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coluna Econômica

Incluindo pessoas que saíram do mercado, taxa de desemprego aproxima-se de 14%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de julho de 2020
Total de pessoas fora da força de trabalho aumentou de 65,429 milhões para 67,281 milhões, em alta de 2,8%| Foto: Divulgação

As primeiras vítimas da crise sanitária no mercado de trabalho começaram a tombar e os efeitos, como já se esperava, colhem principalmente as fatias menos desprotegidas e vulneráveis, atingindo trabalhadores sem carteira assinada e aqueles chamados equivocadamente de “empreendedores”, que haviam decidido defender a sobrevivência fazendo bicos, montando banquinhas e barraquinhas nas calçadas das grandes cidades. Os números do desemprego anunciados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram um salto de 10,5% no total de pessoas sem ocupação desde o final de 2019, elevando a taxa de desocupação de 11,0% para 12,7% entre o quarto trimestre do ano passado e o primeiro deste ano.

Mas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC) apresenta números já preocupantes e antecipa piora nesta área, porque capturam os impactos das medidas de isolamento social apenas nas duas semanas finais de março. Deve-se registrar, no entanto, que a pesquisa já mostrava redução no total de pessoas empregadas e certo avanço no desemprego nos primeiros meses deste ano, situação agravada pelo curto da coronavírus, causada pelo Sars-CoV-2. Os acontecimentos desde então sugerem uma deterioração severa do mercado de trabalho, a ser anotado nos próximos levantamentos do IBGE.

O aperto decorrente da súbita paralisação da economia já havia levado, até ali,1,851 milhão de pessoas a deixarem o mercado de trabalho e a desistirem da busca de alguma colocação na passagem do trimestre final de 2019 para o primeiro deste ano. O total de pessoas fora da força de trabalho, que reúne ocupados e desocupados (classificação que inclui, por sua vez, apenas aquelas pessoas que ainda procuravam emprego na semana da pesquisa), aumentou de 65,429 milhões para 67,281 milhões, em alta de 2,8% – número recorde em toda a série da PNADC, iniciada em 2012. A desistência desses trabalhadores, de todo modo, terminou por mascarar a real situação do desemprego no País.

Fora do mercado

Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, o número de pessoas fora do mercado aumentou 3,1%, com acréscimo de 2,031 milhões de trabalhadores. Esses dados sugerem que a taxa de desocupação registrada no primeiro trimestre poderia, na verdade, ser muito mais elevada, se computadas as pessoas que desistiram de procurar emprego. Na média do ano passado, o total de trabalhadores fora do mercado somou em torno de 65,1 milhões, ou seja, perto de 2,21 milhões a menos do que o dado do primeiro trimestre. Somado esse contingente ao número de desocupados encontrados pela pesquisa no trimestre encerrado em março, o número de pessoas sem colocação subiria para alguma coisa além de 15,0 milhões, perto de 17% superior ao total registrado pela PNADC para o período, refletindo uma taxa de desemprego levemente acima de 14%.

Balanço

·   Também como esperado, o emprego vem degringolando. O número total de pessoas ocupadas sofreu baixa de 2,5% entre dezembro e março (sempre considerando os respectivos trimestres finalizados naqueles meses), caindo de 94,552 milhões para 92,223 milhões de pessoas. Mais precisamente, em torno de 2,329 milhões de trabalhadores perderam o emprego ou a ocupação.

·   Desse total, perto de 1,990 milhão não tinham carteira assinada e nem registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). Quer dizer, eram ambulantes trabalhando por conta própria ou “empregadores” sem CNPJ. Esse contingente respondeu por 85,4% da queda no total de ocupações naquele intervalo.

·   Somando o número de empregados sem carteira no setor privado, empregos domésticos sem registro e trabalhadores do setor público igualmente sem carteira, esse número decresceu de 18,938 milhões de pessoas no último trimestre de 2019 para 17,696 milhões no primeiro deste ano, em baixa de 6,6% (ou seja, 1,242 milhão de pessoas a menos).

·   Aqueles sem CNPJ, por sua vez, sofreram queda de 3,7% (748,0 mil a menos), saindo de 20,262 milhões para 19,514 milhões. Somados, os “sem carteira” e “sem CNPJ” ainda respondem por 40,35% do total de ocupados, o que ainda supera a fatia dos empregados com carteira (em torno de 39,0%).

·   A maior parcela dessas “vítimas” estava no comércio, no setor de reparação de veículos e motos e nos serviços de forma geral. Esses segmentos da economia foram responsáveis por 91,3 a cada 100 ocupações fechadas desde o final do ano passado. O setor de comércio e as oficinas de reparação de veículos fecharam 628,0 mil vagas (queda de 3,5% frente a dezembro), que recuaram de 18,009 milhões para 17,381 milhões, em queda de 3,5%.

·   Os serviços em geral, que empregavam 67,210 milhões de pessoas até dezembro passado, reduziram esse número em 2,2%, para 65,712 milhões (quer dizer, 1,498 milhão a menos).

·   Em números desagregados por setor de atividade, a indústria demitiu 322,0 mil pessoas no primeiro trimestre (queda de 2,6% frente a dezembro) e construção afastou 440,0 mil trabalhadores (redução de 6,5%). Entre 10 segmentos pesquisados, apenas os serviços de tecnologia da informação, financeiros e imobiliários aumentaram as contratações, ainda assim modestamente (mais 0,5%, com contratação de 55,0 mil pessoas).

·   A queda do emprego em ocupações de remuneração mais baixa ajudou a elevar o rendimento real médio em 1,1% no primeiro trimestre, para R$ 2.398. Mas não “salvou” a massa de rendimentos, que encolheu 1,3% diante do trimestre final de 2019, saindo de R$ 219,172 bilhões para R$ 216,290 bilhões. Desde o trimestre setembro-novembro de 2019, a massa encolheu 1,4% com perdas de R$ 3,007 bilhões para a renda das famílias.

 

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