13 de novembro de 2019
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coluna Econômica

Saneago experimenta forte melhora no desempenho, mas reduz investimentos

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de novembro de 2019
Melhoria nos números não veio acompanhada de maiores investimentos, que, ao contrário, encolheram fortemente no trimestre entre julho e setembro

A expansão da base de clientes, acompanhada por um avanço nos volumes de água e esgoto faturados, e ainda o reajuste de 5,79% nas tarifas cobradas dos clientes, autorizado a partir de 1º de julho pela Agência Goiana de Regulação (AGR), ajudaram a turbinar os resultados da Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) no terceiro trimestre deste ano e favoreceram ainda o desempenho acumulado nos primeiros nove meses de 2019. Os dados, ainda que involuntariamente, surgem no momento em que a Assembleia Legislativa ensaia iniciar as discussões do projeto que prevê a abertura do capital da estatal, venda de 49% de suas ações a empresas privadas.

A melhoria nos números não veio acompanhada de maiores investimentos, que, ao contrário, encolheram fortemente no trimestre entre julho e setembro e fecharam o acumulado até setembro igualmente em baixa.O investimento total, incluindo as redes de água e esgoto e recursos destinados ao setor de tecnologia da informação, desabou de R$ 82,753 milhões no trimestre encerrado em setembro do ano passado para R$ 48,797 milhões em 2019, numa retração de 41,0%. Nos nove meses iniciais deste ano, a companhia investiu R$ 144,033 milhões, o que se compara com R$ 199,001 milhões no mesmo intervalo de 2018, demonstrando uma queda de 27,6%.

Aparentemente, a Operação Decantação, detonada em 24 de agosto de 2016, teria afetado as decisões de investimento dentro da empresa, já que os valores destinados à expansão do sistema passaram a encolher mais fortemente desde então. Nos dados da própria Saneago, os investimentos somaram R$ 2,148 bilhões entre 2013 e setembro de 2019, dos quais praticamente dois terços (61,7%) foram realizados entre 2013 e 2015, somando R$ 1,324 bilhão.

O valor investido chegou a encolher para R$ 125,716 milhões em 2017, praticamente 76,4% menor do que os R$ 533,116 milhões destinados a investimentos ao longo de 2014 (valor recorde até o momento). Depois disso, mais do que dobrou em 2018, saltando para R$ 263,577 milhões (mas ainda muito abaixo do ritmo verificado antes da operação), e volta agora a recuar, possivelmente refletindo a fase de adaptação da nova equipe e, mais provável, as dificuldades recorrentes enfrentadas pela empresa na geração de caixa próprio.

O lado positivo

Na conta de resultados da concessionária, a receita líquida avançou 10,2% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, atingindo R$ 636,480 milhões em idêntico período deste ano, frente a R$ 577,763 milhões em 2018. Custos e despesas totais, por sua vez, apresentaram variação de apenas 1,2% entre aqueles dois trimestres, saindo de R$ 561,648 milhões para R$ 568,172 milhões, influenciado pela queda vigorosa nas provisões (-53,7%) e ainda pelo recuo nas despesas com energia elétrica (-2,3%) e nos gastos com serviços de terceiros (-6,6%). O tombo de 34% nas despesas financeiras líquidas, para R$ 28,253 milhões (frente a R$ 42,830 milhões no terceiro trimestre de 2018), igualmente ajudou na mudança de sinais no resultado líquido, que deixou para trás um prejuízo de R$ 15,115 milhões para realizar um lucro de R$ 21,726 milhões, numa reviravolta de quase R$ 37,0 milhões.

Balanço

·   No acumulado dos primeiros nove meses deste ano, a receita líquida da Saneago atingiu R$ 1,675 bilhão, crescendo 6,7% em relação a R$ 1,570 bilhão realizados entre janeiro e setembro do ano passado. Diante da evolução observada nos primeiros meses deste ano, as despesas e custos gerais subiram mais fortemente, em alta de 8,4% entre os dois períodos, saindo de R$ 1,393 bilhão para quase R$ 1,510 bilhão.

·   Influenciado pelos gastos que a companhia teve que enfrentar no processo de afastamento voluntário dos empregados que aderiram ao plano de demissão motivada, as despesas com pessoal p esaram mais, subindo 18,9% em relação aos nove meses iniciais de 2018. Em valores nominais, avançaram de R$ 630,378 milhões (40,14% da receita líquida) para R$ 749,551 milhões (44,75%).

·   Ainda assim, o lucro líquido da concessionária cresceu 11,4%, avançando de R$ 69,315 milhões para R$ 77,235 milhões. O incremento explica-se, aparentemente, pela retração expressiva no gasto financeiro líquido, que desabou de R$ 96,495 milhões para R$ 45,799 milhões, já descontadas as receitas financeiras.

·   A entrada de R$ 140,0 milhões, captados no mercado via lançamento de debêntures, ajudou a aumentar em 318% a posição de caixa, que saltou de R$ 43,997 milhões em dezembro passado para R$ 183,927 milhões em setembro deste ano, fazendo o ativo circulante crescer 35,47%, para R$ 637,509 milhões.

·   A movimentação teve impacto sobre os índices de liquidez de curto prazo. Até dezembro, a empresa não dispunha de recursos (sempre a curto prazo) para fazer frente a compromissos a vencer nos 12 meses seguintes. O passivo circulante era R$ 56,276 milhões maior do que todo o ativo circulante. Em setembro, essa posição inverteu-se e registrava-se uma “sobra” de R$ 31,013 milhões (ou seja, os recursos a receber em 12 meses passaram a ser maiores do que as despesas a vencer no período).

A dívida líquida recuou 8,9% entre setembro deste ano e dezembro de 2018, caindo de R$ 921,711 milhões para R$ 839,868 milhões. Desde 2015, quando havia atingido R$ 1,077 bilhão, a dívida já caiu 22,0%.

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