sugere uma economia muito abaixo do seu potencial, como demonstram os dados a seguir.

Até a segunda quinzena de agosto, o IGP-M acumulado no ano alcançou 4,98%, puxado pela alta de 5,98% dos preços no atacado, conforme aponta o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que contribui com 60% na formação do IGP-M. Ainda no atacado, os produtos agropecuários subiram 6,52% desde janeiro, com alta de 5,80% para os produtos industriais. Para comparar, os preços ao consumidor tiveram variação modestíssima, diante das elevações observadas no mercado atacadista e dentro das empresas, subindo apenas 2,72%.

A debilidade da demanda

Obviamente, não há uma relação automática entre os preços nos dois setores, ou seja, aumentos de preços para os produtores e no atacado nem sempre levam a aumentos de preços para o consumidor final. Em condições normais, no entanto, essas altas no atacado acabam se transferindo, em algum momento, ainda que com intensidades diversas, para o mercado de varejo. Parece evidente, portanto, que não é isso o que está ocorrendo, o que apenas reforça o cenário atual de baixa demanda na ponta final do consumo. Mais literalmente, as empresas não têm conseguido repassar altas de preços (e de custos, já que os preços das matérias-primas brutas saltaram 14,45% desde janeiro) para o consumidor final, o que parece ser uma das explicações para as taxas de inflação reduzidas.

Balanço

·   A segunda prévia do IGP-M, que compara os preços coletados entre 21 de setembro e 10 de outubro com os preços apurados de 21 de agosto a 20 de setembro, apontou elevação de 0,85%, diante de uma queda de 0,28% entre os 10 dias finais de agosto e os primeiros 10 dias de setembro.

·   O IPA saiu de uma deflação (inflação negativa, significando isso mesmo, queda nos preços médios) de 0,52% para um aumento de 1,29%, principalmente pelo encarecimento dos produtos industriais (que subiram 1,42% depois de terem anotado recuo de 1,14%).

·   Mas o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) manteve-se em terreno negativo, repetindo o recuo de 0,05% observado na segunda prévia do IGP-M de setembro. As maiores contribuições para a manutenção do índice vieram dos setores de alimentação (em queda novamente, embora em menor intensidade) e de habitação (que saiu de elevação de 0,33% para redução leve de 0,16%).

·   O IPCA-15 de outubro apresentou variação de apenas 0,09%. Houve inversão de sinais em relação aos 30 dias de setembro, quando o IPCA “cheio” havia recuado 0,04% (quase estabilidade, na verdade). De qualquer forma, foi a menor taxa para o período desde outubro de 1998 (0,01%).Apenas como exercício, se essa mesma taxa se repetisse ao longo dos próximos 12 meses, a inflação em um ano ficaria abaixo de 0,5%.

·   A grande pressão veio dos produtos de higiene pessoal e farmacêuticos, que somados contribuíram com 0,08 ponto de porcentagem para o IPCA-15 deste mês. Em outro exercício matemático, isso significa que, excluídas aquelas duas classes de produto, todos os demais itens que compõem o IPCA teriam anotado uma variação de apenas 0,01%.

·   Itens importantes subiram igualmente, a exemplo da gasolina (saindo de recuo de 0,06% para alta de 0,76%), óleo diesel (3,33% de alta) e etanol (0,52%). Esses movimentos foram compensados pela redução de 0,25% nos custos da alimentação, de 0,23% nas despesas com habitação e de 0,21% nos gastos com artigos para casa. 

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