12 de setembro de 2020
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Alimentos, medicamentos e biodiesel puxam produção industrial em Goiás

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 12 de setembro de 2020
Produção goiana teve variação positiva de 0,7% na virada de maio para junho passado| Foto: Reprodução

Entre os 14 Estados acompanhados mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio de sua pesquisa regional da produção industrial, Goiás surgia, em junho, melhor posicionado em meio à pandemia, que distribuiu números negativos para todo o setor industrial. Graças principalmente aos setores de fabricação de alimentos, medicamentos e biodiesel. A ligeira variação de 0,7% registrada pela produção goiana na virada de maio para junho passado reduziu a distância em relação ao melhor momento do setor, registrado em julho de 2016, para 2,6%. Na média de toda a indústria brasileira, a produção ainda se encontrava em junho perto de 27,7% abaixo do pico de produção ocorrido em maio de 2011.

Sob esse ponto de vista, a indústria goiana foi menos afetada pela crise, até o momento pelo menos, em função de sua estrutura e perfil, com a concentração observada naqueles três segmentos (alimentação, farmacêutica e biocombustíveis), não por coincidência setores que foram autorizados a preservar suas operações durante da pandemia em função de seu caráter essencial para a sociedade. Na comparação com junho do ano passado, a produção avançou 5,4%, melhor desempenho entre as regiões pesquisadas, lembrando que em junho de 2019 o setor havia recuado 2,4%. Em maio, sempre em relação a igual período do ano anterior, a produção havia registrado variação de 1,6%, depois de cinco meses de números negativos.

O setor de alimentos sustentou praticamente todo o incremento observado em junho, novamente em relação ao mesmo mês do ano passado, crescendo 10,7%. Em abril e maio, a indústria de bens alimentícios já havia avançado 3,7% e 9,3% (o que sugere uma aceleração do crescimento na comparação mensal), o que permitiu ao setor sair de uma queda de 1,8% no acumulado do primeiro quadrimestre para uma elevação 3,2% no primeiro semestre, diante dos primeiros seis meses de 2019. Na comparação mensal, o setor produziu mais açúcar (setor que tem sido favorecido pela demanda externa), farelo e óleo de soja.

Ajuda externa

As exportações de açúcar dobraram, em volume, na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo intervalo deste ano, subindo de 191,35 mil para 385,44 mil toneladas. O crescimento das exportações de carnes contribuiu para impulsionar a demanda doméstica por farelo. Apenas as vendas externas de aves saltaram 90,7% em volume, atingindo 103,32 mil toneladas, graças ao apetite do mercado chinês. No acumulado do primeiro semestre, de acordo com o IBGE, o açúcar foi o destaque e ajudou a puxar a produção do setor de bens alimentícios. Na indústria farmacêutica, a produção saltou 19,2% em junho, depois de recuar 1,9% em maio, acumulando alta de 2,8% no semestre. Num termômetro do setor, altamente dependente de importações, as compras externas de produtos farmacêuticos, o que inclui insumos e matérias primas, especialmente da Ásia, chegaram a apontar alta de 20,4% no primeiro semestre deste ano, em valor, passando de US$ 531,28 milhões no ano passado para US$ 639,83 milhões.

Balanço

·   O setor de biocombustíveis recuou 4,4% em maio e registrou avanço de 2,5% em junho, fechando o primeiro semestre com ganho de 3,3% frente ao mesmo período de 2019. O peso do biodiesel, a se dar crédito às estatísticas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), teria sido muito mais relevante do que do etanol.

·   Nos números da ANP, a produção de biodiesel aumentou 12,5% em junho, avançando de 73,807 milhões de litros no ano passado para 82,215 milhões. Em seis meses, o Estado produziu 424,59 milhões de litros, o que se compara com 387,46 milhões na primeira metade de 2019, num incremento de 9,58%.

·   Já a produção de etanol chegou a recuar 2,75% em junho deste ano, saindo de 751,94 milhões de litros igual mês de 2019 para 731,28 milhões. No semestre, a variação ficou limitada a 0,7%, já que os registros da ANP apontam a produção de 1,826 bilhão de litros neste ano, diante de 1,814 bilhão de litros em 2019.

·   O comportamento dos três setores já mencionados contribuiu para que a indústria de transformação apresentasse variação de 5,7% em relação a junho de 2019, depois de queda de 2,1% em abril e leve avanço de 0,7% em maio. Esses resultados determinaram uma variação de apenas 0,5% no primeiro semestre deste ano. Para registro, a produção no setor vinha de um recuo de 0,9% nos cinco primeiros meses deste ano.

·   Excluídos aqueles três setores, a produção no restante da indústria encolheu 2,1% em junho e 1,5% no primeiro semestre. Neste caso, a principal contribuição negativa veio da indústria de veículos, que produziu 60,9% em junho e perdeu metade de sua produção no semestre, ao registrar um tombo de 50,2% em relação aos mesmos seis meses de 2019.

·   A indústria extrativa, que vinha sendo impulsionada pela exploração de rocha fosfática, brita e calcário, sofreu perda de 0,9% em junho, mas havia registrado saltos de 33,0% e de 23,0% em abril e maio, respectivamente, frente aos mesmos meses de 2019. Os mesmos três segmentos foram principais responsáveis pelo crescimento de 8,3% do setor extrativo no primeiro semestre. Houve uma desaceleração em relação à taxa acumulada até maio, quando o setor havia crescido 10,7%.

·   A indústria incluída no segmento de “outros produtos químicos”, com participação preponderante de adubos e fertilizantes, sofreu baixas de 23,6% em abril, de 7,9% em maio e de 9,3% em junho. A variação acumulada no ano, ainda refletindo os melhores números do começo de 2020, saiu de 8,2% até abril para 2,2% no primeiro semestre, em forte desaceleração, a despeito do desempenho positivo do agronegócio. 

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