03 de junho de 2020
GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

coluna Econômica

Crise sanitária explica parcialmente queda da indústria goiana em março

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 03 de junho de 2020
Retomada das atividades na indústria, ainda que parcial, certamente não ocorreu de forma automática e nem generalizada, o que tende a comprometer os resultados do setor em abril| Foto: Divulgação

A crise sanitária detonada pela pandemia de coronavírus explica apenas em parte os maus resultados da indústria goiana em março e prenuncia números ainda piores para abril, diante das restrições impostas à movimentação de pessoas e às medidas de isolamento social para tentar gerenciar o avanço das contaminações e das mortes. Como já anotado neste espaço, março registrou praticamente duas semanas de afastamento social, medida adotada de forma mais prolongada em abril, muito embora o governo estadual tenha iniciado um processo de afrouxamento das restrições na semana iniciada em 20 de abril.

A retomada das atividades na indústria, ainda que parcial, certamente não ocorreu de forma automática e nem generalizada, o que tende a comprometer os resultados do setor no mês passado. Principalmente quando se considera que a atividade vinha em desaquecimento nos meses anteriores. A pesquisa regional da produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra, por exemplo, que o setor em Goiás registrou perdas mensais de 3,4%, 1,0% e 1,5% dezembro de 2019, janeiro e fevereiro deste ano, baixando 1,2% em março, sempre na comparação com o mesmo mês do ano imediatamente anterior.

Mês a mês, a produção avançou 1,6% de dezembro para janeiro, mas ficou estagnada em fevereiro (com crescimento zero, conforme a pesquisa, repetindo os níveis do primeiro mês do ano). Em março, a pesquisa aponta retração de 2,8% frente a fevereiro, o que se compara com a queda de 9,1% registrada pela produção industrial em todo o País. Na comparação com os demais Estados e regiões acompanhadas pelo IBGE, a indústria goiana foi a terceira “menos pior” no mês.

Puxada pela produção de fosfato, pedras calcárias e brita, a indústria extrativa mineral avançou 2,3% em março, comparado a igual período de 2019. Note-se que os dois primeiros segmentos estão ligados diretamente ao agronegócio, setor que tem se saído melhor na crise e promete entregar números positivos neste ano (com exceção provável para a indústria sucroalcooleira, atingida em cheio pela queda no consumo de combustíveis e baixa nos preços do etanol).

Surpresa negativa

A indústria de transformação, por sua vez, encolheu 1,4% em março, depois de anotar perdas de 1,0% e 2,0% em janeiro e fevereiro (em relação aos mesmos meses de 2019). Os piores números no mês foram registrados pelas indústrias de metalurgia e de veículos, embora a fabricação de produtos alimentícios, surpreendentemente, não tenha contribuído para aliviar o cenário. Neste caso, a expectativa era de algum crescimento diante da maior demanda nos supermercados (como mostraram os dados das vendas no setor anunciados na quarta-feira pelo IBGE). A produção não avançou, manteve-se estagnada, depois de quedas de 4,3% e de 8,1% em janeiro e fevereiro, o que sugere dificuldades que vão além daquelas causadas pela pandemia.

Balanço

·   Ainda no setor de alimentos, o levantamento do IBGE mostra altas para a produção de leite em pó e de óleo de soja em bruto em março, mas queda para carne bovina fresca e resfriada, maionese e leite. No acumulado do primeiro trimestre, a produção no setor sofreu retração de 4,1%, maior influência negativa para a redução de 1,2% anotada pela produção da indústria como um todo no período.

·   Tomando março isoladamente, e mais uma vez comparando com o terceiro mês do ano passado, as indústrias metalúrgicas e de veículos sofreram tombos de 21,8% e de 22,4%. A metalurgia vinha de um salto de 32,4% em janeiro, seguido de redução de 9,4% em fevereiro. As montadoras, da mesma forma, vinham alternando bons e maus momentos desde o ano passado e não fugiram do padrão neste ano, desabando 24,1% em janeiro, avançando 7,5% em fevereiro e voltando a despencar 22,4% em março. No primeiro trimestre, as montadoras encolheram 13,7% e a metalurgia registrou baixa de 4,4%.

·   No caso das montadoras, houve cortes na produção de automóveis bicombustíveis e veículos de carga, mas avanço para automóveis a diesel. Na metalurgia, as baixas foram puxadas pela menor produção de ouro em forma bruta destinado à fabricação de joias e pela redução deferronióbio.

·   O terceiro pior desempenho veio da indústria de minerais não metálicos, com perdas de 9,7% explicadas pela queda na produção de cimento, concreto e pré-fabricados de cimento para a construção civil. O dado sinaliza números igualmente negativos para o setor de construção como um todo, lembrando que os não metálicos já haviam desacelerado seu ritmo de avanço entre janeiro e fevereiro, saindo de alta de 6,9% para uma variação de apenas 0,3%.

·   Também por conta da influência positiva do agronegócio, a indústria de outros produtos químicos apresentou alta de 17,1% em março, acumulando crescimento de 14,4% no primeiro trimestre. O desempenho foi explicado pelo incremento na produção de adubos e fertilizantes.

·   A indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que vinha de um tombo de 6,1% em fevereiro, recuou 0,4% em março, no que pode ser visto como uma melhora relativa diante da maior demanda por medicamentos e outros produtos do setor motivada pela pandemia.

·   Os números do IBGE para a indústria de biocombustíveis demonstram certas discrepâncias em relação aos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na visão do IBGE, houve alta na produção de biodiesel e baixa na de etanol. Mesmo assim, a produção do setor como um todo avançou 7,9% em março e 12,9% no primeiro trimestre.

·   Para a ANP, a produção de biodiesel de fato cresceu 30,8% frente a março do ano passado, atingindo 75,3 milhões de litros. O volume de etanol produzido, na mesma linha, aumentou 8,4% no mês, atingindo 91,8 milhões de litros. 

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar