07 de abril de 2020
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coluna Econômica

Agronegócio contrata pessoal mais qualificado, mas emprego cresce pouco

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 07 de abril de 2020
Dado positivo está numa melhora no perfil das pessoas empregadas no setor, com avanço no número de ocupados com formação média e superior| Foto: Divulgação

O número de pessoas ocupadas no agronegócio avançou modestamente no ano passado, num ritmo inferior àquele registrado por todo o mercado no País, causando leve redução na participação do setor no número total de ocupados na economia brasileira. O dado positivo está numa melhora no perfil das pessoas empregadas no setor, com avanço no número de ocupados com formação média e superior e perda de espaço para aquelas sem instrução e apenas com o ensino fundamental.

As conclusões estão em relatório divulgado nesta semana pela Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq). Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o trabalho mostra que o total de ocupados no setor do agronegócio avançou de 18,106 milhões em 2018, em valores arredondados, para 18,251 milhões no ano seguinte, significando a contratação de 145,641 mil pessoas a mais.

O avanço ficou limitado a 0,8% e ficou abaixo da taxa de praticamente 2,0% observada para o mercado de trabalho como um todo. A participação do setor, desta forma, recuou de 19,77% para 19,54%, depois de ter atingido perto de 21,9% em 2012. O comportamento muito acanhado vem na sequência de reduções consecutivas desde 2013. O total de ocupados no agronegócio (conceito que abrange as áreas de produção agropecuária, a agroindústria, o segmento de comércio e distribuição de insumos e demais serviços associados ao setor) havia desabado de 19,490 milhões de pessoas em 2012 para 18,106 milhões em 2018, com o afastamento de quase 1,4 milhão de pessoas (baixa de 7,1%). O número registrado no ano passado, ligeiramente mais elevado, como visto, segue inferior àquele observado no início da década, persistindo uma redução de 1,239 milhão de empregos (com redução de 6,4% no período).

PIB igualmente lento

A lentidão observada aqui está nitidamente relacionada ao desempenho abaixo do esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no ano passado. Considerando a variação dos volumes produzidos por todo o setor, conforme metodologia adotada pelo IBGE para aferir o comportamento do PIB da economia brasileira, o Cepea havia registrado, no dado mais recente, uma variação de apenas 0,39% para o conjunto do agronegócio no acumulado dos primeiros 11 meses do ano passado, na comparação com o período entre janeiro e novembro de 2018, empurrado pela pecuária, mas contido pelas lavouras, que vinham apresentando números mais negativos ao longo do período.

Balanço

·   O número de ocupados com ensino médio completo e incompleto passou de 6,122 milhões em 2018 para quase 6,357 milhões no ano passado, crescendo 3,84% com a abertura de 234,842 mil vagas. A participação dessa faixa no total de ocupados no agronegócio variou de 33,81% para 33,83%.

·   Entre aqueles com formação superior (considerando diplomados e não diplomados), o número de ocupados cresceu 5,7%, passando de pouco menos de 2,620 milhões (14,47% do total de ocupados) para 2,769 milhões (49,55% do total), correspondendo a 149,089 mil empregados a mais.

·   Somadas, as duas faixas passaram a responder por pouco mais da metade de todas as pessoas com algum tipo de ocupação associada ao agronegócio. Mais precisamente, essa participação elevou-se de 48,28% para 49,55%.

·   Em contrapartida, o setor reduziu o pessoal sem instrução e com ensino fundamental, pela ordem, em 5,9% e 2,17%. Respectivamente, o número de ocupados foi reduzido de 932,975 mil para 877,817 mil e de 8,431 milhões para 8,248 milhões. Em torno de 4,8% dos ocupados do setor não têm qualquer formação convencional, ante 5,2% em 2018. A fatia dos que só conseguiram cumprir o ensino fundamental recuou de 46,57% para 45,19%.

·   Em outra tendência a ser anotada, as mulheres foram responsáveis por 78,0% do crescimento observado entre 2018 e 2019, já que o total delas ocupadas no setor avançou de 5,615 milhões para 5,729 milhões (mais 2,0%), com a contratação de 113,659 mil a mais. O número de homens manteve-se praticamente estável, variando de 12,480 milhões para 12,512 milhões (0,25% a mais). Foram 31,382 mil contratações adicionais, com contribuição de 22,0% no aumento dos ocupados.

·   Mas o contingente masculino ainda continuou a responder por 68,6% dos ocupados (ligeiramente abaixo dos 68,9% registrados em 2018). As mulheres tiveram participação de 31,3% em 2019 (próxima dos 31,0% anotados um ano antes).

·   O agronegócio, no entanto, seguiu a tendência geral observada para todo o mercado de trabalho, com avanço da informalização. O número de trabalhadores sem carteira cresceu 2,75%, de quase 3,1 milhões para 3,185 milhões (85,124 mil a mais). O número de trabalhadores por conta própria avançou 1,84% (de 5,835 milhões para 5,943 milhões, representando quase um terço dos ocupados).

 

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