13 de novembro de 2019
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coluna Econômica

“Riqueza” financeira estacionada no mercado passa a superar 95% do PIB

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de novembro de 2019
A redução dos juros básicos pouco alterou o cenário no mercado financeiro, até porque a economia continua amplamente sob o domínio do setor

A redução dos juros básicos pouco alterou o cenário no mercado financeiro, até porque a economia continua amplamente sob o domínio do setor, em um país onde os rentistas (aqueles que vivem dos lucros gordos proporcionados por aplicações financeiras) ditam a política econômica desde pelo menos o final da primeira metade dos anos 1990. Não é exatamente causa de surpresa, portanto, que a chamada “riqueza” financeira continue a avançar, assumindo proporções exageradas ao longo do tempo, acirrando a concentração e as desigualdades num País que já se coloca entre os mais desiguais do planeta.

Numa conta que soma o estoque de dinheiro estacionado em aplicações na tradicional caderneta de poupança, em fundos de renda fixa, em títulos privados e papéis federais, emitidos pelo Tesouro, essa “riqueza” passou a corresponder a praticamente 95,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro deste ano. Segundo dados do Banco Central (BC) trabalhados pela coluna, essa “riqueza” financeira avançou de R$ 6,271 trilhões em setembro do ano passado, quando correspondia a 92,88% do PIB, para R$ 6,713 trilhões em igual mês deste ano, acumulando variação de 7,05%.

Para comparação, ainda conforme as séries estatísticas do BC, em setembro de 2015 a participação do saldo daquelas aplicações financeiras no PIB havia sido de 87,51%. Ou seja, a montanha de dinheiro desviada para aplicações financeiras e para o cassino dos juros registrou uma elevação equivalente a 7,56 pontos porcentuais sobre o PIB, demonstrando um vigor não observado em todo o restante da economia, que continua patinando quase três anos após encerrada a recessão.

Dreno de reais

Em valores nominais, a “riqueza” financeira aumentou 33,63% desde setembro de 2015, saindo de R$ 5,024 trilhões. O PIB, nas projeções adotadas pelo BC, registrou elevação nominal em torno de 23%. Apenas como referência, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou elevação de 20,27% entre setembro de 2015 e o mesmo mês de 2019. Toda essa dinheirama permanece estacionada principalmente em aplicações de curtíssimo prazo, sem gerar emprego, renda e um mísero parafuso sequer, com o mercado financeiro funcionando como um dreno do dinheiro que circula no País. Na prática, não faltam recursos, mas falta poupança, entendida como as “reservas” construídas pelas empresas, pelos governos e pelas famílias para financiar o crescimento, a expansão dos negócios e a ampliação do bem-estar da sociedade

Balanço

·   Agora, caro leitor, cara leitora, compare com o que tem ocorrido com a massa salarial ampliada disponível. O nome parece complicado, mas significa a soma de todos os salários pagos, mais rendimentos de pensões, aposentadorias e dos programas públicos de transferência de renda para os mais pobres (como o Bolsa Família), já descontados o Imposto de Renda recolhido na fonte e a contribuição para a Previdência, num cálculo realizado pelo BC.

·   Neste caso, como há uma defasagem maior na divulgação, já que a autoridade monetária depende da divulgação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dos números mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), a comparação levará em conta o período entre agosto de 2015 e igual período deste ano.

·   Nesse intervalo, a tal “riqueza” financeira cresceu 31,8% (já que havia alcançado R$ 5,017 trilhões em agosto de 2015, saltando neste em agosto deste ano para R$ 6,609 trilhões). A participação no PIB saltou de 87,71% para 93,87%, num acréscimo de 6,16 pontos de porcentagem.

·   A massa salarial, com os avanços registrados antes da crise, acumulou variação muito próxima, subindo 31,4% (de R$ 2,533 trilhões para R$ 3,328 trilhões). Mas sua fatia no PIB avançou 2,98 pontos, saindo de 44,29% para 47,27%. Embora a variação nominal tenha sido muito próxima, o avanço sobre o PIB das “riquezas” financeiras foi duas vezes maior (6,16 diante de 2,98 pontos de porcentagem, mais claramente).

·   Num período mais recente, as diferenças têm se alargado. Entre agosto de 2018 e o igual mês deste ano, enquanto a massa salarial cresceu 5,44% (em valores nominais), a “riqueza” financeira aumentou 6,21%.

Considerando a participação no PIB, o lado financeiro da economia ampliou sua vantagem, elevando sua fatia de 92,47% para 93,87% (1,40 pontos a mais). A parte da massa salarial disponível na riqueza total elevou-se ligeiramente de 46,90% para 47,27% (quer dizer, um acréscimo de apenas 0,37 pontos). 

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