GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

coluna Econômica

Intenção de investimento encolhe e produção de bens de capital desaba

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 10 de agosto de 2020
Indicador de investimentos da Fundação Getúlio Vargas sofreu baixa para os menores níveis desde o início desse tipo de sondagem, em 2012| Foto: Reprodução

Já havia a percepção de que o cenário desfavorável na economia deveria afugentar investimentos, resultado de uma combinação perversa entre a insegurança elevada e o encolhimento da demanda, com perspectivas ainda bastante incertas em relação ao que poderá vir no futuro imediato e de médio prazo. As decisões de investimento, neste caso, tenderiam a murchar, o que de fato parece ocorrer, a serem considerados dados mais recentes sobre a produção de bens de capital (máquinas, equipamentos, essencialmente) e a sondagem divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O indicador de investimentos da fundação sofreu baixa para os menores níveis desde o início desse tipo de sondagem, em 2012, abaixo inclusive dos números coletados durante a recessão de 2015/16, portanto. Não surpreende, igualmente, que os resultados tenham vindo ainda piores para a indústria, que registrou não só a pior queda como também o indicador mais baixo entre os setores acompanhados pelo Ibre pela primeira vez desde que o levantamento começou a ser realizado.

É claro que o retrocesso está relacionado diretamente à pandemia e aos efeitos gerados pelas medidas para tentar conter o avanço do novo coronavírus. E o poderá vir pela frente? Para o economista Rodolpho Tobler, da FGV, “considerando o patamar historicamente baixo e a elevada e persistente incerteza no País, fica difícil imaginar um cenário de recuperação completa do indicador no curto ou médio prazo”.

De fato, o indicador de intenção de investimentos, aferido a partir da diferença entre aqueles que planejam investir e os que não têm planos de investimento nos próximos 12 meses, caiu a menos da metade na indústria, passando de 119,5 para 56,3 pontos entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. No segundo trimestre do ano passado, o indicador na indústria havia alcançado 116,3 pontos. No setor de serviços, a intenção de investimentos baixou de 117,1 para 58,4 pontos na saída do primeiro para o segundo trimestres, com redução de 126,0 para 78,2 no comércio e de 107,7 para 64,6 no setor da construção. A fundação ressalva que os números do primeiro trimestre foram captados ainda antes da chegada da pandemia por aqui, refletindo o estado de ânimo dos empresários anterior à crise sanitária.

Incertezas

O levantamento acompanha ainda o grau de incerteza das empresas em relação à execução do plano de investimentos desenhado para os 12 meses seguintes. E essa incerteza mostrou-se igualmente recorde no segundo trimestre nos serviços e na indústria, atingindo 66,5% no primeiro setor e 49,5% no segundo.Mais de dois terços das empresas do setor da construção (65,9%) tinham dúvidas em relação ao futuro do investimento, percentual mais elevado desde o segundo trimestre de 2016. No comércio, perto de 41,1% das empresas ouvidas pela pesquisa igualmente não tinham certeza sobre a realização de seus projetos, percentual mais alto desde o terceiro trimestre de 2017. Com dúvidas e muita insegurança, antecipar a retomada dos investimentos parece irrealista.

Balanço

·   A produção de bens de capital sofreu tombo de 39,4% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado, acumulando retração de 21,0% nos primeiros cinco meses de 2020 (também em relação a igual intervalo de 2019) e baixa de 9,6% em 12 meses.

·   A tendência recente, mesmo antes da pandemia, já não era muito promissora para um setor que está diretamente relacionado a investimentos (já que se trata de produzir máquinas e equipamentos que deverão ampliar a capacidade das fábricas e, portanto, ajudarão a expandir a produção mais à frente).

·   Assim, a produção de bens de capital já havia recuado 3,8% no quarto trimestre de 2019, baixou mais 2,1% no primeiro trimestre deste ano e despencou 45,4% no bimestre abril-maio, sempre tomando como base idênticos períodos do ano imediatamente anterior. A produção de bens de capital destinados ao setor de transportes caiu três trimestres em sequência (-0,1% e -4,4% no terceiro e quarto trimestres de 2019 e -4,1% no primeiro deste ano) e desabou 70,6% no bimestre abril-maio, fechando com redução de 35,3% no acumulado de janeiro a maio diante dos cinco mesmos meses de 2019).

·   Os bens de capital destinados à indústria, por sua vez, apontaram elevação de 2,0% no primeiro trimestre deste ano, mas encolheram 38,6% no bimestre abril-maio, fechando os cinco primeiros meses de 2020 em baixa de 15,5%. Para a agricultura, da mesma forma, foram três trimestres seguidos de perdas, chegando a uma retração de 27,1% no bimestre abril-maio.

·   Nesta última área, a queda tende a prosseguir ao se considerar que a produção de máquinas agrícolas, de acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), caiu 24,9% em junho e fechou o segundo trimestre em queda de 36,8%, saindo de 13.908 unidades no segundo trimestre de 2019 para 8.788. No primeiro semestre, a produção de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos baixou 22,6% frente à primeira metade de 2019 (24.724 para 19.135 unidades).

·   Não tem sido diferente em outro setor essencial para o investimento. A produção de bens de capital para a indústria da construção, responsável pela edificação de galpões e de toda a sorte de estruturas industriais, baixou 0,8% no terceiro de trimestre de 2019, recuou mais 0,6% no trimestre seguinte e acelerou o ritmo das perdas para 4,1% no primeiro trimestre deste ano. No bimestre abril-maio, houve um tombo de 38,0%.

·   No setor de energia, a produção de bens de capital saiu de um crescimento de 7,8% no primeiro quarto do ano para uma retração de 9,8% no acumulado entre abril e maio, frente ao mesmo bimestre de 2019, e passou a apresentar variação de apenas 0,1% nos cinco meses de 2020.

 

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar