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coluna Econômica

Anúncios de investimentos em Goiás encolhem 25,7% até maio

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 12 de julho de 2020
Nos cinco primeiros meses deste ano, os anúncios em todos os Estados somaram quase US$ 43,810 bilhões, mostrando uma redução de 23,77%| Foto: Divulgação

Ao longo dos primeiros meses de pandemia, oficialmente instalada por aqui a partir da segunda metade de março, o Estado não registrou um único anúncio de investimento, o que fez encolher os valores anunciados nos cinco primeiros meses deste ano, segundo acompanhamento realizado pela Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai), do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Entre janeiro e maio, com apenas dois projetos, aqueles anúncios somaram US$ 267,705 milhões, diante de US$ 360,567 milhões em igual período do ano passado, num tombo de 25,75%.

A retração foi mais intensa, em termos proporcionais, do que aquele observada em todo o País. Nos cinco primeiros meses deste ano, os anúncios em todos os Estados somaram quase US$ 43,810 bilhões, diante de US$ 57,472 bilhões em igual intervalo de 2019, mostrando uma redução de 23,77%. A hipótese aqui sugere que as perdas teriam sido menos severas nos demais Estados e, na verdade, os números podem estar de certa forma distorcidos por um comportamento que parece um tanto anômalo observado em São Paulo. Os dados da Renai mostram, por exemplo, que o valor dos anúncios ocorridos naquele Estado simplesmente saltou qualquer coisa em torno de 429%, o que parece ser um contrassenso levando-se em conta a situação da atividade econômica desde março. Em todo caso, a Renai indica que os anúncios paulistas teriam saltado de US$ 1,16 bilhão para US$ 6,13 bilhões.

No ano passado, os anúncios em Goiás estiveram concentrados numa única operação, encabeçada pela CMOC Brasil, subsidiáriada China Molybdenum (CMOC), que havia antecipado seu projeto de expansão das plantas de nióbio e fosfato em Catalão, num investimento estimado em US$ 308,483 milhões, neste ano, representando 85,55% do total. Neste ano, a Cervejaria Cidade Imperial chegou a anunciar em janeiro planos para instalar uma unidade em Jataí, prevendo investimento de R$ 900,0 milhões (algo em torno de US$ 219,512 milhões na conversão feita pelo Mdic). Em torno de 22% do investimento total, ou qualquer coisa em torno de R$ 200,0 milhões) deverão ser financiados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).

Matemática básica

O segundo projeto refere-se ao anúncio feito pela São Salvador Alimentos (Superfrango) de seus planos de construção da segunda fase de sua planta recentemente inaugurada em Nova Veneza, que deverá acrescentar perto de 320,0 mil aves por dia em sua capacidade de produção, o que significaria dobrar a produção nominal verificada na primeira etapa já em operação. O investimento esperado aqui deverá atingir qualquer coisa ao redor de US$ 48,193 milhões. Na soma dos dois únicos projetos apresentados até maio, o Estado foi responsável por 0,61% de total captado em todo o País pela Renai (não muito distante dos 0,62% anotados nos cinco meses iniciais de 2019). No ano passado, os anúncios registrados de janeiro e maio representaram 23,3% do total acumulado em todo o período. Portanto, como indica a matemática básica, perto de 73% dos projetos surgiram de junho em diante. Como a pandemia mudou tudo, não se deve contar com uma recuperação tão acentuada que permita compensar a queda já registrada.

Balanço

·   Divulgado ontem, o Monitor do Produto Interno Bruto da Fundação Getúlio Vargas (PIB-FGV) antecipa quedas históricas para a atividade econômica no Brasil. Entre março e abril, a retração chegou a 9,3%, com tombo de 13,5% em relação a abril do ano passado.

·   A indústria desabou 15,7% também comparando abril, quando as medidas de restrição e isolamento haviam sido mais duras, com março. A queda foi puxada por tombos respectivamente de 24,3% e de 11,7% para a indústria de transformação e para o setor de construção. Os serviços, na mesma comparação, encolheram 7,3%.

·   O investimento (aquele que recebe o nome pomposo de “formação bruta de capital fixo” nas contas nacionais) embicou em queda de 23,0% na comparação com março e desabou 29,4% diante de abril do ano passado – um recorde na série histórica da FGV. A produção de máquinas e equipamentos, um dos principais componentes do investimento, despencou nada menos do que 54,2%. Para deixar ainda mais claro: mais da metade da produção deixou de ser realizada. Funciona como se mais da metade das indústrias do setor tivessem paralisado suas plantas.

·   A taxa de investimento chegou a um dos menores níveis em toda a história do setor, aproximando-se de 12,1% do PIB. Para comparar, na média de janeiro de 2000 a abril de 2020, já incluindo os meses de baixo investimento na pandemia, aquela taxa havia sido de 18,0%.

·   No texto distribuído pela assessoria do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre), o coordenador do Monitor do PIB, Claudio Considera, afirma: “O dado de abril mostra que, a retração recorde da economia, não apenas no PIB, porém disseminada em diversas atividades e componentes da demanda, é a pior da história recente. A indústria e o setor de serviços, que respondem por aproximadamente 95% do valor adicionado total da economia também tiveram os maiores recuos de sua série histórica iniciada em 2000, assim como o consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo. Em um país que, após três anos de fraco crescimento, ainda não havia conseguido se recuperar da última recessão, finda em 2016, que causou uma retração de 8,1% no PIB ao longo de 11 trimestres, o resultado de retração de 9,3% do PIB em apenas um mês, registrado em abril não é nada animador e só evidencia os enormes desafios que serão enfrentados pela economia no decorrer de 2020.”

 

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