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coluna Econômica

Economia “verde”, a chance para alavancar o crescimento

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 02 de agosto de 2020
Com as atenções voltadas para a elaboração de planos de recuperação no médio prazo, agora seria o momento para promover políticas climáticas mais resilientes| Foto: Divulgação

A resposta fiscal contra a pandemia causada pela Covid-19 tem sido “massiva”em todo o mundo, somando, até a última semana de junho, qualquer coisa ao redor de US$ 11,0 trilhões (quase 6,6 vezes mais o tamanho de toda a economia brasileira), anota o Instituto Internacional de Finanças (IIF), em relatório recente. Mais US$ 5,0 trilhões foram anunciados pelos países e estão a caminho, devendo chegar em breve para ajudar a compensar o estrago produzido pela pandemia sobre empresas e famílias. “Os efeitos duradouros da pandemia sublinham a fragilidade chave da economia global, além da vulnerabilidade a choques ambientais”, sustenta o documento, destacando que menos de 1% da ajuda global anunciada e aprovada deverá ter como destino projetos “verdes”, ambientalmente sustentáveis.

E, no entanto, a economia “verde” apresenta as melhores chances de promover uma retomada da economia mundial, sem agravar ainda mais os desequilíbrios que ameaçam o meio ambiente e a própria continuidade da experiência humana sobre a Terra. Com as atenções voltadas para a elaboração de planos de recuperação no médio prazo, agora seria o momento para promover políticas climáticas mais resilientes, neutras em termos de emissões de carbono e investimentos mais eficientes sob o ponto de vista de aproveitamento dos recursos disponíveis, “particularmente em setores mais intensivos em emissões de carbono”, a exemplo dos setores de energia e transportes.

Enquanto as medidas colocadas em prática ao redor do mundo preocupam-se em minimizar os efeitos da crise sobre o emprego, continua o IIF, as iniciativas políticas de caráter muito mais ambiental mencionadas pelo instituto poderiam promover, ao mesmo tempo, uma recuperação mais sustentável e de longo curso, portanto, além de contemplar uma relação custo-benefício muito mais favorável. Num exemplo, em torno de 6,0 milhões de empregos no setor de energia ou em áreas ligadas ao setor em todo o mundo estariam sob risco ou já teriam sido perdidos desde o começo da crise sanitária. “Muitos desses empregos talvez não sejam retomados num momento em que se espera uma retração de 20% no investimento global em energia”, aponta ainda.

Mais empregos, menos emissões

Citando a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o instituto aponta que um investimento anual de US$ 1,0 trilhão ao longo de três anos poderia criar em torno de 9,0 milhões de novos empregos ao longo de uma variedade de setores relacionadas à área energética. Ao mesmo tempo, seria possível reduzir as emissões globais de carbono em algo próximo a 15% quando comparadas aos níveis registrados em 2019. Em muitos casos, as iniciativas individuais de países têm sido substanciais, quando se consideram os aportes reservados a projetos na área de energia limpa e outros investimentos destinados a atividades que tragam redução nos níveis de emissão de gases formadores do efeito estufa. Ainda assim, as ações e o volume de recursos parecem claramente insuficientes.

Balanço

·   Entre 29países do chamado G20, que reúne duas dezenas de economias mais desenvolvidas e em desenvolvimento, e de outros inscritos na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a IIF estima que em torno de US$ 931,0 bilhões em medidas fiscais anunciadas contemplam “objetivos verdes” e levam em conta componentes de sustentabilidade e ainda metas climáticas, “enquanto pacotes verdes já aprovados” somam apenas algo perto de US$ 84,0 bilhões.

·   “Esses componentes verdes”, na descrição do instituto, “são pequenos comparados à resposta geral, representando somente 6% e menos de 1% dos totais anunciados e aprovados”.

·   Mais importante, prossegue o IIF, o grosso das medidas de estímulo já em curso está direcionado a setores pesadamente dependentes de carbono, onde os investimentos agora acionados tenderão a congelar as emissões de poluentes em níveis elevados pelas próximas décadas, obscurecendo de longe a redução proporcionada por uma série de pacotes verdes selecionados por vários países, consideravelmente em países europeus e mais especificamente também na Coreia do Sul.

·   O IIF lembra que a redução de 4% a 7% nas emissões de gases do efeito estufa esperada para este ano, em função da retração vigorosa da atividade econômica, será meramente temporária, o que apenas destaca a urgência de o mundo todo perseverar em seus esforços para mitigar as mudanças climáticas e perseguir políticas que permitam remodelar e adequar modos de vida aos desafios de um mundo de baixo carbono.

·   A proposta da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, de reservar € 750,0 bilhões (qualquer coisa próxima a R$ 4,5 trilhões) para iniciativas na área ambiental, destaca o IIF, embora seja de longe o mais ambicioso pacote de estímulos a tecnologias verdes, está longe de se tornar realidade e ainda terá que passar pela Conselho Europeu em votação prevista para este mês.

·   Na Alemanha, por sua vez, o pacote de € 130,0 bilhões recentemente anunciado omite o socorro a veículos movidos a combustíveis, enquanto direciona bem menos, em torno de € 50,0 bilhões, ao desenvolvimento e expansão da produção de veículos elétricos e híbridos, energia renovável, transporte público e na redução de sobretaxas nas tarifas cobradas dos consumidores de energia limpa.

·   A terceiro pacote com verbas adicionais para o enfrentamento da pandemia na Coreia do Sul, anunciado no começo de junho e estimado em torno de US$ 20,0 bilhões, tem como foco indústrias verdes e digitais, controle de doenças, aumento do emprego e da segurança social e suporte financeiro a empresas, prossegue o IIF.

·   Em troca do socorro de € 7,0 bilhões anunciado em abril, o governo francês passou a exigir que a Air France reduza suas emissões nos voos domésticos até o final de 2024. A Dinamarca aprovou em maio o equivalente a US$ 4,5 bilhões para o uso de materiais renováveis na reforma e construção de moradias públicas e a Lituânia deve investir € 1,80 bilhão em projetos contra as mudanças climáticas, infraestrutura, energia, economia digital, capital humano e pesquisa.

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