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coluna Econômica

Emprego derrapa e desemprego avança (ainda antes da pandemia)

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de julho de 2020
A participação da indústria no emprego total, num exemplo, caiu de 14,6% em agosto de 2011 para menos de 13,0% no início deste ano - Foto: Divulgação

A crise gerada pela pandemia de coronavírus vai atingir em cheio um mercado de trabalho já debilitado, com dificuldades para fazer decolar o emprego formal, níveis elevados de informalidade e perda de participação da indústria, setor que poderia oferecer ocupações de maior qualificação e remuneração, dando sustentação a uma retomada efetiva do crescimento. A participação da indústria no emprego total, num exemplo, caiu de 14,6% em agosto de 2011 para menos de 13,0% no início deste ano. A expectativa de avanços não deverá se confirmar diante dos efeitos devastadores aguardados daqui em diante por conta dos custos em vidas do vírus, com todos impactos sociais e econômicos antecipados por todos (bom, com as exceções presidenciais de sempre).

O discurso segundo o qual uma recuperação já vinha se desenhando nos dados mais recentes sobre o mercado de trabalho parece não se sustentar quando esses mesmos números são analisados com certa cautela, considerando o histórico recente do setor – o que apenas significa que o estrago poderá assumir dimensões drásticas com a virtual paralisação de empresas, pequenos negócios e mesmo do comércio de ambulantes neste momento. Essa perspectiva apenas torna mais urgente uma intervenção maciça dos governos para preservar ao menos parte da renda e dos fluxos de receita das empresas e das famílias, em ações coordenadas, sob pena de levar todo o País a um colapso, com desagregação social, corridas e saques aos mercados, elevando a crise política a níveis inéditos na história recente.

O número de pessoas ocupadas recuou de 94,416 milhões para 93,710 milhões entre os trimestres setembro a novembro do ano passado e dezembro de 2019 a fevereiro deste ano, com fechamento de 706 mil vagas (redução de 0,7%), de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O total de desempregados, em consequência, aumentou 4,0% na mesma comparação, saindo de 11,863 milhões para 12,343 milhões de pessoas, num acréscimo de 479,0 mil. A taxa de desocupação avançou ligeiramente de 11,2% para 11,6%.

Informalidade

Analistas em geral têm destacado, já ressalvando que esse comportamento não deverá se sustentar ao longo da crise que se avizinha, o crescimento de 2,0% registrado pelo total de ocupados na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (dezembro de 2018 a fevereiro de 2019). De fato, houve um aumento de 1,830 milhão de colocações no mercado e redução de 711,0 mil no número de desempregados (de 13,053 milhões para 12,343 milhões de pessoas). A maior fatia dessas vagas foi ocupada por trabalhadores sem carteira e sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), que avançaram de 37,409 milhões para 38,738 milhões, num acréscimo de 969,0 mil (quer dizer, praticamente 53% dos novos cargos abertos em toda a economia). Incluindo os desempregados, nada menos do que 50,721 milhões de pessoas estavam totalmente desassistidas em fevereiro, número muito aos 38,0 milhões que o governo pretende alcançar com seu pacote de socorro. As melhoras ocorridas nesta área, além do mais, vinham num ritmo modesto e, adicionalmente, impulsionadas por uma deterioração do mercado.

Balanço

Em meio às estatísticas, houve sim outros números positivos. O emprego com carteira, por exemplo, aqui incluindo empregados dos setores público e privado e empregados domésticos, avançou de 35,997 milhões para 36,544 milhões em 12 meses, numa elevação de 1,52% (ou seja, 547,0 mil cargos a mais). Essa categoria foi responsável, no entanto, por menos de 30% do total de ocupações abertas naquele período, o que reforça a predominância ainda do emprego informal, sem direitos e sem os benefícios ao alcance dos trabalhadores formais.

Além disso, praticamente 47% do crescimento observado estão relacionados à abertura de vagas nos setores de prestação de serviços menos especializados (comércio, bares e restaurantes, transportes, serviços domésticos e outros). Aqueles setores registravam 39,761 milhões de pessoas no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, frente a 38,906 milhões em igual intervalo de 2019, o que correspondeu à criação de 855,0 mil empregos (mais 2,2%).

A indústria passou a empregar 12,165 milhões em fevereiro passado, ampliando o total de vagas em 5,0% na comparação com o trimestre dezembro de 2018 a fevereiro de 2019 (11,587 milhões de empregados), abrindo 578,0 mil ocupações. O setor, portanto, respondeu por 31,6% dos novos empregos abertos em toda a economia.

A despeito dos avanços relativos colecionados em relação aos resultados fraquíssimos colhidos no ano passado, o fato é que o emprego havia parado de crescer e mesmo recuou nos primeiros meses deste ano. O total de ocupados sofreu redução de 0,9% desde dezembro (sempre considerando o trimestre encerrado no mês de referência), já que havia alcançado 94,552 milhões de ocupações naquele trimestre. Foram fechados, desde então, em torno de 842,0 mil vagas.

Houve estagnação ou perdas no setor formal e também para o emprego informal. No primeiro caso, os empregos com carteira não cresceram e até recuaram levemente (-0,2%), depois de alcançarem 36,629 milhões de pessoas em dezembro. O número de pessoas sem carteira e sem CNPJ, que havia alcançado 39,2 milhões em dezembro, caiu 2,1% até fevereiro, para 38,378 milhões (822,0 mil a menos).

A massa de salários, puxada pelo maior número de ocupados e pela inflação mais baixa, saltou 6,2% em termos reais (descontada a inflação) entre fevereiro de 2019 e igual período de 2020, atingindo R$ 217,631 bilhões. Foi a maior variação em 12 meses da série histórica do IBGE, iniciada em 2012, num acréscimo de R$ 12,688 bilhões. Mas, comparada a novembro de 2019, a massa baixou 0,6% (perdendo R$ 1,285 bilhão). 

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