06 de setembro de 2020
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Gastos do País com serviços tecnológicos atinge US$ 92 bilhões entre 2015 e 2019

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 06 de setembro de 2020
Seu crescimento em relação aos valores remetidos para fora do País nos cinco anos anteriores esteve associado majoritariamente à retração das receitas obtidas pelo Brasil| Foto: Divulgação

Nos últimos cinco anos, os gastos do Brasil com serviços especializados e de maior conteúdo tecnológico no exterior somaram US$ 91,913 bilhões, concentrados em grande parte no aluguel de equipamentos, item que inclui plataformas para exploração de petróleo em alto mar. Mas seu crescimento em relação aos valores remetidos para fora do País nos cinco anos anteriores esteve associado majoritariamente à retração das receitas obtidas pelo Brasil com a venda de serviços de arquitetura e engenharia a outros países, segmento afetado duramente nos últimos anos e literalmente lançado fora do mercado internacional de serviços altamente especializados.

Os dados do Banco Central (BC) mostram que as despesas com serviços mais sofisticados saíram de US$ 81,588 bilhões entre 2010 e 2014 para US$ 91,913 bilhões nos cinco anos seguintes, num acréscimo de US$ 10,325 bilhões em grandes números (ou seja, uma alta de 12,66% no período). Na comparação entre 2010/2014 e 2015/2019, os ganhos líquidos com a exportação de serviços de engenharia (já descontada a despesa nesta mesma área) caíram 14,77%, saindo de US$ 46,151 bilhões para US$ 39,333 bilhões, numa perda equivalente a US$ 6,818 bilhões, contribuindo com 95,1% para o aumento experimentado pelo País nos gastos totais com serviços mais sofisticados. Observado ano a ano, as receitas com a venda de serviços de engenharia no exterior despencaram 54,0% entre 2014 e 2019, encolhendo de US$ 12,651 bilhões para US$ 5,820 bilhões – o resultado mais baixo desde 2006, quando haviam alcançado US$ 4,790 bilhões.

O aluguel de equipamentos, possivelmente em função da crise e das mudanças na legislação tributária aplicada às transações envolvendo plataformas de petróleo, exigiu menores desembolsos do País, mas continuou sendo o principal item entre os gastos com serviços. Nos cinco anos terminados em 2019, o Brasil desembolsou US$ 89,543 bilhões para alugar equipamentos importados, levemente abaixo dos US$ 90,822 bilhões gastos entre 2010 e 2014. No caso, a “economia” chegou a US$ 1,279 bilhão, ajudando a aliviar as despesas nesta área.

Tecnologia importada

Os gastos a título de propriedade intelectual, envolvendo licenças e royalties pela utilização de tecnologias importadas, num exemplo, foram o segundo foco de pressão entre os dois períodos analisados aqui, apresentando um avanço de 13,75% e uma despesa adicional de US$ 2,770 bilhões. As receitas geradas pela tecnologia brasileira usada no exterior mais do que dobraram no período, saltando de US$ 1,510 bilhão (2010/2014) para US$ 3,341 bilhões (2015/2019), o que significou a entrada de US$ 1,831 bilhão adicionais. Historicamente muito mais elevadas, as despesas avançaram 21,24% no período analisado, elevando-se de US$ 21,661 bilhões para US$ 26,262 bilhões, gerando despesas extras de US$ 4,601 bilhões. A base elevada, ainda que sob uma variação proporcionalmente menor, gerou um gasto relevante e ajudou a elevar o saldo negativo nessa conta.

Balanço

·   Numa avaliação de mais longo prazo, a sinalização é menos positiva. Os serviços de propriedade intelectual, em geral associados a transferências de tecnologia e mesmo à venda de programas de computador e games, produziram uma receita para o País de apenas US$ 433,808 milhões em 2009, valor elevado em quase 48% até 2019, quando renderam US$ 641,114 milhões.

·   Mas despesas foram mais do que dobradas, subindo 112,75% entre 2009 e o ano passado e avançando de US$ 2,512 bilhões para 5,344 bilhões. Isso fez igualmente mais do que duplicar igualmente o saldo negativo nesta área, de US$ 2,078 bilhões para US$ 4,703 bilhões (126,3% a mais).

·   De volta ao período 2015/2019, o avanço no rombo da conta de serviços mais sofisticados foi influenciado de forma igualmente importante pela mudança de sinais no segmento de serviços de saúde e de educação. O Brasil havia conseguido um superávit de US$ 9,813 bilhões nesta área, acumulado entre 2010 e 2014.

·   Nos cinco anos seguintes, registrou um déficit de US$ 2,129 bilhões (o que, por óbvio, significa dizer que o País voltou a gastar mais do que recebeu com a venda de serviços de saúde e de educação). No caso, a troca de sinais no saldo do setor representou a saída de US$ 11,942 bilhões.

·   Na área de serviços governamentais, ao contrário, a contribuição para os números da conta de serviços foi positiva, já que o déficit entre entradas e saídas de dólares ficou 7,74% mais baixo. Na passagem de um período para o outro, o rombo baixou de US$ 7,188 bilhões para US$ 6,632 bilhões.

·   O resultado de exportações e importações de serviços de telecomunicações, computação e dados, da mesma foram, registraram sensível melhora. O déficit da conta desabou 42,38% entre 2010/2014, quando havia acumulado um total de US$ 17,627 bilhões, e 2015/2019, período em que passou a somar US$ 10,157 bilhões (ou seja, ficou US$ 7,470 bilhões mais baixo). Ponta a ponta, no entanto, ou seja, entre 2014 e 2019, o déficit nesta área cresceu 33,7%, avançando de US$ 2,224 bilhões para US$ 2,973 bilhões.

 

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