03 de junho de 2020
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coluna Econômica

Apesar da crise, campo deve alcançar renda histórica neste ano em Goiás

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 03 de junho de 2020
Valor bruto da produção agropecuária deverá experimentar alta de 12,08% na comparação entre 2002 e 2019, avançando de R$ 51,319 bilhões para R$ 57,519 bilhões| Foto: Divulgação

A colheita de uma safra de grãos recorde e a melhora no desempenho da pecuária abrem espaço para números igualmente históricos para a renda bruta total do campo ao longo deste ano em Goiás, num crescimento mais acentuado do que aquele esperado para todo o setor no País, segundo projeções mais recentes da Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Conforme acompanhamento mensal conduzido sob o comando do coordenador geral de Avaliação de Políticas da Informação da SPA, José Garcia Gasques, o valor bruto da produção agropecuária deverá experimentar alta de 12,08% na comparação entre 2002 e 2019, avançando de R$ 51,319 bilhões para R$ 57,519 bilhões – o mais alto em toda a série histórica, em valor atualizados até abril com base no Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em todo o País, o valor bruto da produção tende a avançar 8,63% em 2020, saindo de R$ 641,673 bilhões para R$ 697,037 bilhões, a mais alta em 31 anos, quando a pesquisa foi iniciada. No ano passado, a renda bruta do campo havia crescido 2,49% em relação a 2018, recuperando-se da queda de 1,94% observada então. A participação dos produtores goianos no valor bruto da produção, dessa forma, deverá avançar de pouco menos de 8,0% para algo em torno de 8,3%.

A perspectiva de melhora na renda da agropecuária, em meio à mais grave crise sanitária desde o começo do século XX, contrapõe-se às previsões a cada semana pioradas para o conjunto da economia. Esse comportamento pode ajudar a amenizar, mas não deverá evitar a retração vigorosa já esperada para a renda total, com impactos igualmente desastrosos sobre o consumo e a atividade econômica em seu conjunto.

Empurrão da soja

Em Goiás, o desempenho das lavouras, turbinado pela melhor safra de milho e soja desde que esse tipo de estatística começou a ser levantada no Estado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), tende a ser melhor do que a da pecuária, mas os números nos dois casos deverão atingir níveis ainda não experimentados pelo campo – caso as projeções da SPA se confirmem até o final do ano. A receita bruta dos produtos agrícolas deverá se aproximar de R$ 38,181 bilhões, o que se compara a R$ 33,372 bilhões em 2019, num aumento de 14,41%. A soja deverá responder por quase 68% desse incremento, já que a renda dos produtores deverá elevar-se de R$ 13,129 bilhões para R$ 16,381 bilhões, num acréscimo de R$ 4,809 bilhões, correspondendo a um aumento de 24,77% (o que mais do que compensará a retração de 9,43% observada em 2019). Esse ganho explica pouco mais da metade (52,5%) do aumento esperado para o valor bruto de toda a agropecuária, com a participação da soja subindo de 25,58% para 28,48% entre 2019 e 2020.

Balanço

·   A renda bruta dos produtores de milho, proporcionalmente, deverá anotar crescimento mais expressivo, num salto de 30,95% entre aqueles dois anos, avançando de R$ 6,174 bilhões para R$ 8,086 bilhões (R$ 1,911 bilhão a mais). No ano passado, o valor da produção do milho em Goiás já havia registrado alta muito próxima de 30%, o que faz a receita bruta do setor acumular variação real de 70,2% desde 2018.

·   A produção goiana do grão deverá superar a colheita prevista para a soja, somando 12,749 milhões de toneladas, um novo recorde para o Estado, com elevação de 10,9% diante das 11,492 milhões de toneladas colhidas na safra 2018/19.

·   Igualmente histórica, a colheita de soja deverá se aproximar de 12,465 milhões de toneladas no ciclo 2019/20, num incremento de 9,0% em relação à safra passada, que havia alcançado 11,437 milhões de toneladas.

·   Os produtores de cana de açúcar, a se confirmarem as estimativas do Mapa, deverão faturar em torno de R$ 7,084 bilhões neste ano, crescendo 3,48% e recompondo parte das perdas realizadas em 2019, quando observou-se queda de 6,0% na comparação com 2018.

·   Embora tenha virtualmente mantido a produção registrada em 2018/19, com leve oscilação de 1,5% (saindo de 304,4 mil para 308,9 mil toneladas), o feijão tenderá a anotar elevação de 9,13% no valor bruto de sua produção, prevista em R$ 1,312 bilhão (frente a R$ 1,202 bilhão em 2019). Será o melhor resultado para o produto desde 2016.

·   Depois de saltar pouco mais de 53% no ano passado, o valor bruto da produção de algodão tenderá a encolher 11,0% neste ano, caindo de quase R$ 1,170 bilhão para R$ 1,041 bilhão. Como a produção de algodão em caroço deverá cair perto de 4,8%, para 165,4 mil toneladas, o levantamento pressupõe baixa mais intensa nos preços da arroba.

·   A receita bruta da pecuária está estimada em R$ 19,338 bilhões, perto de 7,75% acima do valor alcançado em 2019 (R$ 51,319 bilhões), quando a variação havia sido de 3,85% em relação a 2018. A principal contribuição virá da exploração de bovinos, com valor bruto esperado de R$ 9,681 bilhões (recorde), embutindo crescimento de 17,38% frente a 2019 (R$ 1,434 bilhão a mais). As receitas brutas com a criação de suínos e a produção de ovos deverão avançar, pela ordem, 10,24% e 22,59%. Na mesma ordem, o valor da produção atingiria R$ 865,309 milhões e R$ 871,581 milhões neste ano.

·   Mas espera-se redução para as receitas na produção de frangos (-4,86%, para R$ 4,361 bilhões) e de leite (-1,69%, para R$ 3,559 bilhões).

 

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