07 de abril de 2020
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coluna Econômica

Indicadores de desemprego do final de 2019 são superirores que do ano anterior em Goiás

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 07 de abril de 2020
Os sinais do ano passado mostram um mercado em lenta recuperação, na verdade, quase parando - Foto: Reprodução

da Redação

O mercado de trabalho entrou em estagnação no trimestre final de 2019 em Goiás, num período marcado por avanço no emprego de baixa remuneração e qualificação e perda de importância relativa do setor industrial. O número de pessoas ocupadas parou de crescer na passagem do terceiro para o quarto trimestre, enquanto o total de desocupados recuou, muito mais porque um número maior de pessoas decidiu abandonar a busca por emprego e retirar-se do mercado, numa decisão que pode vir a ser temporária, se e quando o cenário econômico se mostrar mais animador.

A economia goiana gerou ocupações para 3,406 milhões de pessoas no trimestre encerrado em dezembro passado, saindo de 3,407 milhões no trimestre imediatamente anterior. O número de desocupados caiu 4,2%, recuando de 414,0 mil para 396,0 mil, refletindo um aumento no número de pessoas fora do mercado (ou fora da “força de trabalho”, quer dizer, nem empregadas e nem desempregadas para fins estatísticos). Esse total passou de 1,910 milhão para 1,923 milhão de pessoas (14,0 mil a mais, numa variação de 0,7%). A taxa de desemprego, dessa forma, recuou levemente de 10,8% para 10,4% e manteve-se acima dos níveis registrados no final de 2018.

Antes da crise, no final de 2013, o desemprego havia alcançado a taxa mais baixa da série, iniciada um ano antes, ao desabar para apenas 4,0% no Estado, conforme mostram as estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A situação do trabalhador, como se pode perceber, já foi bem mais confortável.

Os sinais do final de 2019 mostram um mercado em lenta recuperação, na verdade, quase parando, e ainda com indicadores de desemprego superiores ao do ano anterior. O número de desocupados, apenas para reforçar o argumento, experimentou salto de 32,1% entre o trimestre final de 2018 e igual período de 2019, saindo de 300,0 mil (ou 8,2% da população na força de trabalho) para 396,0 mil.

Mais ou menos

O comportamento do emprego nos dois últimos trimestres de 2019 se aproxima muito mais do comportamento observado em 2015. Com a economia em recessão, o total de pessoas com alguma forma de ocupação ficou igualmente estagnada naquele ano (mais precisamente, houve recuo de 0,2% para quem gosta de preciosismos estatísticos). Em 2018, ao contrário, esse número havia crescido 1,1%, saindo de 3,324 milhões de ocupados no terceiro trimestre para 3,359 milhões no quarto (35,0 mil a mais). Na série histórica recente, esse número só havia anotado recuo em 2015 e 2017. As comparações entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período de 2018 mostram algum avanço do emprego e, ao contrário de trimestres anteriores, com maior contribuição das contratações com registro em carteira. O dado menos promissor esteve novamente na qualidade dos empregos criados, com elevada contribuição de ocupações de menor qualificação e perda de espaço da indústria, onde os empregos exigem maior preparo técnico e pagam melhor.

Balanço

·   Os serviços de menor qualificação, incluindo ocupações em bares, restaurantes, hotéis, transportes em geral, comércio e serviços domésticos, entre outros, empregaram 1,522 milhão de trabalhadores no último trimestre do ano passado, o que correspondeu a um incremento de 1,67% em relação ao terceiro trimestre e a uma alta de 6,3% frente ao quarto trimestre de 2018.

·   O total de ocupados naquelas áreas passou a representar 44,7% de todas as pessoas ocupadas no Estado, diante de 42,6% no trimestre final de 2018, quando esse número esteve mais próximo de 1,432 milhão. Nesse intervalo, quer dizer, até o final de 2019, esse tipo de ocupação gerou 90,0 mil empregos novos.

·   Para comparação, considerando todos os setores de atividade, o número de ocupados cresceu apenas 1,4% naquele mesmo período, saindo de 3,359 milhões para as 3,406 milhões de pessoas já mencionadas. Ou seja, foram geradas 46,0 mil novas ocupações, de acordo com o IBGE. Descontados os serviços de baixa qualificação, portanto, o restante dos ocupados sofreu queda de 2,2%, baixando de 1,927 milhão para 1,884 milhão.

·   Como se pode perceber, toda a geração de novos empregos ficou a cargo desse tipo de ocupação. E a indústria em geral foi a principal “vítima” dessa tendência. O setor, que chegou a responder por 16,1% do total de pessoas ocupadas no Estado no terceiro trimestre de 2012 (um recorde na série da PNADC para Goiás), fechou 75,0 mil vagas desde então, reduzindo o total de pessoas empregadas para 419,0 mil no final de 2019.

·   Na comparação com os 494,0 mil empregados entre julho e setembro de 2012, o tombo foi de 15,2%. A indústria passou a participar com apenas 12,3% sobre o total de ocupados. Mais grave: o emprego no setor caiu 8,6% na saída do terceiro para o quarto trimestre de 2019, encolhendo 5,5% em relação ao trimestre final de 2018.

·   Esse comportamento tem se refletido sobre o rendimento médio real (já ajustado com base na inflação), que sofreu baixa de 1,5% entre 2018 e 2019 (sempre no quarto trimestre), saindo de R$ 2.173 para R$ 2.141 (comportamento influenciado ainda pela aceleração da inflação no final do ano passado).

·   A massa de rendimentos, também em termos reais, praticamente não se moveu na mesma comparação, saindo de R$ 7,201 bilhões para R$ 7,212 bilhões (mais 0,2%). No ano passado, houve recuo de 0,5%, supondo-se alguma melhora no período seguinte, embora muito tímida. No quarto trimestre de 2017, a soma de todos os rendimentos do trabalho havia registrado salto de 9,1%, acrescentando R$ 604,0 milhões à renda das famílias (em 2019, esse acréscimo ficou limitado a R$ 11,0 milhões).

O fato é que a massa de rendimentos continuava 1,1% mais baixa do que nos três meses finais de 2014, com perda de R$ 79,0 milhões. 

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