GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

coluna Econômica

BANNER SANEAGO

Empresas demitem trabalhadores formais e desemprego ainda avança

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 24 de agosto de 2020
No País como um todo, o desemprego assume um lado ainda mais perverso ao atingir com maior vigor pessoas negras e de rendimentos mais baixos| Foto: Reprodução

Numa tendência observada em Goiás e no restante do País, o aumento do desemprego na passagem de maio para junho deste ano esteve relacionado à demissão de trabalhadores formais, com os cortes concentrando-se nos setores de hotéis, bares e restaurantes, serviços domésticos e demais atividades de certa também relacionadas à prestação de serviços a famílias e a empresas. No País como um todo, o desemprego assume um lado ainda mais perverso ao atingir com maior vigor pessoas negras e de rendimentos mais baixos.

A soma de todos os dados liberados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), também chamada de PNAD Covid-19, reforça a tendência de um cenário muito complicado adiante, principalmente diante da prorrogação por apenas mais dois meses do auxílio emergencial às famílias. Na verdade, as estatísticas apuradas pela pesquisa sugerem que o avanço da massa salarial no mês passado foi sustentado pelo pagamento do auxílio, sempre considerando os meses de maio e junho (já que o IBGE não recomenda a comparação com períodos anteriores ao início desta nova série da PNAD, iniciada em maio).

No País como um todo, o total de ocupados recuou 1,13% em junho, frente ao mês imediatamente anterior, saindo de 84,404 milhões para 83,449 milhões de pessoas, significando o fechamento de 955,07 mil empregos. Perto de 73,0% das vagas fechadas eram ocupadas por trabalhadores com registro em carteira, já que o total de empregos nesta área baixou 1,3%, de 55,141 milhões para 54,446 milhões (694,90 mil a menos). O número de empregos informais caiu menos intensamente, saindo de 29,263 milhões para 29,003 milhões (menos 260,164 mil), numa redução de 0,90% (virtualmente estável, na leitura do IBGE).

Em Goiás, o número de ocupações caiu menos, marcando um recuo de 0,74% em junho, baixando de 3,111 milhões para 3,088 milhões – o que correspondeu ao fechamento de 23,078 mil empregos. Quase 70% dessas vagas eram ocupadas por trabalhadores formais, que sofreram queda de 0,82%, de 1,969 milhão para 1,953 milhão, com encerramento de 16,143 mil ocupações.

Os sem-emprego

No restante do País, as dificuldades no caminho de uma retomada podem ser avaliadas a partir de outro dado: o número de pessoas ocupadas e não afastadas do emprego por causa da pandemia chegou a crescer 6,1% entre aqueles dois meses, saindo de 65,441 milhões para 68,693 milhões (3,936 milhões de ocupados a mais), enquanto o total de pessoas ocupadas e que haviam sido afastadas, em função de medidas de isolamento social e de outras razões, foi reduzido em 4,208 milhões, num tombo de 22,2%, saindo de 18,964 milhões para 14,756 milhões. A hipótese é de que essas pessoas não conseguiram retomar seus postos de trabalho e as dificuldades para recolocação tendem a se agravar com o fechamento de médias e pequenas empresas durante a crise.

Balanço

·   O aumento dos desempregados foi mais vigoroso na média de todo o País, com esse número avançando de 10,129 milhões para 11,815 milhões de maio para junho – uma alta de 16,65%. Apenas para tornar mais claro, o número de desempregados registrou acréscimo de 1,686 milhão na média entre aqueles dois meses. A taxa de desemprego elevou-se de 10,7% para 12,4%.

·   O mercado não só não conseguiu gerar os empregos necessários, como recebeu mais 731,13 mil pessoas que decidiram retomar a busca de alguma forma de trabalho em junho. A força de trabalho (a soma do número de pessoas ocupadas e desocupadas que estavam em busca de uma vaga) cresceu de 94,433 milhões para 95,264 milhões de pessoas.

·   A desocupação avançou também em Goiás, crescendo de 12,6% para 13,1% (acima da média brasileira), refletindo um avanço de 3,92% no número de desempregados, que passou de 448,517 mil para 466,093 mil. Aqui, ocorreu um processo inverso ao observado para o restante do País, já que o número de pessoas na força de trabalho baixou levemente de 3,560 milhões para 3,554 milhões (15,5 mil a menos). A tendência correspondeu a um ligeiro incremento no total de pessoas fora da força, que desistiram de procurar uma colocação, saindo de 2,107 milhões para 2,124 milhões (16,4 mil a mais).

·   De uma forma ou de outra, os dados do desemprego continuam camuflados pelo grande número de trabalhadores não ocupados, mas que desistiram de buscar um emprego por falta de opções ou em razão das medidas de afastamento social. Em Goiás, aquele contingente avançou de 670,036 mil para 708,335 mil (mais 5,72%). São pessoas que gostariam de voltar a trabalhar caso tivessem uma oportunidade.

·   Uma parcela relevante desses trabalhadores, somando 402,842 mil em junho, deixou de buscar colocação por conta da pandemia. Mas esse número havia sido maior em maio, atingindo 412,023 mil – o que correspondeu a uma redução de 2,23% na passagem de um mês para o seguinte (9,181 mil a menos). Mais claramente, aumentou o número daqueles que deixaram de procurar emprego, embora desejassem uma colocação, por motivos outros que não a Covid-19.

·   Somando esse número aos desempregados, têm-se mais de 1,174 milhão de pessoas sem uma ocupação, correspondendo a 27,6% da força de trabalho “ampliada” (ou seja, acrescida, aqui, das pessoas que desistiram de buscar emprego, mas estariam ainda dispostas a trabalhar). Em maio, essa taxa havia sido de 26,4%. Quer dizer, o desemprego “real” seria mais de duas vezes maior do que a taxa de desocupação anotada pela pesquisa. No País todo, considerando os mesmos critérios, o desemprego “real” avançou de 30,1% para 31,6%.

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar