13 de novembro de 2019
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coluna Econômica

Mais um ano perdido para a indústria, depois de quatro trimestres no vermelho

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de novembro de 2019
Coluna Lauro Veiga Filho

A três meses do final de 2019, levando-se em conta a edição de setembro da pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção industrial, parece já pouco provável que a indústria consiga algum alívio significativo até lá. Os números de setembro trouxeram pouco alento e, adicionalmente, vieram abaixo do que esperavam os mercados, conforme anota a equipe de macroeconomia do Itaú BBA e reforça o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O fato é que a produção industrial tem sido fustigada em duas frentes simultaneamente, sem perspectivas de mudanças mais relevantes daqui até dezembro e, muito provavelmente, também ao longo das primeiras semanas do próximo ano. Se a demanda doméstica não tem respondido à altura, no front externo, as exportações de manufaturas vêm encolhendo (e continuaram em baixa também em outubro, o que já não prenuncia notícias muito animadoras para o setor naquele mês). No terceiro trimestre deste ano, comparado a igual período do ano passado, as exportações de bens manufaturados caíram 12,2% – comportamento influenciado especialmente pelo tombo na atividade econômica na Argentina, o que tem reduzido substancialmente as compras de produtos brasileiros, com destaque para automóveis, suas peças e acessórios. Em outubro, as vendas externas de manufaturados despencaram 26,5%.

No mercado interno, há muito pouco a celebrar, embora exista um tipo de comentarista econômico, em geral a serviço de sistemas globais de comunicação, sempre disposto a destacar o lado mais róseo dos dados (ainda que reste muito pouco rosa a ser destacado, para desgosto de algumas autoridades do governo atual). O fato concreto é que a produção industrial já acumula quatro trimestres consecutivos de resultados negativos, ainda que os números mensais possam oscilar entre o azul e o vermelho a cada medição.

Além de Brumadinho

A recuperação esboçada nos trimestres finais de 2017 foi abortada na segunda metade do ano seguinte e a indústria não demonstrou forças para voltar a crescer até aqui, mesmo depois de esgotados os efeitos negativos gerados pela paralisação dos caminhoneiros em maio de 2018. Uma parcela desse baixo crescimento e da queda efetiva na produção, como aponta o Iedi, deve ser atribuída ao tranco sofrido pela indústria de extração mineral, sobretudo em função da tragédia de Brumadinho (MG). Mas, acrescenta o instituto, “muitos dos segmentos industriais que seguem crescendo perderammuito de seu dinamismo ao longo do ano. É nesse sentido que 2019 contribui pouco ou nada para a recuperação industrial”.

Balanço

·   A pesquisa do IBGE deixa pouca margem para duvidar de como os últimos meses desde o final de 2018 têm sido pouco animadores para o setor. A produção industrial fechou o quarto trimestre de 2017 com alta de 5,0% na comparação com os três meses finais do ano anterior, prenunciando talvez, quem sabe, o início da recuperação aguardada desde o encerramento de 2016.

·   Mas o ritmo veio murchando ainda antes do “choque” produzido pela movimentação dos caminhoneiros. No primeiro e no segundo trimestres de 2018, a produção avançou 2,8% e 1,6% pela ordem (neste último período, já sob efeito da greve).

·   O terceiro trimestre do ano passado foi também o último com crescimento, embora a variação tenha se limitado a 1,0%. Já no quarto trimestre, a produção recuou 1,3%. Nos três primeiros trimestres deste ano, ou seja, desde a troca de governo e posse do ministro que prometeu zerar o déficit primário em um ano e retomar o crescimento, a produção sofreu quedas de 2,1%, de 0,8% e de 1,2%.

·   Como se percebe, houve algum arrefecimento na tendência de baixa no segundo trimestre, não referendada pelos dados do trimestre seguinte, que apontaram um mergulho ligeiramente mais intenso. Em setembro, observa o Iedi, “a produção industrial praticamente não avançou, registrando apenas (variação de) 0,3% frente a agosto, já descontados os efeitos sazonais. Este têm sido o padrão de 2019: quando não há queda, a taxa de crescimento é baixa”.

·   Na leitura dos economistas do Itaú BBA, o resultado de setembro veio abaixo as expectativas do mercado, que esperava, na média, uma variação de 0,9% em relação a agosto, já descontados fatores sazonais que poderiam distorcer a comparação. O próprio banco esperava uma variação bem mais fornida, na faixa de 1,2%.

O dado levou a instituição a revisar levemente para baixo sua projeção para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, saindo de 0,5% para 0,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. A revisão em si significa muito pouco. O mais relevante é que o crescimento da economia tende a se manter apático, com a atividade derrapando e quase parando. 

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